segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Pulmão de Lisboa



Já na antiguidade, as margens do rio Tejo, na zona onde é hoje Lisboa, atraíram povos que ali se estabeleceram e ali viram um local para florescer vivendo da agricultura e do pastoreio. Com os Romanos, o aumento da população de Olisipo levou ao recuo da floresta primitiva. A zona viu crescer olivais, hortas e trigais.
O Aqueduto das Águas Livres, mandado construir em 1731 por D. João V, veio resolver o problema da falta de água, mas marcou decisivamente a paisagem. A utilização agrícola intensiva dos solos conduziu à erosão e destruição, quase total, da vegetação original. No século XIX, a serra de Monsanto era coberta por searas e por pastos para gado. A importância da produção cerealífera é atestada pelas ruínas de inúmeros moinhos de vento. Nesta altura, o Monsanto tinha também várias pedreiras, de onde foi extraída a matéria-prima para a crescente demanda urbanística da Lisboa da época.
A ideia de arborizar a Serra de Monsanto terá surgido em 1868, a partir um relatório acerca da arborização geral do País, da autoria de Carlos Ribeiro e Nery Delgado, onde se lê que "... toda a Serra do Monsanto que muito conviria arborizar, para mais tarde abastecer a Capital de lenhas e madeiras, amenizando ao mesmo tempo a aridez " e para, a exemplo do Bosque de Bolonha, em Paris, ser um grande parque de passeio dos Lisboetas.
Mais tarde, em 1926 e 1927, as propostas de ordenamento apresentadas, respectivamente, por Forestier e Mac-Bride consideravam a arborização e a instalação de recintos para jogos e desportos, assim como equipamentos de lazer, lagos e miradouros. E em 1929 foi criada a primeira comissão para elaborar plano de arborização da Serra de Monsanto. A iniciativa partiu do Ministro da Agricultura, o tenente-coronel Linhares de Lima, que planificou a arborização da Serra de Monsanto. O seu objectivo era «(…) melhorar o clima da cidade, protegendo-a dos ventos e beneficiando-a com um parque monumental(…)». O engenheiro da Câmara Municipal, António Abrantes, fez o plano que previa que «toda a serra será arborizada (…). Os moinhos que abundam na serra serão aproveitados para pequenas casas de chá, independentemente da construção de um ou vários pavilhões (…) e em torno deste grande parque, de acidentado terreno e belos horizontes, haverá uma avenida de onze quilómetros de extensão (…) que ligará com o futuro Estádio Nacional e terá comunicação com (…) o largo da Torre de Belém».
Foi o Engº. Duarte Pacheco (Ministro da Obras Públicas em 1932 e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa em 1938), que fez do Parque Florestal de Monsanto uma realidade. Em 1934 foi promulgado o Decreto-Lei nº 24625, pelo então Ministro das Obras Públicas Engenheiro Duarte Pacheco, que propunha a criação do Parque Florestal de Monsanto estabelecendo um prazo de seis meses para a elaboração do projecto. As poucas árvores que existiam na Serra eram as da Mata de São Domingos de Benfica, as da Tapada da Ajuda, e ainda algumas oliveiras que ladeavam as estradas que dividiam os terrenos.
Este diploma impõe, à CML, a divulgação e promoção do projecto, e ao Ministério da Agricultura, a sua arborização, definindo um regime de expropriações inédito em Portugal. Em 1938, embora o prazo estabelecido pela lei criada por Duarte Pacheco já tenha expirado, é contratado o Arquitecto Francisco Keil do Amaral para o projectar, e o Parque começa a ser uma realidade. A árida Serra de Monsanto tornou-se palco de uma guerra pacífica, na qual a Mocidade Portuguesa teve o papel de plantar milhares de árvores, que hoje revestem a Serra. À Mocidade juntaram-se os trabalhadores desses terrenos e os prisioneiros do Forte de Monsanto, numa luta contra o tempo, plantando árvores de crescimento rápido como a Acácia e o Eucalipto, mas também pinheiros e Cedros e espécies típicas da floresta portuguesa, como o Carvalho Cerquinho, o Sobreiro e a Azinheira.

O Monsanto é, hoje, o pulmão de Lisboa. Importa não deixar destruir, nem que seja um bocadinho só.

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