sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Marca Parque das Nações



Com a promulgação da lei que define o Parque das Nações como uma Freguesia, é tempo dos vários intervenientes nesse processo, pensarem o Parque das Nações, ao abrigo do que ele deve ser visto: Como um Produto, uma Marca, uma zona que se pretende (con)vida, dinâmica, apelativa, diferenciadora, marcante e geradora de valor.
E, se hoje somos diariamente confrontados nas nossas vidas com milhares de imagens, de estímulos, de pontos de decisão, dizem os académicos que “a globalização, a par do aumento da população urbana, trouxe não só um maior protagonismo aos territórios como lhes atribuiu autonomias e responsabilidades acrescidas, e induziu as condições necessárias para a ascendência de novos territórios estratégicos” (Alves, 2008) e assim, as cidades, os territórios, ou como o Kotler refere - os lugares - assumiram uma enorme importância no funcionamento das economias e na vida das pessoas, pois é neles que vivemos e é aí que procuramos a resposta para as nossas necessidades e desejos.
Não só por isso mas também, neste ambiente de desenvolvimento, competitividade e crescimento, surge a necessidade por parte dos territórios, mais propriamente dos gestores, tomarem medidas que tornem cada espaço do território, um local com vantagens competitivas visíveis/sustentáveis, capazes de competirem entre si e gerar dinamismo económico.
Donde, para cada região, cidade ou lugar (places), torna-se premente, criar infraestruturas, recursos turísticos, equipamentos, acolhimento, cultura, cidadania, bairrismo, bem como acessibilidades que possibilitem a criação de uma identidade própria, única e diferenciável dos demais.
E é aqui que surge o City Marketing, pois sabemos que muito antes de promovermos o destino ou o território é fundamental criar-se uma estratégia para a definição da identidade do espaço, diferenciadora face aos demais e que essa diferença seja valorizada pelos consumidores. Estamos pois a falar de criar uma Marca que fique na mente das pessoas, de tal modo que lhe permita ganhar vantagem concorrencial ao nível dos destinos turísticos.
E é esse um ponto que, em meu entender, ainda não foi feito no Parque das Nações. Temos belíssimos espaços – alguns já a acusarem o peso da falta de manutenção – temos bons serviços, temos muitas empresas estabelecidas no Parque, mas falta-nos sobretudo moldar tudo isso, com a criação de uma estratégia para o Parque das Nações - visionária e voltada para o futuro, enquadrada no mercado, imbuída de valores, conciliadora e inclusa, que vise não somente a criação da marca mas também do conceito de bairro que até hoje ainda não existe estruturado no Parque das Nações. Não adianta existirem dois ou três espaços congregadores de moradores, de serviços que necessitamos, se depois todos os outros não se encontram criados. O Parque das Nações, surge hoje como tendo quatro sub áreas: Norte, Centro, Poente e Sul. Obviamente que cada um deles tem uma estrutura e dinâmica próprias mas os mesmos têm de ser conciliadores e estruturados numa estratégia para que o espaço mais visitado e relembrado na mente dos turistas – Parque das Nações - seja também ele um espaço vivenciado por quem aqui habita e trabalha.
Como refere Mela, “as cidades são locais de aglomeração populacional de determinada escala, nas quais o cidadão estabelece relações de vários tipos, nomeadamente sociais, culturais e comerciais, que vão sedimentando ao longo dos séculos e através das quais cria a estrutura, identidade e significado da sua imagem”.
Sabemos hoje o quanto é importante que exista maior capacidade de adaptação dos locais (places) a um mercado em constante mudança e assim aproveitar as oportunidades que se coloquem. Torna-se então importante otimizar as funções urbanas e as condições que favorecem quer os seus habitantes e empresas circundantes, quer as demais organizações, visitantes, turistas ou investidores, englobados num plano estratégico previamente delineado, coeso e adequado a cada lugar.
A necessidade de mudarmos de um desenvolvimento mais abrangente para um desenvolvimento mais local e específico, surge do fato de se observar que existem diferenças entre espaços, quer em termos económicos, culturais, ambientais, históricos e de costumes, às quais se devem aplicar diferentes estratégias no sentido de valorizar esses mesmos recursos, tornando-os mais competentes e por consequência mais competitivos. Devemos por isso fazer a gestão dessa imagem urbana formulando uma estratégia adequada que permita que fique claramente identificada essa cidade, região ou país, na mente dos vários públicos que dela fazem parte.
A construção da Marca Parque das Nações não se faz por decreto lei, por sermos uma Freguesia mas, faz-se de pessoas, de lugares, de estratégia, de inclusão. Faz-se partindo com uma estratégia, que defina metas, objetivos, estímulos, pontos diferenciadores, prazos, para fomentar o desenvolvimento e manter o destino/lugar no topo de preferências dos vários públicos-alvo com o envolvimento de toda a comunidade de modo a evitar a inospitalidade.
O desafio que hoje se coloca para gerir territórios é em tudo semelhante às das empresas que trabalham com uma forte orientação para o mercado. As cidades são (têm de ser) hoje entendidas como produtos (sim, leu bem!) que competem entre si para atrair investidores, visitantes, turistas e residentes, por isso o grande desafio em definir um processo contínuo de desenvolvimento e promoção do produto “cidade”. Por isso, temos de identificar a comunidade local, trabalhar com ela e para ela, conhecê-la e compreender as suas necessidades, desejos e interesses de modo a bem preservar o que de bom encontram no território.  
Donde, mais que discutir o que mudar – aleatoriamente – no nosso bairro, importa que se crie um plano estratégico, com visão, missão, desafios e potencialidades, objetivos, programas, projetos e ações, pois a gestão de um espaço territorial exige o envolvimento político, coesão e participação dos residentes, regulamentação adequada, estabilidade e sobretudo de uma visão empresarial desta zona nobre da cidade.

Jorge Farromba

1 comentário: