domingo, 21 de outubro de 2012

Lisboa por Tomas Tranströmer

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas 
Subidas. 
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos. 
Eles acenavam através das grades. 
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados! 

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho como um afectado 
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada 
e em cima, a uma janela, um homem, 
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando 
para além do mar. 

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes. 
As moscas liam cartas microscópicas. 
Seis anos depois, peguntei a uma dama de Lisboa: 
Isto é real, ou fui eu que sonhei ? 

Tomas Tranströmer 

Sem comentários:

Enviar um comentário