domingo, 30 de novembro de 2014

Provar Lisboa - Restaurante Bastardo

Em frente à estátua de D. Pedro IV, situado no primeiro andar do Internacional Design Hotel, com umas enormes janelas que mais parece estarmos sentados num camarote com vista privilegiada para a praça de seu nome, nasceu no mês de Setembro mais um Bastardo mas Alexandre Martins não hesitou em assumir a sua paternidade.   



No número 3 da Rua da Betesga, onde em tempos existiu uma casa de chá, o restaurante apresenta-se com uma decoração moderna, onde a mistura de vários materiais e apontamentos coloridos são predominantes no cenário de toda a sala. As tapeçarias no chão contrastam com o escuro da madeira. As cadeiras, cada uma de seu formato e feitio realçam a diferença nas mesas, e nas paredes os retratos de estilo renascentista escritos com expressões contemporâneas retiradas de sucessos cinematográficos, tais como "Frankly my dear, i don't give a damn" dita por Clark Gable no filme "E Tudo o Vento Levou" dão um sentido de humor único ao espaço.   

Na cozinha deste "filho ilegítimo da cozinha portuguesa", chefiada por Luís Rodrigues, privilegia-se a conceção de uma carta com muito humor e amor à tradição culinária, mas sempre com um toque de contemporaneidade. Cozinha-se em português, mas misturam-se culturas, conceitos e diferentes à tradição, viaja-se do 8 ao 80 e tenta-se sempre agradar a Gregos e Troianos. Cada refeição é uma experiência única, o couvert é de pão quente e vem servido numa caixa de lego, que não adianta tentar desmontar pois as peças estão coladas, e é sempre servido um amuse boucheAo almoço privilegia-se as tachadas da avó, que são servidas com o tacho na mesa, e onde de segunda a sexta temos uma diferente para experimentar a um preço único de 15€, tais como o Pato com Arroz de Caracóis à terça, e o Cozido à Portuguesa à quarta. Ao lanche, o espaço transforma-se numa autêntica casa de chá, onde bolos e fatias douradas saem da cozinha, juntamente com cupcakes, scones e a respetiva companhia. Propostas da velha guarda como Ovomaltine, papa de fruta com bolacha Maria, gemada de cerveja preta e farinha 33 também podem ser escolhidas. Ao jantar a carta apresenta-se como se de um jogo da apanhada se tratasse, partida, largada e fugida é o que se pode ler para nos apresentarem as entradas, os pratos principais e as sobremesas. De destacar sem sombras de dúvidas o Pica Peixe, composto por peixinhos da horta, pastel de bacalhau, ovo de coderniz cor-de-rosa e um shot de bloody mary; e os Três Porquinhos, composto por entremeada, manga, abacate e pickles, isto falando apenas das entradas. Para prato principal destacamos o Porco à Colher, composto por entrecostelas , cheróvia, vindalho e tamarilho e o Mafioso, composto por polvo, óleo de dendem, ervilha seca e funcho. Para terminar em grande na sobremesa sugere-se o Arroz Doce, como o da avó, e a sobremesa com o nome mais peculiar da carta, fazendo mesmo lembrar uma música de José Cid, Como o Macaco Gosta de Banana, que se traduz numa composição de banana, amendoim, caramelo e mais banana. Não podemos deixar de realçar o bar, onde os vinhos são servidos a copo e os cocktails são feitos com a precisão e perícia por um dos barman mais elegante que já vi no modo de trabalhar.

É certo e sabido que o Rossio não cabe na Rua da Betesga, mas o Bastardo cabe, e isso para nós é suficiente.         

A ter em conta:
- Horário: De segunda a domingo das 12h30 às 15h30 para almoço, das 15h30 às 19h30 para lanche e das 19h30 às 00h00 para jantar
- Reserva: Aconselhável reservar, clientes sem reserva também são bem vindos
- Preço: Almoço a 15€ (inclui sopa, prato do dia e vinho da casa) lanche até 10€ e jantar entre 20€ a 25€ p/pessoa
- Qualidade: Muito Boa
- Atendimento: Simples, dinâmico, simpático
- Estacionamento: Existe um parque de estacionamento na Praça da Figueira, a menos de 20m do restaurante.

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