sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Cidade Universitária por Tiago Fonseca


Em Lisboa, o grande centro da Educação, Inovação, Investigação e Ciência tem o seu Santo Graal na Cidade Universitária, em pleno Campo Grande. 
Mas para que a Educação se transmita, a Inovação aconteça, a Investigação se desenvolva, e a Ciência funcione, são necessárias condições para os estudantes que, à priori, serão o presente e futuro destes investimentos.

Dia 16 de Outubro de 2011 marcou o último dia em que o estacionamento na Cidade Universitária foi gratuito. Actualmente, a EMEL gere 485 lugares de estacionamento de viaturas na Alameda da Universidade, e nas ruas entre a Torre do Tombo e a Faculdade de Letras, entre as faculdades de Direito e Psicologia, bem como entre o ISCTE e a Faculdade de Medicina Dentária. Além disto, a EMEL gere também o parque de estacionamento situado entre a Faculdade de Psicologia e o ISCTE, com 600 lugares. Tudo isto entregue pela Universidade de Lisboa, em protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa (CML). 

Vantagens para a CML? São evidentes. 
Vantagens para a Universidade de Lisboa? Até hoje não se conhecem.

E se não existem vantagens para a Universidade de Lisboa, também não as há para os seus estudantes, que viram assim mais uma dificuldade a ser instaurada, em termos logísticos de transporte e em termos de encargos adicionais para estacionar a sua viatura. Em tempos de “vacas magras”, qualquer encargo adicional torna-se num obstáculo complicado de ultrapassar. E neste caso, as implicações não são apenas financeiras. 
Chega ao ridículo de existir um limite de 4 horas que pode fazer com que o estudante tenha de interromper as suas aulas para renovar o recibo de parquímetro.

Passado ano e meio, os estudantes continuam prejudicados. Pior, à Universidade de Lisboa nada foi acrescentado e aos estudantes nada foi explicado. O que é certo é que os protestos passaram e a situação foi esquecida. 

Mas o que aconteceu afinal? Que contrapartidas vantajosas estavam protocoladas com a CML? Se existiram, não chegaram aos estudantes.

Tiago Fonseca 

17 comentários:

  1. Simples.
    É só passar a utilizar transportes públicos.

    ResponderEliminar
  2. Também tenho de concordar com os comentários: “em tempos de vacas magras”, os estudantes vão de transportes públicos para a faculdade. A Cidade Universitária é muito bem servida de metropolitano e autocarros, estando ainda a 1 estação de metro de, para um lado, um terminal de autocarros suburbanos e, para o outro lado, uma estação para onde convergem comboios suburbanos, regionais, e de longo curso.

    Os estudantes que não sentem a crise podem perfeitamente continuar a vir de carro, tendo agora mais facilidade em encontrar lugar. Já não têm de chegar às 7 da manhã e ficar no carro a dormir à espera das aulas, nem têm uma grande parte do espaço ocupado por pessoas que trabalham no centro de Lisboa e ali vinham deixar o carro "à pala".

    O estacionamento pago na Cidade Universitária é uma medida que só pecou por tardia, e por não vir acompanhada de outras medidas muito mais vantajosas para um maior número de estudantes da Universidade de Lisboa — como p.ex. medidas de controlo de velocidade nos verdadeiros autódromos que são a Alameda da Universidade e a Avenida Professor Gama Pinto.

    ResponderEliminar
  3. EPah eu tenho de sair tarde da faculdade, pq fico a estudar. não há articulação entre os transportes, resultado demoro 1:30 a chegar a casa. De manhã cedo tenho de ir trabalhar. Que solução tenho se não trazer o carro?

    ResponderEliminar
  4. Grande texto do Tiago. E a discussão pegou. Isto é Pensar Lisboa.

    E a discussão carro vs transporte público, é muito interessante. E a nota do último comentário importa. A hora tardia dos jovens que estudam horas nas suas faculdades.

    Excelente contributo.

    ResponderEliminar
  5. Isto é Pensar Lisboa! Vocês debatem ideias, projectos. Acho fascinante, que vocês se preocupem com a cidade, que ousem debater temas "tabus", como aqueles temas que os socialistas não gostam.

    Pensar Lisboa estou convosco.

    M. B. L.

    ResponderEliminar
  6. Epahh eu sou socialista e adoro o vosso blog. é bom porque sei sempre o que se passa em Lisboa e assim ajudam me na actividade política.

    Abraço a todos

    ResponderEliminar
  7. Estudantes, ouvi dizer que vão fazer uma estátua ao António Costa . Ganhou o prémio de "Como estar na CML e não fazer nepia!".

    ResponderEliminar
  8. Cara Rita Manuela,

    Deliciosa essa estátua!!

    ahahah

    ResponderEliminar
  9. E então e as ciclovias não servem? Então o zé gastou tanto no passadiço avermelhado e agora só caracóis e velhinhos lá param? Siga de bike.

    ResponderEliminar
  10. Diogo, antes de mais deixa-me agradecer-te a oportunidade de escrever no Pensar Lisboa! Ainda bem que ajudou a promover a discussão!

    Tendo o comentário da Rita Manuela como fundo, o que quis trazer com este texto foi uma demonstração do que disse o J. B. L. A.

    Atenção que concordo totalmente com o que dizem. É caro usar o carro? Andem de transportes!
    E os que são da periferia? E aqueles que não os têm? E os que têm de se levantar 2 horas mais cedo para não chegar 30minutos depois? E os que precisam de estacionar (não na Cid. Univ) para apanhar transportes, e têm de pagar parque ai? São estes casos.

    Além disto, e peço desculpa voltar a esse ponto, mas existe outro ponto que foquei e não quero deixar passar e que se prende com o facto de não terem existido vantagens reais para os estudantes. Não existiram. Foi hipotecada uma raridade em Lisboa - não ter parquímetros - em nome de algo. Só não sabemos o quê.

    Obrigado a todos pelos comentários!
    Diogo, um abraço!

    ResponderEliminar
  11. Tiago,

    Parabéns pelo bom texto.

    Era necessário conhecer o protocolo para nos pronunciarmos das vantagens que o mesmo possa ter tido para a UL. De todo o modo, como estava também era insustentável. Os 500/600 lugares eram claramente insuficientes. Não havia em nenhuma avenida nem nesse parque. Do que sei, quem fez as obras, ou seja, deixámos de ter ali montes de terra para ter um parque de estacionamento, foi a CML, pelo que faz sentido que a exploração também seja da CML. Por outro lado, os preços tarifados nesse parque são baixos, das vezes que já lá deixei o carro, uma delas, cerca de 10 horas, foi me cobrado apenas 2 euros. Por outro lado, qualquer aluno pode pedir um lugar, pagando cerca de 40 euros por mês, o que é bastante convidativo para os estudantes. Ainda, a passagem de tarifa amarela (nem sei se vigorou) para verde, também é uma vantagem. Por outro lado, as faculdades devem ter os seus parques e disponibilizarem alguns lugares aos alunos, na FDL creio que com 100/120 estacionas durante um ano, o que também é um preço acessível.

    É preciso analisar-se, portanto, o protocolo para perceber se é vantajoso. Serão poucos os alunos a levar carro: Quem é de muito longe, não leva. Quem é da cidade não leva. Apenas os intermédios (concelhos de Loures, Odivelas - algumas zonas) podem pensar na alternativa carro, e para esses 40 euros mês é um excelente investimento - qq lugar em lisboa custa pelo menos 100. Dessa forma, potencializa-se os transportes públicos e, mais importante, impede-se que pessoas não estudantes deixem lá os carros quase de borla.

    ResponderEliminar
  12. Pois é boa discussão.
    Nos meus saudosos tempos do ISCTE tinha um cartãozinho e estacionava no estacionamento para os mestrandos da IBS. Quando estava cheio era cá fora. Sempre teve um preço.
    Quantas pessoas não conheço eu que vinham dos suburbios para a cidade universitária a altas horas da madrugada para depois irem para Saldanhas, Avenidas Novas e afins?

    Contributo para os estudantes? Porque haveria de haver?

    Tarde na escola a estudar? Pois é a vida. Temos de nos regular pelos transportes que temos. Gestão de tempo. E insistir junto dos operadores.

    Foi um escândalo quando o Metro reduziu as carruagens que vinham de Telheiras... Pois ninguém morreu e agora o metro anda cheio.

    Melhor cheio que vazio.
    É ainda menhor a funcionar que em greve.

    cumprimentos

    ResponderEliminar
  13. jdf, não discordo totalmente do que dizes, mas há algo que não posso de todo concordar e aqui é o dito ponto que quis salientar. Porque haviam de existir benefícios para o estudantes? Bem, mal vamos nós - estudantes - quando a reitoria da UL funcionar, de forma declarada, só para si! Ainda são os estudantes que fazem a UL viver e assim será! Se o protocolo não significar melhorias para os estudantes, não fará sentido. nem que seja na preservação financeira da UL, o que afecta, obrigatória e directamente os seus estudantes!

    Tiago Mendonça, antes de mais, muito obrigado! :)
    Concordo também com o que dizes. A ideia parece-me toda ela bem! Aliás, o próprio site da EMEL que podem consultar (exercício que aconselho vivamente) refere que se sentem orgulhosos por terem feito da nossa Lisboa uma cidade mais "organizada". A questão é que mais encargos, seja o que for, é um obstáculo. Para os estudantes que vejam aqui a sua única solução, 40€ de parque podem ser menos 40€ de livros e fotocópias (exemplo...).

    Agradeço a discussão que se foi gerando! Serviu, claramente, o seu propósito!

    Eu ia (e provavelmente vou...) deixar para uma próxima publicação a questão do protocolo. Há coisas que se sabem, mas que lá está, não foram realizadas!

    ResponderEliminar
  14. Triste país, em que a principal preocupação é o estacionamento gratuito... A Cidade Universitária está bem servida de transportes públicos, se o problema é os parquímetros terem um limite de 4 horas, há vários parques ao pé das estações de metro (por exemplo Campo Grande) que permitem estacionar o dia inteiro. É caro? Vão a Cambridge no Reino Unido e outras cidades universitárias de referência na Europa e América do Norte e vejam como os estudantes se deslocam e acomodam...

    ResponderEliminar
  15. Ainda são os estudantes que fazem a UL viver e assim será!

    Tiago... mais faz o meu IRS para viver a UL que as eventuais propinas que pagam os estudantes.

    ResponderEliminar
  16. Caro anónimo, tenho alguma dificuldade em responder a quem não comenta com nome... mas peço-lhe que confirme o valor do ordenado nesses países com o nosso, e depois o valor de rendimento médio das famílias com filhos no ensino superior. Depois fazemos as comparações.

    JFD, sem dúvida alguma. Mas isso é em termos práticos e efectivos. Em termos teóricos, e por isso legais, as propinas são para os custos dos alunos. Sabemos que são apenas 1/4 desse valor, mas falhas deste género não podem ser imputadas aos estudantes.

    As obras que estão planeadas nem sequer eram assim que estavam previstas neste tempo. Muito mudou. Prioridades, principalmente.

    ResponderEliminar