segunda-feira, 2 de julho de 2012

The show must go on: Convenção Autárquica do PSD






Consta que houve uma reunião magna nos autarcas sociais-democratas onde o prato principal foram umas considerações mais gerais, em termos nacionais. Mas o que realmente interessa, para Lisboa, é o que se ouve aqui.

The show must go on, diriam os mais sábios da Broadway, e o mesmo se aplica a um dos maiores partidos nacionais, com responsabilidades autárquicas. Não sei se esta indicação é verdade, mas a ser, então a moral vem por aí abaixo e a política torna-se, mais uma vez, e repetidamente, um lugar "sujo": recandidatar autarcas que têm responsabilidade em criar montanhas de dívidas é, simplesmente, inacreditável.

Mas a ratio do post, como a fotografia deixa a indicar, é tecer umas quantas considerações quanto à Convenção Autárquica do PSD. Primeira lógica: convenção cheia de ar que se esvazia à primeira palavra. Ideias para Lisboa? Zero. Visão ideológica sobre Lisboa? Inexistente. Único factor que ressalva? Estender a passadeira vermelha. É admirável como já se avançam candidatos sem que haja um pensamento ideológico sobre Lisboa, preferem-se entreter com escolhas de perfis.

Lisboa é uma cidade sem rumo, perdida nas suas dúvidas e labirintos politiqueiros de busca pelo interesse privado. Lisboa necessita de um pensamento estruturado que visa dotar a cidade de uma visão estratégica a médio/longo prazo, num horizontede 15/20 anos. Lisboa é uma cidade cujo potencial é negligenciado pelos políticos que a governam; Lisboa é um antro entregue ao pior que há do socialismo, mas também entregue a uma oposição amorfa que critica e critica, sem uma noção do que pretende.

Política é a mais nobre arte de servir a Comunidade, não a arte de se servir a si e aos seus. A Política é o instrumento a partir do qual as ideologias fluem e são propostas ao eleitorado, sem constrangimentos ou medo das palavras. Lisboa é um diamante entregue ao mais pérfido dos joalheiros, que a estraga com as suas rudezas e com o seu orgulho pessoal. Lisboa, como âncora de uma visão estratégica que encara o mar e o oceano como os caminhos naturais do povo lisboeta, e consequentemente, português. Isto e outras coisas poderíamos ouvir dos políticos que ousam pensar em tomar conta da gestão da capital; mas o que vimos e ouvimos, se não dá vontade de chorar e deprimir, dá vontade de rir porque a tragédia é cómica demais.

7 comentários:

  1. Sai de Sintra entra em Lisboa.

    E não é por opção, é por falta de emprego. É bem. Os tempos não estão fáceis.

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  2. Vamos ter Costa contra Seara? Já foi.

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  3. Pedro, autarcas que se manifestaram contra o Governo tal e qual todos aqueles que se sentem incomodados com um Governo reformista, diferente e que não tem medo de mexer com os poderes instalados e acabar com o status quo. Autarcas que sabem que o PSD vai ter das maiores derrotas nas próximas eleições e que não vêm o Governo com medidas populistas para mascarar o estado e as necessidades do país para conseguir ganhar ou manter autarquias. Repara na quantidade de autarcas do PSD que está com, do meu ponto de vista, uma enorme hipocrisia e falta de sentido de estado, a criticar dia sim dia sim o Governo e as suas acções. De norte a sul. Começando em Macário Correia terminando em Rui Rio.
    Da minha parte parece-me bem enquadrar o teu post neste meu ponto de vista.
    Quanto à notícia do Sol venha a fantasia a tornar-se realidade, não vejo o choque. Pois acreditas tu que o povo que é estúpido iria eleger alguém proposto por ser um grande recuperador de contas em oposto a uma cara conhecida? A tareia dá-se de dentro para fora. E esses senhores autarcas já estão a levar na cabeça a ser obrigados a cumprir. Acabou a mama. Por isso se estão a virar contra a mão que sempre lhes deu dinheiro para rotundas, festas, pavilhões e mais coisas sem interesse para a população mas sim para votos.
    Este Governo não brinca. Não faz frete. Nem para os seus nem para os outros. Pois este Governo não para servir o PSD. E dos, e para os Portugueses.

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  4. Jorge, adorei o teu comentário, e se me permites, vou respondê-lo à letra e peço desculpa, prévias, pela possível extensão da mesma. A minha posição nem é de acordo nem de desacordo com o que escreveste, segue a lógica das tuas argutas e sempre interessantes observações no outro Forte que humildemente serves e onde tão bem escreves. Mas sim é uma posição com outra visão, ideológica e política.

    Os autarcas que se manifestam contra o Governo não me admira, não me aquece nem me arrefece. Permite-me uma anotação histórica: os forais permanceram em Portugal até ao séc. XIX, até mesmo depois da reforma manuelina dos forais, de D. Manuel I, por uma questão de conveniência política - manter a imagem de forte autonomia municipal, ao mesmo tempo que o Estado (monárquico, do séc. XVI e XVII) se fortalecia e centralizada. Na reforma de Mouzinho da Silveira, em que surge o embrião da actual circunscrição municipal, os forais foram extintos (mesmo contra a opinião de Alexandre Herculano, entre outros) para possibilitar a fortíssima centralização do poder administrativo, como forma, também, de impor e solidificar a implantação do liberalismo em Portugal.

    Para que serve este exemplo? Para demonstrar que as relações entre os municípios e o poder central sempre foi conflituoso e muito pouco exemplar. Hoje em dia, os protestos dos autarcas não admira porque lhes custa perder o nível de vida insuportável, tocas numa classe que começa a reagir de forma cooperativa, como seria de esperar, porque se toca nos privilégios. Agora, se este Governo quer mesmo mexer com os poderes instalados, então não teria problema algum em, para além de mexer nas Juntas de Freguesia, mexer naquilo que interessa: as Câmaras Municipais e avançar num profundo processo de descentralização, que esvazia o Estado de competências "gordas". Portanto, as críticas não admiram, afinal, é o expectável.

    Segundo ponto: considero uma profunda hipocrisia e um profundo atropelo pela ideia, quiçá utópica, mas decididamente helénica e romana, de Política, recandidatar alguém que teve responsabilidades directas na constituição de uma divida insuportável. Se o povo é estúpido, não sei, prefiro acreditar que não, apesar de as eleições locais funcionarem, sempre, num esquema de cacique e votar-se em quem está, porque criou dívida, mas o que interessa é que a cidade é muito gira e tem muitas fontes e jardins, e rotundas. Concordo contigo em que a "tareia" tem que ser por dentro, mas a verdadeira legitimidade democrática, ou melhor, a fonte das fontes, é o voto. E por mais "limpezas" que fazes por dentro, se depois o voto diz-te que não, então é uma chatice.

    Terceiro e último ponto: é verdade que terminou a "mama", e ainda bem que assim é, mas continuamos falidos. Governo reformista? Tenho as minhas dúvidas existenciais. Diferente? Não me parece. A fazer o correcto? É obrigado a tal. Isto é, se o Governo fosse mesmo reformista e diferente, então presumo que não teria problema em emagrecer o Estado, fazer uma profunda reforma das suas funções, diminuir o Estado e entregar à iniciativa privada o que ela bem merece de o fazer sem o Estado estar sempre em cima: no fundo, passar de Estado-prestador, para Estado-regulador. Mas, caro Jorge, isto é como é, é uma pura visão ideológica e profundamente politicamente incorrecta. Não existe um verdadeiro pensamento liberal em Portugal, e mesmo que exista, está escondida por detrás do medo das palavras. Apesar de honrosas excepções como o Insurgente, o Blasfémias e, tempos a tempos, o 31 da Armada.

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  5. Mas este será o candidato contra o Costa? Ouvi falar de Carlos Barbosa e Mega Ferreira se o António Costa saísse...

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  6. Caro Pedro

    Agora, se este Governo quer mesmo mexer com os poderes instalados, então não teria problema algum em, para além de mexer nas Juntas de Freguesia, mexer naquilo que interessa: as Câmaras Municipais e avançar num profundo processo de descentralização, que esvazia o Estado de competências "gordas".

    Olha que no teu comentário referiste os forais como enquadramento para o que me escreveste. Ora, ficaram contextualizadas práticas de muito tempo. Este Governo tem um ano. Muito é esquecido este facto. E pouco é tido em conta o que com esse mesmo ano foi feito. Há uma reforma autárquica em curso. Passada em Conselho de Ministros. Encabeçada por um Ministro que de repente foi capa de jornal dia sim dia sim para depois a montanha parir um bicho-de-conta.

    Se o povo é estúpido, não sei, prefiro acreditar que não, apesar de as eleições locais funcionarem, sempre, num esquema de cacique e votar-se em quem está, porque criou dívida, mas o que interessa é que a cidade é muito gira e tem muitas fontes e jardins, e rotundas. Concordo contigo em que a "tareia" tem que ser por dentro, mas a verdadeira legitimidade democrática, ou melhor, a fonte das fontes, é o voto. E por mais "limpezas" que fazes por dentro, se depois o voto diz-te que não, então é uma chatice.

    Olha é verdade mas temos pena. As pessoas votarão em quem conhecem ou quem lhes prometer aquilo que elas querem ouvir. Seja possível ou não. A diferença, espero eu, verás nas candidaturas directamente apoiadas pelo PSD. Excluo claro os Isaltinos da vida. "ele é assim mas faz obra" - estes pouco me interessam.

    Governo reformista? Tenho as minhas dúvidas existenciais. Diferente? Não me parece. A fazer o correcto? É obrigado a tal. Isto é, se o Governo fosse mesmo reformista e diferente, então presumo que não teria problema em emagrecer o Estado, fazer uma profunda reforma das suas funções, diminuir o Estado e entregar à iniciativa privada o que ela bem merece de o fazer sem o Estado estar sempre em cima: no fundo, passar de Estado-prestador, para Estado-regulador.

    Meu caro tudo isso e muito mais na mesma linha esteve, está e estará na mente de PPC. Desde que o conheci. Desde que estive a seu lado nas eleições internas, desde que estive a seu lado nas eleições nacionais.
    Recordo só um pequeno grande facto. Este Governo tem um ano. No entanto, neste pequeno grande ano, mais já se Governou com seriedade consequência e visão que nunca em anos de dinheiro aos montes como nas eras de Cavaco e Guterres. Estes dois sim, castradores de horizontes.

    Temos de dar tempo ao tempo.
    Estamos a sofrer na pele pelos nossos pecados e mais pelos pecados dos outros.
    Mas juntos, pelo futuro que não será talvez nosso, mas dos nossos.

    Bem-haja

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  7. Caro Jorge,

    Não esqueço que este Governo tem um ano, não esqueço que Roma e Pavia não se fizeram num dia, não esqueço que as coisas demoram tempo a serem feitas, mas também não olvido que até agora, tirando o muito bom exemplo do Ministro da Segurança Social que referiu a possibilidade de um plafonamento e da possibilidade de as pessoas terem liberdade de usar o sector privado para compor a sua reforma, ainda não vi uma palavra sobre uma reforma do Estado que me apresente ideias que sejam, na minha óptica satisfatórias.

    Naturalmente, parto de uma visão extremamente liberal, e não tenho problemas nenhuns com rótulos. Muito me agradou os primeiros tempos do PPC (se me permites abreviar), mas depois, de forma inexplicável, moderou bastante a sua posição. Também não me esqueço da reforma do programa do PSD, nomeadamente os contributos do Aguiar Branco mas, mais uma vez, inexplicavelmente (ou não...) a reforma programática ficou a meio caminho. Isto é, não nego que o Governo é reformista, mas penso, mera opinião pessoal, que não é suficiente. Não nego que o PPC tenha um pensamento liberal, mas se isto for levado à letra, incluindo o Vitor Gaspar, então não terias uma subida de impostos, mas sim uma profunda reforma fiscal, mudando o sistema por completo tal como ele precisa.

    Isto é: por mais que digam da boca para fora, e eu até prova em contrário acredito, apesar de ser sempre céptico, são as acções que ditam a opinião. Estou de acordo contigo: em um ano fez-se muito mais, mas não é suficiente, nem creio, seja o mais adequado, pessoalmente, optaria sempre por ir mais longe. Naturalmente, repito, é uma pura visão ideológica que me leva a criticar, não por falta de acção, mas sim por timidez de acção. De novo de acordo contigo: o tempo ao tempo, isto irá lá, mas com muita paciência e muita coragem, há que ser politicamente incorrecto, e não tenho visto o nível de "politicamente incorrecto" que considero que é necessário para enfrentar as classes e as corporações.

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