quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Reabilitação Urbana em Lisboa?

Lisboa é uma cidade antiga, os prédios dos bairros históricos estão arrendados por preços absolutamente ridículos que não são bons para os Senhorios, porque têm os imóveis e não recebem qualquer rendimento dos mesmos, nem para os Inquilinos que vivem em prédios muitas vezes em ruína e em condições desumanas. Contudo, os jovens Lisboetas cada vez mais optam por comprar casa em Lisboa porque é “pitoresco” e em termos de qualidade de vida é melhor porque ficam mais perto do trabalho e de todo o centro cultural. E Lisboa é linda!
Ora, por aplicação da Nova Lei do Arrendamento Urbano os Senhorios conseguem o objetivo que almejam, ou seja, conseguem despejar os inquilinos e vender os prédios para que sejam recuperados. Por sua vez, como a recuperação dos prédios da cidade de Lisboa é algo de muito positivo, a Câmara Municipal de Lisboa aprova entretanto o projeto das obras de recuperação do prédio, que por sua vez é recuperado e alguém para mal ou bem dos seus pecados, consegue comprar uma casa recuperada, situada numa zona histórica de Lisboa.
Agora porque é que esta compra pode ser “para mal dos pecados” do comprador? É muito simples, porque não raras vezes os Lisboetas conseguem concretizar o seu sonho de comprar uma casa na zona histórica de Lisboa, mas esquecem-se que quando a Câmara Municipal aprova os projetos de obras de recuperação, não vai comprovar se o prédio está ou não confinante com um prédio que por sua vez está igualmente devoluto ou em eminente ruína…
A Câmara Municipal de Lisboa aprova o projeto, recebe as taxas que as empresas de reabilitação urbana pagam, recebe o IMI, a taxa de ligação de esgotos e todas as receitas relativas ao imóvel. Mas no momento em que aprova o projeto esquece-se de que se um prédio está confinante com outro prédio devoluto ou em ruína, o estado de conservação deste último prédio irá provocar danos no prédio recuperado! Nomeadamente infiltrações e outro tipo de problemas que “pasme-se” não são cobertos pelo Seguro!
A Câmara Municipal de Lisboa tem conhecimento deste facto, emite intimações contra os proprietários dos prédios degradados mas não expropria os prédios, nem toma nenhuma medida. É do conhecimento público e notório que se deixarmos uma fruta saudável no meio de um cesto com frutas podres, a fruta saudável vai ficar podre também… Seguindo o mesmo raciocínio, se recuperarmos um prédio devoluto no meio de outros prédios devolutos ou em ruínas a consequência será que o prédio recuperado vai também ficar destruído, e o Lisboeta que pensava que tinha concretizado o seu sonho de comprar uma casa em Lisboa (na maioria das vezes jovem), chegará à conclusão que acabou de concretizar o seu maior pesadelo.
Elisabete Louro Martins
Parabéns a todos os Fundadores do Pensar Lisboa pelo primeiro ano de existência do blog e pelo sucesso alcançado :)

Sem comentários:

Enviar um comentário