quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Segurança Privada na EMEL - Haja Quem Possa!

Pois é! Depois de tantas polémicas à volta desta empresa pública municipal de índole e natureza duvidosas, eis que sai uma notícia no nosso conhecido semanário Sol que, com certeza, dará azo a mais umas linhas para lá de tantas e tantas outras que já se escreveram a respeito daquela que (quem sabe) será até uma entidade de desconfiada ilegalidade (e juridicamente inexistente) face à tão comentada (quando há fumo haverá fogo ou somos apenas nós, lisboetas, todos broncos?) inexistência de escritura pública para a sua constituição, como é de lei.


Prepara-se, então, a dita EMEL para contratar (nada mais, nada menos) os serviços de uma empresa de segurança privada para escoltar os anteriores “feijões verdes” (hoje pomposamente intitulados fiscais) durante o saque do dinheiro extorquido a milhares e milhares de cidadãos que estacionam diariamente os seus carros nas zonas de (passo o pleonasmo) estacionamento de duração limitada na nossa cidade de Lisboa, mediante parquímetros instalados nas ruas do nosso burgo.

A empresa propõe-se pagar 14 mil euros por mês (340 mil euros por dois anos de adjudicação) para ter serviços de «vigilância no acompanhamento aos funcionários (…) que efectuam a colecta de numerário nos parquímetros, a recolha e transporte dos valores da colecta efectuada (...) e dos valores provenientes das acções de bloqueamento». Além da vigilância e do transporte, o contrato inclui ainda a «contagem e reporte de valores». Quanto aos motivos que estão na origem desta contratação (designadamente se os feijões verdes, digo fiscais, têm sofrido assaltos durante o saque do dinheiro) fonte oficial da empresa alegou «razões evidentes». Pergunto eu se não será também evidente o saque diariamente feito a todos nós para podermos estacionar na nossa cidade. Será que também nós devíamos ser acompanhados por algum “Rambo” enquanto contribuímos para as “gorduras” desta empresa pública municipal (repita-se, de índole e natureza duvidosas)?

Verdade seja dita, à nossa custa a dita empresa, em Outubro 2012 disse prever duplicar este ano os resultados obtidos em 2011: «Tenho a expectativa e a esperança de que nós consigamos duplicar os resultados. É essa a minha expectativa. É uma muito boa performance e uma coisa de que a empresa precisa mesmo» - responsável da empresa, António Júlio de Almeida. Segundo se apurou, a EMEL fechou o ano de 2011 com um resultado (operacional), antes de impostos e gastos de financiamento, de 1,4 milhões de euros, quando tinha sido de 944 mil euros em 2010, e com um resultado líquido de 929 mil euros (536 mil euros em 2010). Aquele responsável admitiu que a empresa tem «tido uma evolução muito interessante nos últimos anos, um bocadinho ao arrepio do que se passa no país. Estamos a crescer a actividade em dois dígitos, numa fase de grande investimento» (...). Haja quem possa!

Peço desculpa mas tenho que ficar por aqui. Tenho que ir ao carro renovar o talão e contribuir para a duplicação de resultados e contratação da segurança privada...

1 comentário:

  1. Que vergonha esta noticia. Fez muito bem em denunciar.

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