quarta-feira, 26 de setembro de 2012

From London, with Love


Foi há pouco mais de 6 meses que vim viver para Londres, uma das capitais mais cosmopolitas do mundo, deixando para trás Lisboa, onde vivi durante quase 5 anos. Sou Nortenho, e fora as poucas amizades que fiz entre Lisboetas, nenhuma relação pessoal ou profissional me liga à capital de Portugal.

Isso não invalida que não tenha desenvolvido uma certa admiração pela cidade, e uma vontade grande de a ver aproveitar o seu potencial para ser um verdadeiro símbolo de Portugal, da mesma maneira que o foi no século XV e XVI aquando dos Descobrimentos que resultaram na expansão do império Luso.

A verdade é que Lisboa tem uma história ímpar que tem a ver não só com os Descobrimentos e as Rotas de Comércio (de que desde então tem sido um hub), mas também com a Cultura (Música, Cinema, Culinária), a Política (as mudanças de regime e de sistema político), a Religião ou mesmo o Desporto.

Mas Lisboa está longe de ser só passado. Algumas das melhores universidades da Europa potenciam talentos todos os dias, em Lisboa. Algumas das melhores empresas do Mundo estão sediadas e exportam produtos/serviços a partir de Lisboa. E estes são dois exemplos no meio de muitos outros que poderia dar.

Tudo isto são factos, mas a verdade é que (tal como escrevi atrás) nada disto está bem aproveitado. Lisboa poderia ser muito mais e muito melhor do que é hoje, a todos os níveis. E, a meu ver, só não o é porque ao longo dos anos foi gerida e governada sem planeamento, sem ordenamento, sem visão.

Toda a gente sabe que muito do dinheiro que Portugal gasta é investido em Lisboa, mas infelizmente tem sido mal gasto. A isso chama-se esbanjar. Dinheiro esbanjado por gente que colocou interesses pessoais, circunstânciais, partidários, empresariais ou corporativos à frente dos interesses de Lisboa.

E aqueles que estiveram á frente dos destinos da cidade com boas intenções (porque nem todos são maus, nem todos são iguais) não tiveram tempo nem recursos para fazer melhor porque tiveram de se confrontar, em primeira instância, com a correcção dos erros do passado e com os interesses instalados.

Lisboa pode e deve ser muito mais. Mas para isso é necessário que os Lisboetas confiem o futuro de Lisboa a alguém que realmente a compreende, que tem um plano com visão. E, da minha parte, de entre muitas outras coisas, só gostava que esse plano incluisse o fim do divórcio entre a cidade e o Tejo.

Post Scriptum: O Pensar Lisboa faz hoje 1 ano. Parabéns a todos os membros deste projecto, em particular ao seu mentor, o Diogo Agostinho.

1 comentário:

  1. Meu caro Luís,

    Que gosto ler um artigo directamente de Londres. Esse teu olhar de distanciamento é extremamente útil. Sair do dia a dia de Lisboa e conseguir comparar com outra cidade é para nós uma extrema mais valia.

    Obrigado pela partilha e pelas chamadas de atenção.

    E já agora os parabéns são para todos. Um obrigado por embarcarem nesta aventura. Que só agora começou ;)

    ResponderEliminar