segunda-feira, 9 de julho de 2012

Um Pensamento para Lisboa - Parte III

Como se deve projectar Lisboa numa visão de médio/longo prazo?

Há muito tempo que Lisboa não tem uma visão ideológica e política sobre o seu futuro num horizonte temporal de 10 a 15 anos. Há muito tempo que Lisboa navega pelas suas indefinições, perante a titubeante vontade do poder central (que não é o culpado de tudo, se é que se lhe pode assacar culpas, porque, no último instante, quem deve e pode tomar decisões é quem lidera a Câmara Municipal), sem um rumo definido e estando à mercê dos "ventos" demagógicos de quem usa Lisboa como trampolim para vôos políticos mais altos. Lisboa, perante a sua história secular, não pode, nem deve, cair no esquecimento atroz da falta de visão, da falta de projectos, da falta de uma linha segura e determinada nos seus objectivos, dura e implacável na sua prossecução. A falta de uma visão estruturada de Lisboa conduziu-a ao estado de hoje em dia: suja, degradada, enredada nos seus próprios problemas e vícios, incapaz de explorar as suas potencialidades que a definem como um "monstro" à espera de ser acordado.

Qualquer visão que se tenha para Lisboa, por Lisboa, não pode ignorar o facto de que uma cidade é feita de pessoas, de habitantes que a procuram devido à sua qualidade de vida (será que ainda tem, ou está demasiado concentrada em zonas definidas, quando deveria ser geral?), que a buscam mediante a oferta de trabalho que pode oferecer, numa simbiose entre trabalho/lazer que faz uma cidade vibrar e desenvolver-se. Como tal, uma política que proporcione condições de habitabilidade a Lisboa é premente e fulcral, sendo ela anterior a qualquer futura visão que se tenha sobre a economia citadina, a cultura citadina e a educação citadina. A necessidade de povoar Lisboa é demasiado evidente para que quem queira dirigir a capital da Nação não seja capaz de a identificar, i.e, não seja capaz de apontar soluções dignas e condicentes com a história deste lugar à beira-Tejo plantado.

A repovoação de Lisboa não é alheia à necessidade de recuperar o parque habitacional da cidade, actividade essa que não cabe, apenas e só, à edilidade. Sendo este um dos eixos principais, senão mesmo principal, de requalificação do parque habitacional, de forma a repovoar Lisboa, naturalmente que cabe primariamente, aos agentes privados a prossecução desta política, sob a égide, apenas, regulamentar da Câmara. Sem este eixo central de acção, Lisboa continuará a ser um mero ponto de passagem, em vez de ser um ponto de permanência.

1 comentário:

  1. Não vos conhecia. Mas está aqui um espaço interessante.

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