domingo, 10 de março de 2013

Paranóia...



Há ideias que são simplesmente estúpidas. Os pombos borram tudo, e os excrementos deles, além de inestéticos, são corrosivos para a pedra e o bronze das estátuas. Mas exterminá-los seria ideia tão execrável como as doenças que propagam.
O mesmo acontece com a mania de António Costa com os automóveis. Nem sei se será só em Lisboa. Parece que já como Ministro foi das suas preocupações... Se fosse primeiro-ministro – e não me espanta que o número dois de Sócrates o possa ser, porque a partir dos "reformados indignados" já nada me espanta – provavelmente só o carros do Estado teriam o privilégio de andar nesses 3% do território nacional, ocupado pelas auto-estradas com que presentearam o povo português (D. João II não conhecia as PPP's...).

Metade dos carros portugueses estão nas grandes cidades. Arruinados economicamente, precisamos mais dos impostos e taxas que os carros permitem cobrar (com a vantagem de ser justa a repartição de sacrifícios), do que das soluções (!?) de quem duplicou a dívida externa e permitiu a destruição da indústria.

Agora, organizar excursões de velhinhos para darem milho aos pombos, seria tão idiota quanto matá-los (aos pombos). E é por essa mesma inexplicável razão que é errado incentivar o uso de automóveis particulares em Lisboa. Porém, sob a autoridade de Costa, o Metro vai tendo cada vez mais greves e menos horas de funcionamento. As carreiras da Carris suprimidas são também cada vez mais. Parques gratuitos para os carros ficarem à porta da cidade, são aparentemente menos "interesse público" do que o bonsai gigante com que este mês embelezaram um jardim da minha rua. Ladrilhar o túnel do Marquês, é só o que falta...

Diz que os carros poluem. Segundo este site, cada pessoa transportada num autocarro é responsável pela produção de 101 g de CO2 por km percorrido. Curiosamente, o meu carro produz 99g (como pode levar 4 pessoas, são 25g por pessoa, ou seja, uma eficiência 4 vezes superior à de um autocarro. Obrigar aCarris a usar autocarros eléctricos nas zonas mais complicadas da cidade, ou mesmo subsidiar esse investimento, parece-me mais sensato do que queimar dinheiro em ciclovias numa cidade com sete colinas... Numa sociedade socialista, até as bicicletas eram públicas...
E se se acaba a mama da EMEL? Quero ver se a execução orçamental de Costa será tão positiva como apregoa ter sido (à custa davenda dos terrenos do aeroporto).

Mas em bom rigor, não é a EMEL que sustenta o Município... É ao contrário! A EMEL tem um passivo (27 milhões) superior ao que cobrou (23 milhões) em estacionamento. Porém, apesar deste panorama, «Em 2010, a EMEL gastou 7,8 milhões de euros em salários e outras despesas com pessoal, um aumento de 8,2% em relação a 2009. Este acréscimo é explicado com a entrada de 30 agentes de fiscalização na empresa, o que veio aumentar para 375 os trabalhadores empregues pela EMELem 2010.».
7,8 x 30 :375 = 0,624
624 mil euros é quanto custam os 30 funcionários, agentes de fiscalização. São 52 mil euros por mês (624:12). Dá 1777 euros, mensais, por cada um dos 30 funcionários…  Não admira que em 2009 e 2010 o balão de oxigénio necessário fosse de 3,7 milhões de euros (em cada ano…). Até porque, as dívidas a fornecedores atingiram em 2010 os 11 milhões de euros. E nesse ano aumentaram 3,7 milhões de euros, precisamente. O “investimento” da empresa em serviços externos e fornecedores, é quase o triplo do que gasta em pessoal (os 7,8 milhões de que acima falei).

Acresce, ainda, que os carros fazem parte da cidade. Ninguém tem o direito de me obrigar a andar a pé. Se não gosta de carros pode viver na aldeia. É contra-natura. Eu pago as taxas e impostos com base na expectativa de usufruir de andar em estradas em que se sucedem crateras profundas, tal qual uma picada africana, como se a estrada tivesse sido bombardeada. Aproveitem e usem esse dinheiro para construir albergues para os sem-abrigo, porque o espectáculo à noite em toda a Lisboa é pura e simplesmente vergonhoso, calamitoso e terceiro-mundista.

A prioridade de António Costa não é melhorar as acessibilidades, não é acabar com os prédios em ruínas, não é de certeza reinstalar a Feira Popular, não pode ser devolver o Marquês aos peões (ou aos pombos...) ou melhorar a qualidade do ar na Avenidade da Liberdade. Ou se é, não o noto. Mas "uma das prioridades" é acabar com os carros em segunda fila. Os carros da EMEL são vulgarmente vistos a fazê-lo (e estacionados em cima dos passeios, também), mas é sempre por imperativo ético: sem as multas que cobram, o elefante seria ainda mais branco...

Os carros são de facto o maior problema da cidade de Lisboa!...

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