sexta-feira, 29 de maio de 2015

Provar Lisboa - Le Moustache Smokery

Há fumo na Praça das Flores, mas não se assustem que não há fogo. Nos números 44 e 45 da mesma, onde outrora existiu o restaurante Conventual, abre hoje ao público o "Le Moustache - Smokery"



A marca Le Moustache, nasceu em 2013, quando Daniel Cardoso (chef do Le Moustache - Smokery), juntamente com a sua esposa Miriam, criaram um conceito familiar, de ir cozinhar a casa de clientes, ou a empresas. Faziam as compras, cozinhavam, e no fim até a loiça deixavam lavada. O conceito Le Moustache - Eat Like a Sir ganhou novo alento, quando Daniel participou em 2014, no Masterchef Portugal, tendo saído já bem perto da final. Daniel confessa que "a participação no programa, permitiu-me aprender técnicas que não conhecia, e que foram fundamentais para chegar onde estou agora". Saído do programa, e encorajado por três amigos de infância, e seus atuais sócios (Pedro e Francisco Silva e Marco Cerqueira), Daniel empenhou-se a fundo no objetivo de ter um restaurante "queríamos algo diferente, comida honesta e de conforto, algo que Lisboa ainda não conhecesse", surge assim o Le Moustache - Smokery. Mas nem tudo foi fácil, quando se deparou com o espaço, percebeu que o mesmo precisava de mais obras do que ao que estava a contar, sendo assim, recorreu ao crowdfunding para num espaço de um mês, angariar os 5000€ necessários para remodelação da cozinha, e aquisição dos fornos essenciais para a mesma. Graças ao apoio de 168 pessoas, o objetivo foi superado, e a cozinha devidamente equipada.

O espaço está praticamente todo remodelado, do anterior residente, apenas sobraram as portas de madeira e o poço da cave. Com um design clean e super criativo, a decoração ficou a cabo dos próprios e de alguns amigos que ajudaram na mão de obra. Passando a entrada, temos o bar do lado esquerdo, mas não é um bar qualquer, é um bar da Gin Lovers, por isso, ir ao Le Moustache - Smokery e não beber um gin, é quase como ir a Roma e não ver o Papa. Temos bidões de ferro a fazer de mesas altas, dois sofás de pele castanha entre uma mesa pequena, numa zona um pouco mais lounge, onde na parede se encontra uma maravilhosa ilustração cheia de cavalheiros, e os seus bigodes, e tambores de máquinas de lavar a fazer de candeeiros. A sala é ampla e espaçosa, e a decoração da mesma seguiu um conceito de reaproveitamento de material que encontraram na cozinha "tínhamos tachos, panelas, tampas, talheres, entre outras coisas e demos asas à criatividade". Dos tachos e panelas surgiram candeeiros de teto, das tampas um painel para forrar uma das paredes, e dos talhares um género de escultura que acabou num candeeiro de teto, perto da estante onde está uma das especialidades da casa, a cerveja artesanal, com cereais fumados nos fornos do restaurante. Não podíamos deixar de referir a parede da fama, onde Daniel e os sócios, homenageiam todos aqueles que tornaram o projeto possível em crowdfunding, exibindo assim pequenas placas de madeira, onde constam os nomes dos mesmos. 



Mas passemos ao que interessa, a comida. Simples, de fácil agrado, honesta, e com um sabor unicamente irrepreensível. Temos um pão de cerveja com bacon e malagueta que casa lindamente com os potes de queijo em azeite. Temos umas asinhas de frango gangnam style, onde além de fumadas levam um toque oriental que são uma delicia. A salada César com frango fumado e grão de bico, dá um toque de cozinha tradicional a um clássico servido em todo o mundo. A sopa de abóbora coma maçã e crocante de bacon, é também uma escolha obrigatória. As carnes são a especialidade da casa, e todas elas fumadas, em processos que demoram entre as 8 e as 16h, dependendo da peça, e do corte da mesma. À disposição temos, ribs (piano de porco com molho de barbecue, pickle de cebola e pepino), salsicha de funcho caseira; o pulled pork, que é a bifana da casa servida num prato; o pastrami, que é carne de vaca curada com pimento e coentro em grão; e o schnitzel, que é frango panado com salva. Os acompanhamentos vão desde a típica salada americana (coleslaw), à batata frita rústica, que é sujeita a três frituras, sendo servida bem crocante; temos também baked beans, puré de ervilhas e onion rings. Em alternativa às carnes, existe um prato de salmão, e outro de bacalhau, que acompanha lindamente com um Gin Mare com alecrim fumado. Como não podia deixar de ser, nenhuma boa refeição, é uma boa refeição, se não tiver sobremesa. Neste caso, e entre outros, é obrigatório provar o arroz doce com canela fumada, e a divinal pavlova.

A juntar a todas estas maravilhas, ao domingo, é tarde de brunch. Sim, tarde, pois o brunch aqui é servido até à 18h e está disponivel em três menus diferentes que vão dos 9€ aos 14€ por pessoa. O vizinho da frente que se cuide, pois aqui a concorrência é boa e honesta.


A ter em conta:
- Horário: Aberto de segunda a quinta das 12h às 24h, sextas e sábados das 12h às 02h, e domingo das 12h às 18h
- Reserva: É aconselhável reservar e pode fazê-lo pelo número 938 673 241, clientes sem reserva também são bem vindos e enquanto esperam, usufruam do bar.
- Preço: Entre 15€ a 20€ p/pessoa. Os gins rondam os 10€ a 12€
- Qualidade: Se dissermos que é um dos restaurantes mais inovadores de Lisboa, não estamos a exagerar. A qualidade é boa e o conceito genial
- Atendimento: Simpático e bem formado, atenção, o espaço é novo por isso não se admirem com uma ou outra hesitação
- Estacionamento: Na rua. Nas imediações encontra-se lugar com alguma facilidade. 

Sem comentários:

Enviar um comentário