quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PENSAR a Universidade com o Presidente da AAUL

Lisboa e os estudantes. Com o processo de fusão entre as duas maiores universidades da cidade de Lisboa, o Pensar Lisboa decidiu ir ouvir a opinião de alguém ligado a uma das Universidades e saber como está Lisboa a lidar com os jovens estudantes. Fica a entrevista ao Presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, João Marecos, a quem gentilmente agradecemos a amabilidade de nos ter respondido. 

Pensar Lisboa - Como estão os alunos a ver a fusão entre as duas Universidades?
João Marecos - Pelo que me foi dado a conhecer, a grande maioria dos estudantes vê com naturalidade esta fusão, na medida em que a consideram a junção de duas peças de um mesmo puzzle que se encontrava, até agora, incompleto. De facto, a maneira como as duas Universidades encaixam, em termos de áreas de ensino, uma na outra (com alguns pontos de sobreposição aqui e ali), torna este processo muito mais simples.
Existe também alguma curiosidade para saber até que ponto esta fusão trará alterações ao nível do quotidiano de cada Faculdade, quais as consequências imediatas de passar a fazer parte de uma Universidade que, de um dia para o outro, dobra em número de alunos, de investigadores, de docentes, de funcionários.
Em suma, há agora, como houve durante todo o processo, um sentimento positivo por parte dos estudantes, favoráveis, geneticamente, às mudanças, à evolução.


Pensar Lisboa - Na tua opinião quais as vantagens e desvantagens deste processo?
João Marecos - A primeira vantagem, e mais evidente, é que Portugal passa a contar na sua rede pública com uma Universidade de dimensão respeitável a nível europeu: até agora tínhamos apenas Universidades pequenas (em número de alunos, docentes e investigadores). A nível nacional, é ainda de relevar a pedrada no charco que representa na rede das Universidades portuguesas, claramente a precisar de ser "abanada".
Numa perspectiva mais interna, os estudantes de cada uma das Universidades passam assim a fazer parte de uma Universidade completa, isto é, com quase todas as áreas do saber representadas.
Às Engenharias, Economia, Gestão, Medicina Veterinária, Agronomia, Arquitectura, Ciências Sociais e Políticas e Motricidade Humana da Universidade Técnica juntam-se as Letras, Direito, Belas-Artes, Saúde,  Geografia, Ciências e Psicologia da Universidade de Lisboa.
O universo de mobilidade interna duplica - e esperamos todos que esta seja efectivamente promovida, permitindo, por exemplo, ao estudante de Direito ir fazer umas cadeiras de Gestão ao ISEG e de Ciência Política ao ISCSP, enriquecendo-se curricularmente. Engenharia e  Medicina, Agronomia e Geografia, Economia e Direito, Arquitectura e Belas Artes, são exemplos de binómios muito interessantes que podem gerar bastantes mais valias.

Pensar Lisboa - Irá haver fusão das duas Associações das duas Universidades? Irá haver uma Federação Académica de Lisboa?  
João Marecos - O panorama associativo actual é muito simples: os estudantes de cada Unidade Orgânica, tanto da UL como da UTL, têm a sua Associação de Estudantes própria. As associações da Universidade de Lisboa - com excepção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras - formam depois a Associação Académica da Universidade de Lisboa, que não tem na Universidade Técnica qualquer homóloga.
O futuro está, por isso, em aberto, sendo certo contudo que enquanto as Associações que servem de base à AAUL assim entenderem, esta existirá, independentemente da fusão. 
Quanto a uma Federação Académica de Lisboa, não vejo como possa resultar de uma fusão entre duas Universidades que não esgotam o universo universitário lisboeta. 
Os agentes do associativismo mudam (tendencialmente) de ano para ano pelo que é sempre complicado fazer previsões: tudo pode acontecer. 

Pensar Lisboa - A Autonomia das Universidades irá ser reforçada? E as diversas unidades orgânicas continuaram a ter a mesma autonomia?
João Marecos - As indicações dadas pelo Ministério da Educação vão nesse sentido: de que se farão alterações ao RJIES, que se darão algumas machadadas nos regimes fundacionais e que será criado/adaptado um regime de autonomia reforçada, que poderá vir a ser o que regerá a nova Universidade.
Quanto à autonomia das Unidades Orgânicas, foi muito aludida durante a discussão pública da fusão e foram dadas por ambos os reitores diversas garantias de que permaneceria intocada. Vejamos agora, em sede de assembleia estatutária, o que o futuro nos reserva.


Pensar Lisboa - Estudar e Lisboa combinam? Diz-se muitas vezes que Coimbra ou Aveiro são locais que favorecem mais o estudante. Concordas?
João Marecos - Penso que depende muito daquilo que cada estudante pretende para o seu curso. Sem dúvida que Coimbra ou Aveiro oferecerão uma experiência académica mais envolvente a nível de tradição, de união estudantil, de sentimento de pertença: são cidades mais pequenas que Lisboa e que vivem muito da sua Universidade.
No entanto, o estudante que procura aprender perto dos grandes centros empresariais, do mercado, da banca, que já tem uma ideia de para onde quer ir quando terminar o curso, o que quer fazer, terá talvez mais propensão para estudar em Lisboa ou no Porto.
Assim, não podemos absolutizar, porque depende muito daquilo que cada um procura fazer e por que experiências deseja passar.
Lisboa é também uma cidade de estudantes; não é, contudo, uma cidade SÓ de estudantes: eu prefiro assim.

1 comentário:

  1. pode ser que assim a universidade de lisboa passe a ter bons dirigentes associativos, com eleições disputadas... a malta do técnico parece ser mais humana e preocupada com quem não tem "onde cair morto" já agora, alguem me sabe dizer quantas pessoas desistiram do curso? quantas perderam bolsa? quantas se candidataram aos apoios sociais e quantas festas deram prejuizo e porque? acho que essas pessoas merecem saber que o dinheiro que lhes podia ter ajudado foi gasto em copos, e já agora quem os bebeu...

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