sábado, 28 de dezembro de 2013

Destroços de Natal…

Imaginem o que é ser contratado por uma sólida empresa e depois de trabalhar durante anos para essa sólida empresa, ser transferidas para outra, mais pequena, com escassos meios, dependente da primeira… sem vos perguntarem nada. Embora, contra a vossa vontade. É exactamente isto que os trabalhadores de recolha do lixo sentem nas “transferências de competências” do Município, para as Juntas de Freguesia.

Depois, temos a questão do interesse público, olimpicamente obnubilado, quando o resultado final seja um serviço público, de interesse público, porque imprescindível à convivência em sociedade, prestado com uma qualidade fatalmente inferior.


Ou talvez não, se pensarmos na engenharia administrativo-financeira, logo a seguir a muitas obras e alguma inaugurações em véspera de eleições, que o orçamento não autoriza, nem que para isso seja preciso invocar o estado de necessidade ao mesmo tempo que se vende património. E ciclovias. E muitos prédios devolutos, alguns com perigo de derrocada. E assim se passou 2013.

Juntem a estes ingredientes uma CGTP algo irresponsável, mas com a razão do seu lado, num mundo cão onde tudo se faz pela calada (leiam bem o 2º parágrafo desta notícia...) onde é preciso por vezes não olhar a meios. Mas o certo é que quem vai sofrer mais, desta vez, são mesmo os lisboetas. Todos, os que aqui residem e os que cá trabalham. E uns milhares de turistas que levarão na bagagem memórias uma Lisboa suja.

Acumulam-se os sacos à volta dos contentores. Montões… Folhas caídas por todo o lado... O fedor empesta e as moscas esvoaçam em círculos. Restos de muitos banquetes, que apodrecem no meio da rua. Fede! E como nada está tão mal que não possa piorar, vem aí o Ano Novo, depois deste em que as finanças recomendam ficar por Lisboa, mesmo que o clima, nem por isso… A quantidade de garrafas e vidros partidos nas ruas dará uma luminosidade especial à cidade… Os embrulhos rasgados, sacos de todas as cores, caixas de prendas vazias e amarrotadas, dão alegria a este espectáculo (a seu tempo, os ratos darão movimento), que poderáser apreciado até dia 5 de Janeiro.


Destroços de Boas Festas, que a crise, e o governo, desta vez, não vão conseguir estragar…

P.S.: a foto foi tirada em frente ao centro de recolha, no Parque Silva Porto, em Benfica. 

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