sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A impressionante história da vida de Francisco dos Santos




 
Francisco dos Santos, foi o autor da estátua do Marquês de Pombal. Foi jogador de futebol da Casa Pia, do Sport Lisboa e do Sporting e foi o primeiro jogador internacional português. Impressionante, a história da vida dele...
O pai era sapateiro em Paiões, Sintra, e morreu de uma «tísica fulminante», em 1880, quando ele tinha dois anos. Por diligência do pároco da freguesia, entrou para a Casa Pia de Lisboa em 1887, onde seis anos depois, Januário Barreto e Bruno José do Carmo espalham entre os colegas a «novidade do jogo da bola» . E logo ele, franzino, mostrou o seu jeito no futebol, como já mostrara no desenho e na escultura.

Para que se matriculasse na Escola de Belas Artes, em 1893 a Casa Pia deu-lhe, para despesas, subsídio mensal de sete mil réis. Cinco anos depois, terminou o curso, com distinção e medalha de prata.

Em 1903 ganhou o concurso de Escultura para pensionista na Escola de Belas Artes de Paris. Dava para pouco a bolsa, no inverno, faltando-lhe o dinheiro para o combustível do fogão, embrulhava o corpo em folhas do Le Fígaro e do Le Matin e cobria-o com os fatos roçados que tinha, para se aquecer.


Através de um subsídio Valmor, foi estudar para Roma em 1906. A «prova de assiduidade», obra denominada “Crepúsculo” perdeu-se num armazém da alfândega e Francisco dos Santos ficou sem direito à bolsa. Teve de viver seis meses a crédito do senhorio, dando aulas de francês para pagar a comida.

Para ganhar mais algum, ofereceu-se para futebolista da Lázio. E assim se tornou o primeiro português a jogar no estrangeiro. Em 1907, já era capitão de equipa. Épico foi um "derby" Roma-Lazio. Mesmo com duas costelas partidas, num choque com adversário que fracturou seis e foi de escantilhão para o hospital, Francisco dos Santos continuou em campo.

Em 1909, regressou a Portugal e em 1910, quando se lançou concurso para o Busto da República, Francisco dos Santos venceu-o. Contudo, por essa altura já havia outro e quando o Partido Republicano ganhou a Câmara de Lisboa, Braamcamp Freire, o seu presidente, encomendou-o a Simões d'Almeida (sobrinho). E essa foi a imagem que se usou, simbólica, nos funerais de Miguel Bombarda e Cândido dos Reis e acabou por se sobrepor, em actos oficiais, moedas, brochuras, documentos, é a que está na Academia Nacional de Belas Artes.


Para além da Estátua do Marquês de Pombal, são de Francisco dos Santos outros importantes monumentos: Marinheiro Ao Leme, no Cais do Sodré, Prometeu, no Jardim Constantino, e o Túmulo de Gomes Leal no Cemitério do Alto de São João.

1 comentário:

  1. Obrigado por esta novidade. Desconhecia de todo. O vosso blog é mesmo um poço de sabedoria. Comentam, criticam, explicam, debatem. A democracia e Lisboa precisa de vocês.

    ResponderEliminar