segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pensar Lisboa na Mouraria

Ora, mais uma vez estes jovens que andam por aqui a Pensar Lisboa resolveram deixar o conforto dos seus computadores e ir para a rua. E que bela manhã de sábado passaram estes jovens na Mouraria. Lá seguiu rua acima, rua abaixo, uma delegação do nosso espaço.

O ponto de encontro estava marcado para a praça do Martim Moniz, pelas 10 da manhã. E que grande vida tinha aquela praça. Começámos por um café no Centro Comercial Mouraria. Primeiro impressão: Chinatown com sabor a Índia. Grandes carregamentos chegavam ao local. Era dia de repor o stock. Lojas cheias de artigos para telemóveis, roupas, sapatos, malas e especiarias típicas da China, Índia, Nepal e outros países. Um ambiente de feira permanente no Centro. Cá fora, com o tempo a permitir um passeio agradável, o largo do Martim Moniz está muito mais interessante. Dois quiosques abertos. Seria positivo um aumento do número de quiosques naquela zona. Observámos ainda a construção dos tão falados prédios da EPUL. Esperemos que sejam uma oportunidade a sério para reabilitar aquela zona. 

Mas começámos então a caminhada de descobrimento. O início da Mouraria obriga pois a uma passagem pela Severa, foi uma cantora portuguesa de fado, considerada a mítica fundadora do fado, caracterizada pelos seus fados lisboetas. A Severa nasceu em Lisboa, no Bairro da Mouraria, em 1820. Era filha de Severo Manuel e Ana Gertrudes. A sua mãe era proprietária de uma taberna e tinha por alcunha "A Barbuda", devido à barba que tinha na cara. A Severa era uma prostituta alta e graciosa, que cantava o fado (especialmente numa taberna da Rua do Capelão). Foi com este conhecimento histórico que seguimos rua acima.

Chegámos então a um largo em que a Associação Renovar a Mouraria se encontrava a promover a iniciativa Banco de Tempo. Um banco onde as pessoas cedem o seu tempo e as suas capacidades. Apoio a quem precisa, ensinar línguas, outras disciplinas, baby-sitting, apoios aos mais velhos, depende da vontade e do tempo que querem ceder. Uma excelente iniciativa nos tempos actuais. Ouvimos a explicação e ficámos a saber mais sobre esta ideia. 

Seguimos caminho e fomos conhecendo mais locais. E que bela é a Mouraria! Casas já recuperadas, passámos pela Rua do Capelão, pelo local onde Fernando Maurício nasceu. Local de passagem obrigatória. Respira-se Fado pela Mouraria. Conversámos com as pessoas que encontrámos pela rua. A alegria de ver gente era comum em todos. Muitos nos disseram que faz falta mais juventude na Mouraria. Problemas são as casas abandonadas e a droga que circula perto...
Conhecemos o Palácio da Rosa, futuro hotel de Charme em plena Mouraria, em frente ao hostal páteo. Nessa mesma rua, mais um café e uma amena conversa com o Sr. Almeida e respectiva esposa. E que belo abrir de olhos nos serviu a conversa para os problemas da Mouraria. Uma casa bem simpática e que recomendamos a todos o Solar São Cristóvão. 

Continuámos a percorrer cada rua e beco, a observar com toda a atenção as pinturas e referências ao Fado. E os mercados e cafés bem agradáveis que fomos conhecendo. É um bairro que como diz a canção: "Ai Mouraria dos rouxinóis nos beirais, dos pregões tradicionais. Ai Mouraria da Severa e mais saudosa, na guitarra a soluçar".



Para terminarmos já para as bandas de Alfama no Miradouro do Chão do Loureiro.
Sem dúvida uma bela manhã por Lisboa e que nos “abriu horizontes” sobre a nossa cidade. Pensar é isto. É conhecer, aprender e partilhar. 


3 comentários:

  1. Que passeio maravilhoso que devem ter tido. Bem hajam por falar da nossa Mouraria.

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  2. Parabéns pela iniciativa. Estou como Albano, bem hajam de falarem dessa beleza que é a Mouraria.

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  3. Excelente passeio que fizemos e logo pela manhazinha...

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