sábado, 23 de fevereiro de 2013

A carga pronta e metida nos contentores...




O porta-vozes do movimento "Mais Contentores Não!", Miguel Sousa Tavares, considera que o Governo perdeu uma "oportunidade incrível" de resolver a questão dos contentores em Alcântara e criticou a reestruturação do Porto de Lisboa hoje apresentada.
O próprio António Costa levanta a dúvida: Uma vez que as mercadorias se destinam à zona norte de lisboa, está por saber como é que vão ser para lá transportadas.
O movimento "Mais Contentores Não!" surgiu de um grupo de cidadãos que contestavam o alargamento do terminal de contentores de Alcântara, obra projetada pelo anterior Governo do PS e entretanto suspensa e investigada pelo Ministério Público, por suspeitas de que o interesse do Estado tenha sido prejudicado, dado que não houve concurso público e as condições do contrato são escandalosamente favoráveis ao Grupo Mota-Engil, liderado (até Janeiro de 2013) por Jorge Coelho, ex-Ministro do Equipamento Social (Obras Públicas)…
O Governo de Sócrates prolongou a concessão alegando que a capacidade do porto poderá ficar esgotada antes de 2012. No entanto, de acordo com números da Administração do porto de Lisboa, em 2008 movimentaram-se menos quatro mil contentores do que em 2002, levantando assim muitas dúvidas sobre a necessidade de antecipar o negócio, feito sem concurso público, e que entrega a exploração do Terminal à “liscont”, empresa do grupo Mota-Engil por um total de 57 anos (1985 - 2042). Como se não bastasse, o contrato celebrado inclui diversas cláusulas que garantem todas as vantagens do negócio para a empresa do universo Mota-Engil. A Liscount tem direito à "reposição do equilíbrio financeiro", ficando assim totalmente protegida dos prejuízos que possam resultar do investimento de quase 227 milhões de euros. A ampliação da capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo, implicaria a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo. A zona de Alcântara ficaria sujeita a obras durante um período previsto de 6 anos, impossibilitando assim a população de aceder ao rio pelas “Docas”, levando ao fecho de toda a actividade lúdica desta zona, pondo em risco 700 postos de trabalho.
Recorde-se que este acordo entre o Estado e a Mota-Engil teve o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, liderada por António Costa.
Na altura, também o vereador José Sá Fernandes apoiou esta solução, provocando a ruptura com o Bloco de Esquerda, que sempre se opôs a este negócio considerado lesivo para o Estado.

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