sábado, 21 de fevereiro de 2015

Comer Lisboa

Finalmente Lisboa começa a ganhar o hábito de ter vida após o dia de trabalho. Cada vez mais, colegas ou amigos combinam encontrar-se ao fim do dia para conviver um pouco antes de regressarem a suas casas, seja para petiscar algo, ou até mesmo para jantar. O que importa mesmo é que não se termine o dia com a sensação de que nos falta algo para que este tivesse sido perfeito. Fomos percorrer a cidade ao encontro do que melhor se come. Desde espaços únicos ao mais simples restaurante, desde pratos de autor ao mais simples petisco, deixamos aqui as nossas propostas.


The Insólito Restaurante & Bar
No topo de um edifício do século XIX, ali mesmo em frente ao miradouro de São Pedro de Alcântara, o The Insólito Restaurante & Bar prima pela originalidade, mestria e qualidade do Chef Nuno Bandeira de Lima. Da cozinha saem pratos como uma das melhores e mais originais entradas que já comemos. O carpato, uma entrada "cuja inspiração surgiu no magret de pato, deixando este de ser um prato principal, e passando a ser uma entrada elaborada" composta por um carpaccio de pato, acompanhado com um ravioli de laranja, compota de pêra & porto e agrião, fumado no momento com tomilho por uma smoking gun, mesmo à frente do olhar dos clientes que se sentam na "barra". Acompanha também um smoke me cocktail, (composto por bourbon Jack Daniels, xarope de maça verde, sumo de lima e tomilho fumado), que posteriormente é vertido para o copo balão que serve de cúpula à defumação. Quando se prova é evidente o sabor da mesma, tanto no prato, como na bebida. Para prato principal, e num pais onde o bacalhau é rei, o skrei (também conhecido por bacalhau fresco) é servido com molho de natas e alho bringido três vezes e acompanhado por batata violeta, pack choy bebé e uva de moscatel.


Da esquerda para a direita: Ceviche de Bacalhau da Cevicheria, Carpato do The Insólito Restaurante & Bar e Ceviche de Salmão da Cevicheria
Na Cevicheria do Chef Kiko Martins, a escolha é vasta, mas nada como ser fiel aos ceviches. Puro, de salmão e manga, ou com alma Portuguesa, de bacalhau com puré de grão, azeitonas secas e courato. Aqui o ceviche é preparado como manda a regra. O equilíbrio perfeito entre o leite de tigre, o peixe, e os restantes componentes deixam-nos sempre com a sensação que estamos bem longe de Lisboa, numa viagem de sabores à América Latina. Se não forem muito adeptos deste prato e quiserem apenas um snack, as empanadas de novilho com maionese de lima e gengibre, e o taco de tártaro d'O Talho são as escolhas perfeitas.

Continuando a viagem pela América Latina, mudando apenas o cenário do Príncipe Real para o Cais do Sodré, a Taqueria Pistola y Corazon serve-nos "comida sin verguenza" e feita com amor. Comida Mexicana, feita por Mexicanos para gringos, como nós. É difícil escolher o melhor prato, mas o guacamole com totopos (nachos) feito no momento, e o bistec con chile, pequenas tiras de bife salteados com chili, cebola e alho, e servidos com cebola cozinhada em limão e requeijão, servido sobre três finas tortilhas, estão sem dúvida em destaque. Ali bem perto temos o local onde a diversidade gastronómica é mais que evidente. No Mercado da Ribeira, cuja exploração está a cabo da Time Out, a escolha é vasta. De snacks a pratos de autor, de petiscos aos mais variados mariscos, podemos provar de tudo por lá, contudo o nosso destaque vai para a Tartar-ia e o seu tártaro de arenque com beterraba por não se limitar a ser um simples tártaro, conjugando um peixe que não se costuma ver neste tipo de prato e de sabor forte, com a intensidade da beterraba. Ainda no Cais do Sodré, como quem já sobe para o Chiado, temos de fazer referência aos fantásticos cachorrinhos, bem ao estilo nortenho, do Santa Gula Snack-Bar. Já no Bairro Alto, o prego de bife de atum dos Açores na Cervejaria do Bairro, servido com uma cebolada é qualquer coisa de divinal. Claro que não poderíamos seguir viagem sem antes passarmos no Mini-Bar de José Avillez. O estrela Michellin apresenta neste seu gastro bar refeições que são autênticas encenações, onde os atores principais são os menus de degustação "Épico" e "Em cartaz", não deixe de provar o ferrero rocher de foie gras, e as gambas do Algarve em ceviche servidas sobre uma rodela de lima com esfera de beterraba e topping de milho frito.   

Na freguesia de Arroios, a paragem obrigatória é o Mr. Lu. Este restaurante Chinês, não é um restaurante qualquer. Em 1997, Zhiaming Lu foi considerado o segundo melhor cozinheiro da China – e o melhor do Norte do país. Há uns anos, deixou tudo para trás e mudou-se para Portugal. Lavou pratos, trabalhou em limpezas, foi amealhando dinheiro. Em abril, conseguiu abrir as portas de um restaurante em Lisboa. Esqueça o chop suey e a família feliz. A China à mesa é isto. Os crepes são maravilhosamente recheados por bons legumes, os dumplings divinamente suculentos, os pratos de wook acabam de cozinhar na mesa e deixam-nos a salivar, e de Pequim, vem o porco acompanhado por uns finos crepes de ovo, em vez do tradicional pato. Dá vontade de ficar por lá um dia ou dois para provar mesmo tudo. Para terminar esta nossa viagem gastronómica paramos no recém aberto Viva Lisboa, que está a cargo do Chef Pedro Santos Almeida, da sua cozinha tradicional, mas com um toque Thai, onde é obrigatório provar o brás de vieira e shitake trufado e a sopa de peixe com camarão Tailandês, que nestas alturas de frio, nos aquece o corpo e a alma.

Atenção: a probabilidade de ficarem viciados nos pratos que aqui descrevemos é muito grande, como tal deixamos a informação, livrando-nos de eventuais responsabilidades.





1 comentário:

  1. Parabéns pelo excelente trabalho, conheço a civecheria e confirmo que os ceviches são maravilhosos, também gostei muito dos quinotos.

    ResponderEliminar