quarta-feira, 29 de abril de 2015

Ao menos, que lhe mudassem o nome para "Praça Bangladesh"...

A "coisa" vai-se fazendo. Vai sendo feita. Devagarinho, Lisboa há-de ser arruinada. Sabendo o que foi, dá tristeza e até nojo, ver o enxerto pseudo-paisagístico que é o Martim Moniz actual, arrasado por uma criminosa decisão tomada nos gabinetes que deu lugar à tristeza que então se apoderou de muitos lisboetas, e que ficaria para sempre registada em fados... A gestão camarária de Kruz Abecassis, que segundo a profecia do próprio, tornariam "Lisboa irreconhecível", tomou o Martim Moniz, dando largas ao mau gosto, incompetência e criminosa condescendência para com os conhecidos negócios da construção.

Há muito que já se justificava por isso que alguém fizesse algo como o "Lisboa Desaparecida" de Marina Tavares Dias (Quimera, 1988). Nessa obra que Costa nunca leu - se é que sobre urbanismo alguma vez leu alguma coisa - faz-se um relato da destruição, justificada pelo alargamento viário da baixa com o pressuposto de demolir tudo o que estivesse no caminho. Projectou-se a construção de ruas e edifícios modernos, inclusive no Rossio (há desenhos disso...) mas a final, construiu-se apenas um edifício do projecto: o horroroso hotel Mundial. Nas demolições, arrasou-se a Mouraria e a Praça da Figueira (o mercado em ferro), e até mesmo o Arco do Marquês do Alegrete, erguido em 1694, que a Câmara Municipal de Lisboa, carecendo do terreno do palácio para melhorar a circulação pública, deitou abaixo em 1946... O terreno foi terraplanado. O Teatro Apolo, inaugurado em 1866 e edificado em homenagem ao rei D. Carlos, foi igualmente demolido, em 1957.


O Martim Moniz esteve em obras de Santa Engrácia latitudinários anos, ali se erguendo agora uma frente de edifícios presumivelmente destinados à habitação. Fachadas limpas. Em vez de reduzir a pó as catastróficas construções do tal Abecassis, a "coisa" foi continuada. E hoje é o que é, criando, ao contrário do que o Plano Director Municipal preconiza, uma ruptura com o malha urbana envolvente, e assim, com a própria história da cidade, que motiva a criação de clivagens sociais graves, vandalismo e insegurança. 

Hoje aquele pedaço de Lisboa castiça é terra queimada e deitada de novo aos mouros. Aos mouros e aos chineses (a Agência chinesa "Xinhua" considera Martim Moniz "a praça mais multicultural de Lisboa"; "No Martim Moniz, hoje, pessoas como Jennifer (cidadã chinesa entrevistada) podem sentir-se em casa ", remata a reportagem. Que vergonha: Martim Moniz terá dado voltas na tumba!... 

No plano da destruição do património cultural, também podemos falar no abandono a que estão entregues os outrora bem talhados (em buxo e preenchidos com plantas coloridas) brasões das cidades e províncias de Portugal e das ex-colónias, bem como a Cruz de Cristo e a Cruz de Avis (num total de 32 conjuntos de grandes dimensões) que estão hoje quase irreconhecíveis, perdidos entre ervas daninhas, na Praça do Império em Belém. Este é, alegadamente, património que "urge não preservar", porque "os brasões são sinais do colonialismo".  O próximo passo deverá ser, pois, mandar implodir a Torre de Belém, carregada de símbolos imperiais manuelinos, e demolir esse horrendo Mosteiro dos Jerónimos que ostenta os Túmulos de Luís Vaz de Camões e Vasco da Gama, catatuas brasileiras, brasões reais e - que horror! - esferas armilares!...

A obliteração de uma História, seja ela qual for, nunca é inocente. Particularmente quando é obra de gente cuja genética é contrária ao domínio Português exercido em terras de oriente. 

2 comentários:

  1. Muito bem, há muito que uma lufada de xenofobia fazia falta ao PL.

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