sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um Pensamento para Lisboa - Parte XI

Lisboa, cidade milenar, cidade encantada das sete colinas, que destino se guarda para ti?

Dominada pelos políticos imberbes da incompetência absoluta, navegas tu, Lisboa, pela tempestade pesada da insensatez humana. Perdida no meio da confusão, arrastas-te na tua imensidão lógica e solitária, carregando nas tuas costas os séculos da tua existência história. Amarrada nas lógicas intriguistas partidárias, encerras-te no teu casulo, tímida, esperando pela hora da salvação. Ouves, sentes, arrepias-te com as loucas ideias que te invadem o ventre, o teu núcleo de existência, o teu centro de evolução. O tempo passa, e com ela ficas mais velha, mais enrugada, mais ciente da tua própria decadência. Mas assistes à tua própria impotência para te salvares, enredada na música celestial que te enche os ouvidos e corrompe o teu coração, a música selvagam da politiquice abjecta.

Lisboa, menina do mar, olhas para o Rio e vês-te a ti própria, observas o teu passado glorioso, perdido por entre as agruras do tempo. Esquecida tu estás, arrematada por mãos diferentes, mentes inóspitas, ambições pessoais que usam e abusam de ti, oh Lisboa. Passeias sozinha, por entre a multidão silenciosa, buscando aquela ajuda mais pequena, mas que a miserabilidade comezinha da política se recusa a dar, rindo-se de ti com aquele sorriso sarcástico de quem se aproveita de ti, violando-te no mais puro do teu ser, do teu ser citadino. Lisboa, deixaste de ser menina, agora és velha, velha raquética que não vê um presente risonho, apenas vê um futuro sombrio, tão escuro como o local execrável onde habitas.

Lisboa, precisas de ser salva, de ser retirada desta prisão insane, desta louca espiral de auto-destruição. Olhas para a tua família e vês-te cada vez mais abandonada, não lhes consegues dar condições, não lhe permites que consigam circular bem dentro da tua casa. Perdeste o dom das finanças, perdeste o comboio da economia, quem te visita de fora, fica encantado pelas tuas belezas naturais, mas torce o nariz aos teus profundos horrores. Lisboa, oh Lisboa, como é que chegaste a este ponto? Como deixaste ser dominada a este ponto e ser escrava dos desejos pessoais da humanidade abjecta?

Lisboa, salva-te, antes que a morte te abraçe e te deixe, sozinha, no deserto do esquecimento.

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