sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um Pensamento para Lisboa - Parte II

Como deve a Câmara Municipal servir a Comunidade?

A resposta a esta pergunta não é unívoca nem deve ser unânime, deve sim ser um processo contínuo de reflexão e de construção evolutiva de soluções. Como já tive oportunidade de dizer, a relação entre a edilidade camarária e a sociedade civil de Lisboa deve ser repensada totalmente. A prevalência das comunidades locais sobre a CML é fundamental para que a cidade ganhe outro dinamismo, aquele fulgor que ao longo dos anos, demasiados anos, tem perdido de forma inexorável. De forma inevitável? Não podia ser mais errado este diagnóstico: a inevitabilidade do declínio da capital nacional não deve ser encarado como uma fatalidade do destino, mas sim como a oportunidade de mestre de conseguir reinventar Lisboa.

A reinvenção de Lisboa deve passar, não só pela redefinição da forma como os políticos se relacionam com os cidadãos que os elegem, como também pela definição de um programa de médio/longo prazo que seja capaz de apontar soluções e indicar caminhos. Qualquer pensamento sobre uma cidade deve ter em conta todas as suas potencialidades e, acima de tudo, os seus defeitos. Defeitos esses que devem ser melhorados porque o objectivo é que a qualidade de vida de uma Comunidade seja a principal preocupação de quem governa. A reinvenção de Lisboa deve passar por um conjunto de eixos fixos, pré-determinados, onde o indivíduo deve estar no centro da acção política e camarária; não de uma perspectiva assistencialista, mas sim de um ponto de vista onde a liberdade do indivíduo e das comunidades locais são encaradas como a "força viva" de Lisboa.

A Câmara Municipal deve servir a Comunidade mostrando-lhe qual é o caminho a tomar; quais são os desígnios e os objectivos que se pretende alcançar, numa lógica de prossecução do bem-comum. A reinvenção de Lisboa deve passar por um novo modelo económico citadito, por uma forte aposta na requalificação urbana, numa nova visão sobre a Frente Ribeirinha que tenha a consciência de que Lisboa e Portugal se fizeram Império, não a olhar para o interior, mas sim para o mar; uma nova consciencialização de que a Câmara não é capaz de resolver todos os problemas, que devem ser as comunidades locais a poder efectuar todas as tarefas porta-a-porta, aproximando a cidade dos seus habitantes e eleitores.

A reinvenção de Lisboa deve passar pela sua libertação das amarras que a destroem todos os dias. A reinvenção de Lisboa deve passar por um novo prisma onde apenas interessa o bem-estar comum.

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