quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pensar Lisboa no Pick Me

Esta semana fomos conversar com Diogo Agostinho. Com 26 anos, é Economista na COTEC Portugal, nasceu em Faro, mas foi em Lisboa que quis ficar e é por isso um alfacinha, não de gema, mas de coração.
Foi numa conversa de café, com o amigo Ivan, que ao se deparem com o campo de golf, completamente abandonado em frente às amoreiras, em Lisboa, perceberam que tinha chegado a altura de fazerem alguma coisa, para que espaços como este, completamente abandonados, em pleno centro da cidade, deixassem de existir. É aqui que nasce o Pensar Lisboa, o nosso Pick da semana.
Mais do que um espaço para apresentar soluções, o Pensar Lisboa é uma plataforma online onde todos os Lisboetas podem e devem mostrar o seu agrado e desagrado ao que se passa na cidade, bem como soluções para determinados espaços ou problema.
Ouvir é a palavra de ordem deste grupo de amigos, OUVIR o que os Lisboetas têm a dizer.
O Pensar Lisboa funciona como o facebook, após cada publicação os leitores fazem like ou não, comentam, caso achem necessário, e partilham consoante a importância.
Todas as opiniões são válidas e respeitadas, desde que construtivas obviamente. Não existem guerras políticas, mas dim diálogos abertos sobre variados temas, sempre com o mesmo objectivo, apresentar as melhores soluções para Lisboa.
Este grupo de “pensadores lisboetas” quer no fundo desafiar e provocar reacções, pois se não formos nós a tentar melhorar a nossa cidade, quem será?

Sinto que Lisboa e sobretudo os lisboetas precisam de ser ouvidos. As pessoas têm muito a dar e a ensinar. Lisboa tem uma beleza natural, que por si só cativa. Sente-se isso nos números de visitas e no turismo. Mas precisa de não estar de costas para o Rio Tejo. Precisa de uma vida de rua. As pessoas estão muito centradas na casa e no lar. É bom. Claro que sim, mas precisam também de um escape. Sair, ver gente, conviver. Temos condições de tempo fabulosas, e temos ruas despidas de pessoas a uma determinada hora. Faz falta vida nas ruas de Lisboa. Lisboa não é só o Bairro Alto.

Ser empreendedor não é mais do que pôr as nossas ideias em prática e é isso mesmo que o Pensar Lisboa pretende, ter a liberdade nas mão, ter uma voz, participar na vida da nossa cidade, conta-nos o Diogo.
São muitas as pessoas ouvidas por este grupo de “pensadores”, cidadãos comuns, leitores do blog, Juntas de freguesia, Associações de moradores, e até figuras públicas na rubrica Lisboa aos olhos de

    • Pensar Lisboa – O que mais gostas na cidade de Lisboa?
Eduardo Cintra Torres  Gosto de quase tudo. De ser atlântica quanto baste e mediterrânica quanto baste. De ser amena e temperada. De ter um calor muito bom, sem exagero. De ser, no seu núcleo central, a única capital europeia de estrutura medieval, impossível de gerir nos termos grandiosos das “grandes” capitais. Gosto de tudo entre a Graça e a Mouraria e mais além. Do Castelo a S. Pedro de Alcântara a cidade é um tesouro. Gosto particularmente do Chiado e da sua relação com o Camões, a Trindade, o S. Carlos, S. Catarina, Bairro Alto, Belas Artes, e até à Rua do Ouro. Gosto da Baixa pombalina, muito digna na austeridade dos materiais e na simplicidade arquitectónica. Gosto da Avenida da Liberdade. Gosto do estuário do Tejo, impressionante a Montante, a jusante em frente do centro. Gosto de Belém. Gosto do Terreiro do Paço. Gosto da Rua de S. Paulo. Gosto dos eléctricos amarelos e dos elevadores geridos pela Carris. Gosto do Museu Nacional de Arte Antiga, da Gulbenkian, de Belém, do Museu do Chiado. Gosto de imensas igrejas e monumentos e miradouros e, como português, gosto de muitas coisas pequeninas que se nos apresentam nas ruas, paredes, janelas. E muito mais.
    • Pensar Lisboa – O que menos gostas na cidade de Lisboa?
Pedro Marques Lopes  De quem não gosta de Lisboa, de quem teimosamente lhe quer tirar a beleza.
    • Pensar Lisboa – O que mudavas em Lisboa?
Carlos Barbosa  O presidente da Câmara.
    • Pensar Lisboa – O que recomendarias a um turista em Lisboa?
Marcelo Rebelo de Sousa  S. Jorge, Alfama, Sé, S. António, Madre de Deus, Terreiro do Paço, Chiado e as suas quatro principais igrejas, Carmo, S. Justa, eléctrico para Belém, Jerónimos, Torre de Belém, Champalimaud, rio, muito rio, Bairro Alto, Avenida da Liberdade, Eduardo VII, Gulbenkian, o que resta da Expo, um pulo a Monsanto, uma conversa com estudantes na Cidade Universitária ou no Técnico, algum fado (bom), pastéis de nata (de Belém e outros, como os da Cristal, por exemplo), um jogo do Benfica ou do Sporting, uma noitada nas docas ou no Bairro Alto, uma ginginha (no Rossio de preferência),umas incursões por dois ou três restaurantes com charme (e vista ou enquadramento) e por mais uma ou duas tascas de perder a cabeça. Tudo somado, quatro dias, comprimíveis com aceleração de programa ou corte do mais caro, difícil ou aleatório. Conselho principal: Lisboa atrai à primeira vista, desilude à segunda e conquista à terceira; dê tempo a que haja essa terceira vista…
    • Pensar Lisboa – Com que cor identificas Lisboa?
Camilo Lourenço - Com o branco e o azul. Branco do casario, que reflecte a luz fantástica que a cidade tem, e o azul (do Tejo).
    • Pensar Lisboa – Numa palavra, Lisboa é…?
Margarida Rebelo Pinto - Numa palavra… Posso escolher duas? Única e mágica.

A ambição do Pensar Lisboa é neste momento sair do blog, ganhar forma. Por isso querem convidar todos os Lisboetas a contribuir para esta causa, a nossa cidade, Lisboa! Como podemos contribuir para melhorar a cidade? como podemos contribuir para melhorar a situação em que o país se encontra? o que é que está nas nossas mãos?
Quem sabe não teremos brevemente o movimento “Pensar Lisboa” para todos juntos, independentemente das convicções políticas de cada um, podermos contribuir para melhorar a cidade de que tanto gostamos.
Mediante a rubrica Lisboa aos olhos de… do “Pensar Lisboa”, não resisti em lançar o desafio e pedir ao Diogo que nos respondesse às perguntas:
    • O que mais gostas na cidade de Lisboa?
Aceito o desafio. Já incomodamos tantas pessoas com estas questões. Espero não responder influenciado por nenhuma das anteriores respostas. Mas bem, de Lisboa a luz. Claramente a luz. Que de dia transforma esta cidade com um brilho único. Depois, cada recanto e bairro da cidade. Tem vida. Tem uma história para contar. É fascinante cada rua desta cidade. E o que dizer do Tejo? A cumplicidade que se cria quando chegamos perto da margem e a paz e tranquilidade que nos dá, com uma pitada de aventura e fascínio por dali ter nascido o Portugal empreendedor.
    • O que menos gostas na cidade de Lisboa?
A correria das pessoas. A falta de tempo para aproveitarmos o que de bom tem esta cidade.  A falta de vida em determinadas zonas da cidade, sobretudo a uma hora mais tardia. Como é possível o Campo Pequeno não estar cheio o dia inteiro? Como é possível a Avenida de Roma ser um perigo à noite? E para não falar nas segundas filas e buracos desta estrada. Na falta de ligação ao Tejo. É intermitente. De um lado os contentores, do outro o porto e fábrica que nos afastam dessa beleza que é o rio que nos banha. A Expo, feita de raiz é o único caso de sucesso de ligação ao Tejo. 
    • O que mudavas em Lisboa?
A esta eu não resisto! Já o Carlos Barbosa e o Duarte Marques disseram e eu reitero! Mudava o António Costa. Não por clubite, nem por antipatia com o senhor, coitado, mas por lhe faltar fascínio pela cidade. Liderar Lisboa é estar apaixonado por Lisboa. É das missões mais estimulantes, difícil claro, mas é uma missão de paixão, de dedicação total, de conhecimento da vida, cultura, história e das pessoas. Recomendava ao António Costa de manhã, quando vai lá para o Intendente, ouvir a Dina, com o tema Esta Manhã em Lisboa ou os Pólo Norte, com o tema Lisboa. Apaixone-se por Lisboa!!
    • O que recomendarias a um turista em Lisboa?
Bem, esta é daquelas perguntas difíceis. E é difícil, pela oferta que Lisboa tem. Eu já destaquei o Tejo, acho inevitável, bem como a baixa. É de uma riqueza histórica, apesar de imensas lojas fechadas. Mas vale a pena. E o percurso dos Santos Populares. Alfama e Mouraria, a sardinha assada. Mas, como podemos não destacar a gastronomia de Lisboa? Há para todos os gostos e bolsos. O pastel de massa tenra do FrutAlemeida, a Pastelaria Suíça e os seus bolos, o Pastel de Belém, e por Belém sigam até aos Jerónimos. Depois temos restaurantes divinais. Modernaços e rústicos. Comer um bife no XL, uns caracóis no menino Júlio, um leitão no Bota Feijão, as lulas no Matos, a Pizaria junto ao Lux, um bife fora de horas no SNOB, uma refeição no Decadente, e que belo Hostel está ali. Descer e comer um gelado no Santini, grande conquista de Lisboa a Cascais. O Eléctrico, com os cuidados naturais dos carteiristas. O novo Príncipe Real e as lojas com aquele cheiro a arte e moderno que sai de cada estabelecimento. Um passeio pela Expo ao fim de tarde. O Fado. E que grande vitória que o Fado teve. Uma casinha por Alfama, um bom bife e uma noite bem passada. Lisboa é única e existem mais de 1 milhão de Lisboas!
    • Com que cor identificas Lisboa?
Aqui não hesito em dizer: VERDE! Esperança. É a cor de Lisboa, é a cor do meu clube, é a cor mais bela do mundo! Aqui sou faccioso.
    • Numa palavra, Lisboa é…?
Apaixonante.

Como é habitual no Pick me, pedimos ao Diogo que nos deixasse uma mensagem:
Fizemos o Pensar Lisboa para provocar. Provocar decisores, provocar os lisboetas, provocar as pessoas a saírem do comodismo. Queremos Pensar a cidade, mas sobretudo ouvir. Já existem muitos papagaios por aí, a pavonearem-se e como diz o brasileiro: botarem faladura. Nós queremos conhecer, ouvir, partilhar, deixarmo-nos ir por cada nova conquista e conhecimento. Somos apaixonados pela cidade em que vivemos. Não queremos ficar apenas a conhecer casa e trabalho, ou escola e casa, ou ir beber um copo com os amigos. Não! Queremos mais. Queremos aprender. Venham PENSAR LISBOA!
O blog conta hoje com a assinatura dos seguintes “pensadores”:
Diogo Agostinho, JFD, Ricardo Ferreira, Rui Costa Pinto, João Chambel, Mariana Vital Cruz, Pedro Miguel S.M. Rodrigues, Luís Melo, Fuseta, Nuno Miller Bastos, Sónia Sousa, Pedro Martins Miguel, Duarte de Lancastre y Serrano, Ana Correia, Ivan Roque Duarte, José Pacheco, Miguel Sousa Botelho, Barnes, Bernardo Sousa, José Pinto Coelho, Ricardo Falcão, Daniela Rosa e Elisabete Louro  Martins.
Para seguirem e conhecer melhor este projecto vão a:
Obrigada Diogo e obrigada Pensar Lisboa pela colaboração no PICK ME!

Um obrigado do Pensar Lisboa à Maria e muitos parabéns pelo projecto Pick Me. 


4 comentários:

  1. Não vos conhecia. Vim pelo pick me. Adorei a entrevista. Está o máximo.

    Também gostei do vosso espaço. Muito interessante.

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  2. É. É um espaço bom para se estar à tardinha...

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  3. À tardinha e toda a hora. Eu cá ando sempre informada por aqui.

    Parabéns pela entrevista. Continuem mesmo. Fazem falta.

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  4. Entrevista extensa, mas em que cada linha merece ser lida! Muitos Parabéns ao blog pela excelente entrevista, em especial ao Diogo Agostinho.

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