terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Provar Lisboa - A Cevicheria

Há pouco mais de um mês que a etnodiversidade gastronómica presente no Príncipe Real está mais rica. Pelas mãos do chef Kiko Martins (também responsável pelo restaurante O Talho), chega até nós a Cevicheria. Aqui serve-se o famoso prato Peruano, acompanhado de sabores de outros países da América do Sul, bem como de Portugal. 



Kiko Martins é um entusiasta da culinária. As suas viagens pelo Mundo fora, são como visitas de estudo para uma profissão que está em constante evolução. Em ambos os seus restaurantes tudo o que se come tem o seu cunho pessoal, o seu "twist", a sua experiência e vivência, a sua interpretação e fusão de sabores. Até podia ser um negócio arriscado vindo de um chef que domina as artes da carne e que correu o mundo para saber tudo sobre a mesma, mas como Kiko Martins diz "na cozinha, temos de fazer de tudo", e "sendo um confesso apreciador de ceviches" aproveitou a lacuna na oferta em Lisboa e arrancou com um projeto que sem dúvida irá apaixonar todos os que por lá passarem.  

Situado no nº129 da Rua D. Pedro V, a Cevicheria não passa despercebida. A sua fachada é de vidro forrado a ferro recortado em forma de peixe até à altura da cintura, e em forma de pato da cintura para cima, homenageando assim os principais ingredientes dos ceviches. No interior a decoração é "clean" e eficiente, predominam os tons brancos, mas o que mais chama a atenção são os ladrilhos de formas geométricas em tons de azul no chão e a escultura em espuma de um polvo gigante suspensa no tecto, mesmo por cima do ex-libris da casa, o magistroso balcão em mármore que nos permite observar a magia a acontecer. No restaurante existem aproximadamente 25 lugares, mas sem dúvida os melhores são ao balcão. Sentados em bancos altos, temos o privilégio de ouvir o tilintar das colheres nas taças enquanto os ceviches são preparados, de ver as pinças a colocar nos pratos os ingredientes mais delicados, de falar, não só com o chef, mas com todo o staff, e de ser aconselhado. O facto de estarmos perante toda esta ação dá vontade de provar mesmo tudo o que está a ser feito.



A carta é composta por catorze pratos principais, entre os quais quatro ceviches, três causas (outro prato típico do Perú baseado em batata) e dois quinotos (risoto feito com quinoa); existem também pratos com carne, como as empanadas de novilho, os croquetes de pato confitado, e um taco do famoso tártaro d'O Talho. Para terminar existem quatro sobremesas disponíveis, para todos aqueles que não conseguem terminar a refeição sem algo doce. Se a escolha for difícil, opte pelo menu de degustação que tem um valor único por pessoa de 35€ (exclui bebidas), e é composto por 6 pratos, o gaspacho de gamba do Algarve, o ceviche puro, onde é evidente o equilíbrio entre a acidez do leite de tigre (base de todos os ceviches) e a proporção certa nos restantes ingredientes; uma causa, o quinoto do mar, onde o camarão, o berbigão, o mexilhão, o peixe branco, as algas e a espuma de ostra e kombu, exemplificam a conjugação simbiótica de sabores e texturas mantendo a excelência dos mesmos; o croquete de pato confitado, com arroz de ervilhas, milho e salsa criolla, e para terminar o repasto, uma terra de chocolate estaladiça com peta zetas, acompanhada por mousse de chocolate, parfait de banana e crocante da mesma. Claro que tudo isto sempre bem acompanhado por um "pisco sour" (bebida típica Peruana, feita á base de um destilado de uva, lima, gema de ovo e angustura, para lhe dar um toque especial)  



A ter em conta:
- Horário: Aberto de Segunda a Domingo das 12h00 ás 00h00
- Reserva: Não faz reservas, funciona por ordem de chegada, a espera raramente é superior a 30m, mas após entrar vale cada minuto esperado. Peça um lugar ao balcão que não se irá arrepender.
- Preço: Entre 20€ a 30€ p/pessoa com prato e bebida. O menu degustação de 6 pratos tem o preço de 35€ p/pessoa mais bebida
- Qualidade: Suprema, tanto a nível de produto como de confeção
- Atendimento: Simpático e direto, a proximidade com o cliente é uma mais valia da casa
- Estacionamento: Na rua, tratando-se do Príncipe Real não é muito fácil, mas acaba sempre por se encontrar um espaço.



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