quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A propósito da rotunda do Marquês

Tem sido uma semana divertidíssima em Lisboa, com todas as reacções possíveis e imaginárias sobre as obras na rotunda do Marquês. Têm tantas fontes que escuso de as colocar aqui: Pensar Lisboa, blogues vários, jornais variados, até rádios ou televisões, Lisboa e António Costa conseguiram estar nas bocas do mundo.

Pérfida realidade que abunda em Lisboa, esta onde os políticos acham que percebem de obras e rotundas (onde estão os sumidores, sôr Presidente?), mas que na verdade apenas demonstram a sua total incompetência. Foi necessário um senhor, já de idade, respeitável, sabedor, a brandir a sua orgulhosa e meritória 4ª classe, e desmistificar a porcaria que se anda a fazer na rotunda do braço direito do malogrado D. José I. E, claro, António Costa, no alto da sua política execrável, do seu ego inflacionista que apenas vê a cadeira do poder socialista, que brande alto o seu sonho de se secretário-geral do PS, "lixando-se" para Lisboa (não estará ele a lixar-se de todo e qualquer forma?), simplesmente passa a "batata quente" para a senhora ao seu lado, lavando as mãos como Pôncio Pilatos.

E assim se desenvolveu a história, a bela estória onde os condutores têm que buzinar, aguentar as parvoíces politiqueiras de uma Edilidade que mais não é do que a maior das nulidades e dos maiores desastres que adveio a Lisboa. Lisboa, tu, moça transformada em capital de Império, agora estás transformada numa bela e triste senhora, idosa, que vê o seu mundo despadaçado pelas agruras da juventude de políticos que destroem a belo prazer o que dantes era simples, no seu estilo caótico de todos os dias.

Inovações na Avenida da Liberdade e na Rotunda do Marquês? Um "experimentalismo" que decorrerá até Dezembro e "depois logo se vê"? Ei-la, somente e tão só, a Demagogia a brincar com a nossa vida, enfim, ei-la, a Política transformada na amante ociosa que apenas consegue sobreviver com os antigos vícios - aqueles que o socialismo lhe mostrou e a conquistou com a "cantiga do bandido" ou o "canto da sereia" alada que afoga os intrépidos com medo que lhe dispa a capa da mentira.

E é isto: isto é Lisboa governada pelo PS e por António Costa. O Zé? O Zé que tanto combateu o Túnel do Marquês, com argumentos engraçados que - pasme-se a coincidência!!! - são tão ou mais semelhantes que a questão dos sumidouros, é apenas mais uma peça do cancro que mata Lisboa. Enfim, é isto, e enquanto não se mudar, ora bem, mais vale pegar num whisky e beber para esquecer a a tragédia grega que se transformou esta cidade.

18 comentários:

  1. Adoro lê-lo Pedro.

    Mas não se entregue ao alcóol. Tira a lucidez da escrita.

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    1. Eduarda, muito obrigado pelo elogio! Espero estar sempre à altura das expectativas.

      Por acaso não, não me entrego ao alcóol. Foi daquelas imagens, daqueles clichés literários, que achei por bem usar neste momento. Pensei em outros, mas eram demasiado deprimentes, ou até, duros.

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  2. Foi o momento Ernest Hemingway do Pedro. Só que aquele preferia daiquiris! (http://cocktails.about.com/od/rumrecipes/r/hmngway_dqri.htm)

    Junto-me ao elogio da Eduarda, se ela me permite, o Pedro é membro valioso e criativo deste blog. A sua visão e aversão à carneirada são refresco de menta!

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    1. Jorge, já sabes como é, até meteste "gosto" naquele estado em que pus a minha definição poética sobre a política...

      Mas sou-te sincero: Bailey's e Vinho do Porto, são as minhas escolhas. E um Montecristo, admito...

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  3. voces, que tanto gostam de abordar o assunto relativo às mudanças da rotunda do marques, estranho não falarem no estudo que a Nova elaborou recentemente, onde conclui que o impacto esta a ser positivo... sendo que nos 15 anteriores às obras, a av da liberdade registava niveis de poluição 8x superiores ao permitido... e neste momento, esta a conseguir cumprir esses limites... e esta hein?

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    1. Caro Anónimo, é sempre bom ver que anda atento e que anda a ler o que escrevemos. Noto também que existe uma certa mágoa no que respeita à nossa opinião sobre a Rotunda do Marquês. Mas fez bem em partilhá-la, estamos cá para ouvi-lo.

      Quanto ao estudo, pergunto:

      1- Qual é o valor de um estudo feito por uma entidade, quando mais nenhuma o fez? Um estudo é isso mesmo, uma investigação com base em critérios que para outra entidade podem não ser os correctos, ou seja, pode haver uma infinitude de estudos que nada comprovam.

      2- Espero que a exactidão da partilha informativa com que nos brindou( que é dispar do que consta da notícia base) não seja igual ao estudo!

      3- Já ouve alguma entidade oficial a "homologar" esses resultados?

      Aproveito para o envidar a responder às minhas questões. E esta hein?

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    2. o estudo tem um valor relativo... o facto de mais ninguem ter feito nada, não invalida o estudo... ninguem milhares de estudos sobre o mesmo se validam automaticamente uns aos outros.

      por isso é que sempre bom, ler os estudos e seus pressupostos.

      quanto à disparidade de informações, leiam o estudo... o comentário, mais amargo e positivista do que o real, vem de encontro aos vossos posts sobre este tema, que à mais pequena farpa ou sarjeta, moviam montanhas contra as alterações realizadas.

      e agora, que existe um estudo, a apontar o eventual impacto positivo... nada... tudo calado. gosto desta dicotomia de atitude.

      quanto a entidade oficial... bem... uma universidade é uma entidade oficial? não? mas, mais uma vez, não quer dizer que o estudo seja correto.

      sinceramente, nem ligo muito ao estudo... ligo mais à disparidade das vossas posições.

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  4. E na Avenida da Liberdade qual é o impacto? É que as normas europeias eram para a Av liberdade e não rotunda...

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  5. le la outra vez o texto... eu refiro que é na Av da Liberdade...

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  6. o estudo fala do marquês

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  7. O estudo do Departamento de Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), a que a Agência Lusa teve acesso, conclui que nos quinze dias úteis após as alterações rodoviárias no Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade, a concentração diária de dióxido de azoto e partículas inaláveis manteve-se sempre abaixo do limite legal naquele eixo, "enquanto na primeira quinzena de setembro este valor foi ultrapassado oito vezes".

    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=594222&tm=8&layout=121&visual=49
    http://expresso.sapo.pt/poluicao-do-ar-na-avenida-da-liberdade-em-lisboa-diminuiu-apos-alteracoes-ao-transito-estudo=f759302
    http://www.ionline.pt/boas-noticias/poluicao-ar-na-avenida-da-liberdade-lisboa-diminuiu-apos-alteracoes-ao-transito

    tens que ler as coisas com mais calma.

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    1. Aqui tem a minha resposta:

      http://www.pensarlisboa.com/2012/10/mas-que-bela-propaganda-chavista-nas.html

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  8. Caros anónimos,

    Gostei desta discussão. E gostei das novidades. É para o bem de Lisboa que cá andamos.

    Caro anónimo do estudo e que tal um texto com as modificações e assinado?

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  9. mas o facto de o meu texto ser anonimo, retira-lhe legitimidade? se eu escrever anonimamente que 1+1=2, tem menos legitimidade do que escrever e assinar que 1+1=3 ?

    foca-te antes nos factos e argumentos.

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    1. Oh senhor anónimo, eu pedi um texto para o nosso blogue, assinado por si, com o destaque devido. O que me diz?

      Eu foco-me sempre é em saber mais e ouvir mais opiniões. Aceita o desafio?

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    2. Isto é muito simples de explicar.

      Naturalmente que se, como anónimo, escrever que 1+1=2 terá toda a razão e toda a legitimidade. A questão não se coloca nesse ponto, mas noutro, que é bem mais importante. Trata-se de honra, trata-se de verticalidade, trata-se de carácter: isso demonstra-se dando a cara, sem medo, discutindo os factos e argumentos, pelos factos e argumentos.

      Se é assim tão difícil ter honra, verticalidade e carácter, então, nesse caso, apenas tenho a lamentar. Mas, claro, a liberdade com cada um. Ou seja, quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade.

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  10. caro Pedro Miguel,

    peço perdão... o teu post tinha-me escapado... e sim, depois de ler, concordo com o que dizes.

    em todo o caso, as noticias do i e da rtp fazem as mesmas ressalvas que tu... apenas de modo mais polido.

    mas, na sua genese, o que dizes está correto... agora, há maneiras de dizer, e maneiras de dizer.

    mas como já foi dito neste espaço... a acalmia do trafego na av liberdade é clara... o que, afinal de contas, era o grande objectivo, não?

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    1. Eu apenas apontei algo que me deixou indignado: uma total manipulação de dados científicos para uma conclusão jornalística pré-determinada. Como tal, pressupondo que o jornalismo é isento e baseado em factos, estamos perante um jornalismo desprezível e incompetente.

      Quanto ao cerne da questão: pessoalmente apenas passei uma vez pela Rotunda, após as modificações. E quando passei, muito honestamente, estava calmo. Mas é só uma vez, não são todos os dias que passo lá, portanto, apenas irei tirar conclusões quando terminar o período experimental. Até lá, andamos a discutir o sexo dos anjos.

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