quarta-feira, 18 de julho de 2012

Um Pensamento para Lisboa - Parte VII

Como pode Lisboa crescer e desenvolver-se se serve de trampolim político?

Um dos problemas de Lisboa, invisível porque não tem uma consequência directa na Comunidade, pois sobretudo tem resultados indirectos e, principalmente, é uma questão de moralidade política e de ética da condução dos assuntos públicos, é a tendência/tentação/ambição (é o leitor escolher uma das opções) de usar Lisboa como plataforma política para vôos mais altos. Este problema é endémico, não de uma perspectiva meramente lisboeta ou local, mas também nacional, não faltando exemplos para o comprovar. E como isto é um problema para Lisboa?

Qualquer projecto que se pense, e que se apresente perante os lisboetas, necessita de ser sólido ideologicamente, forte na sua argumentação e implacável na sua aplicação. Qualquer programa que se apresente tem um rosto, tem uma equipa, tem todo um conjunto de pessoas que acreditam nessa causa e irão, presume-se, batalhar por ela até ao fim. Mas, mais importante do que isto, é a forma como a pessoa A ou B chega ao Governo. 

Declara John Locke, no seu Segundo Tratado de Governo Civil, preposição 95: "Men being, as has been said, by nature all free, equal, and independent, no one can be put out of this estate, and subjected to the political power of another, without his consent. The only way whereby any one divests himself of his natural liberty and puts on the bonds of civil society is by agreeing with other men to join and unite into a community for their comfortable, safe, and peaceable living one amongst another, in a secure enjoyment of their properties, and a greater security against any that are not of it.".

Todo e qualquer político atinge o poder porque assim lhe é concedido pelo indíviduo que, através do voto, lhe transmite a sua confiança e abdica de parte da sua liberdade para ser governado. Estabelece-se um contrato, em que o voto é a forma de consentimento e a grande obrigação do governante é prosseguir o bem-comum. Todas as ambições política são legítimas, desde que sejam presididas por um conjunto de valores que estejam em conforme com a Comunidade. Como tal, o uso do cargo político, e o seu abandono de forma precoce, é uma atitude inqualificável pela parte de quem a toma. Lisboa é uma cidade única, Lisboa precisa de pessoas que se dediquem de corpo e alma aos seus problemas; Lisboa não necessita de "pára-quedas" que usam os seus habitantes e os seus problemas, como "tubos de ensaio" para vôos políticos mais altos.

2 comentários:

  1. Pedro, está a falar de quem? Quer especificar?

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  2. Cara Eduarda,

    Este post surgiu de uma conversa, e, por acaso, não escrevi a pensar em alguém em específico. Mas se me pergunta se existe algum político que encaixa neste perfil, independentemente do seu mérito, então não será difícil descobrir. E em ambos os partidos...

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