segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mas que bela propaganda chavista nas páginas do Público: o socialismo no seu melhor


Para festejar a vitória de um grande líder mundial, eis que o Público nos brinda com uma peça jornalística que se pode classificar como um "mimo" (link online ainda não disponível para pobres como o vosso escriba que só lê jornais em papel):

Comecemos pelo título: "O Marquês já respira melhor, mas a Avenida ainda precisa de mais terapia". Dá-se logo com o mote, escolhe-se uma linguagem médica que o leitor mediano consiga perceber, e siga em frente. Siga em frente com uma propaganda de um estilo delicioso que é um belo tratado de como, lá está, propagandear à boa moda venezuelana. Seguimos para a primeira pérola:

"No caso da Avenida da Liberdade (...) já se verificou, desde Janeiro deste ano, 59 dias em que a concentração de partículas ultrapassou o máximo de 35 excedências autorizadas em todo o ano.". Até aqui parece tudo bem, corre tudo às mil maravilhas e isso é bom, não é? Mas... "Todavia, aqueles valores carecem de ponderação, ou não estão validados, uma vez que terão que ser considerados factores exógenos ao local das medições, que podem ir desde a ocorrência de ventos que transportem os poluentes aos efeitos de incêndios". Olhe, que curioso caro leitor: supostamente, respira-se melhor no Marquês, mas afinal os resultados até podem estar errados porque ainda não foram validados. Custa dizer a verdade, eu sei...

Seguimos directamente para a segunda pérola, sucinta e que resume todo o teor do artigo, na sua parte mais propagandística, esclarecedora, e escandalosa. Consta que...

"Porém (ou seja, os resultados ainda não estão validados, mas o que isso interessa, peanuts de cientistas chatos), os dados mais recentes registados pela estação da Avenida da Liberdade, e disponibilizados diariamente na base de dados da Agência Portuguesa do Ambiente (...), revelam uma ligeira progressão positiva desde 16 de Setembro, dia do início do período experimental (...). Ainda sem ponderação ou validação científica".

Mas que mimo, meus caros leitores! A vontade, inabalável e insaciável, de propangadear permite-nos motivos de indelével satisfação provocada por uma forte risada. Portanto, segundo a lógica do douto jornalista, de seu nome Carlos Filipe, do inenarrável Público, considera que no Marquês já se respira melhor; mas ao mesmo tempo admite que ainda não existe ponderação ou validação científica. Pois é, meus caros, a ciência é aquela coisa chata, não é: não permite a manipulação dos dados para proveito próprio de alguém, porque há sempre aquela coisa chata da ciência que é confirmar e validar os dados, não haja algum tipo de problemas com os números.

Oh well, palavras para quê: Hugo Chavéz de certeza não faria melhor que os socialistas encartados ali da CML.

Adenda: a pequena caixa de noticia presente no mesmo artigo é a cereja no topo do bolo. Fantástico...

3 comentários:

  1. Basta passar diariamente pela avenida e pela rotunda para se verificar que a acalmia do transito é evidente. Neste aspeto a intervenção é claramente um sucesso.

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    1. Caro Zipper,

      Não me referia, como pode depreender pelo teor do post, à possível melhoria de trânsito na Rotunda. Consegue-se encontrar posições díspares, portanto, em termos pessoais, apenas irei avaliar no final do período de experimentação.

      O problema deste artigo é outro: a manipulação de dados científicos, para criar uma "verdade" jornalística. Não duvido da idoneidade do jornalista, mas que a peça está bastante mal feita, lá isso está

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    2. Caro sr. Pedro Rodrigues, antes de classificar o jornalista, que não é douto, nem cientista, de propagandista, convido-o a visitar a referida base de dados. A validação daqueles só é feita em Outubro do ano seguinte, mas até lá uma leitura atenta aos valores diários permite tirar algumas conclusões. As mesmas que, esses sim, cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, também já puderam corroborar (notícia, também no Público, de 12 do corrente).

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