terça-feira, 24 de julho de 2012

Presidente da JP Lisboa a Pensar Lisboa


 
LISBOA E OS JOVENS

Creio bem que no momento em que se aceita escrever um breve texto sobre Lisboa e os Jovens, importa, desde logo, entender o que, efectivamente, distingue um Jovem Lisboeta dos demais, à luz da realidade contemporânea.
Objectivamente, nada. Um Jovem – sem querer aderir a balizas etárias que o qualifiquem ab initio – entrega-se gratuitamente à natureza livre do ser humano, leia-se: desligada e independente do aparelho dos interesses paralelos; sujeita-se ao crivo da própria consciência e move-se pelo instinto fraterno do dever ser como condição única e necessária para a edificação de um mundo novo ou, no mínimo, subliminarmente diferente. Não se instala, reage. Não cala, manifesta-se.
Subjectivamente, muita coisa. A sociologia revela-nos que o Homem é um produto do meio de onde é oriundo, sendo ele próprio um reflexo do habitat socio-cultural onde tem existência física. Lisboa, enquanto capital do País, revela-se aos Lisboetas como metrópole embaixadora do óptimo e do péssimo; se preferirmos, como um centro de imputação da saúde revigorante da modernidade e da doença que é o excesso dela, como garbosa tradicionalista e saudosa anfitriã da História, ao arrepio da recorrente corrosão estética e moral da identidade portuguesa e dos bons costumes.
À boleia do Tejo, Lisboa contempla serenamente o Atlântico, brinda aos novos mundos que deu ao mundo, à imortalidade dos poetas, em plenos pulmões canta um fado à desgarrada em cada esquina, contempla a luz messiânica do Castelo durante a noite, sossega com a bênção do Patriarca, aplaude com gáudio a festa no campo ou na praça e beija a democracia que, também lá, se fez instituição.
Com efeito, cada dia vivido nesta cidade carece de ser agarrado pela Juventude que, sem querer, ou melhor, sem ter autonomia de vontade neste particular, se enraíza no seu espírito e desbota ao toque da gíria quotidiana da sua terra. A pergunta que se impõe é taxativa: de que forma?
Cabe aos Jovens assumir uma participação activa e empreendedora na vida de Lisboa, interiorizando e precavendo, a priori, o respectivo património histórico e humano, estimulando o envolvimento da comunidade nas grandes causas destes tempos, estabelecendo, por essa via, um elo de ligação e de afinidade com os Lisboetas, participando na alternativa para a solução dos problemas que hoje se vivem intensamente.
Sem se oferecerem ao anonimato cobarde quando surgir a oportunidade de intervir em nome do seu semelhante, exige-se que acompanhem a própria sociedade e que sejam autênticos nessa profissão de vontade. O ideário da juventude deve reconduzir-se a um trabalho construtivo, sério e gratuito por uma geração de mérito no cumprimento do seu dever e na igual medida capaz de exercer livremente e de forma responsável, os direitos de que, com justiça, é titular.
Destarte, é a apostar na acção educativa da juventude, nos campos da formação humana, académica, cultural e física, que o Município tem o seu maior ónus enquanto pedagogo do futuro: que educa ética e moralmente Homens e Mulheres para, no imediato, servirem os seus pares e, mais tarde, o seu próprio País.
Os Jovens são a maior ponte de Lisboa: aquela que liga o passado ao futuro, por onde viaja a esperança numa sociedade melhor, mais justa, mais portuguesa.



Francisco Rodrigues dos Santos

5 comentários:

  1. Caro Francisco,

    Muito obrigado pelo contributo. O nosso espaço está sempre disponível para mais opiniões. E para desafiar quem ocupa lugares de destaque na cidade.

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  2. Parabéns pelo convidado. Vão ter de outros partidos?

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  3. Excelente artigo de opinião!
    Parabéns ao Blog e ao Autor!

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  4. Que bem servida que está a JP Lisboa!
    Excelente artigo do seu Presidente. Vou ficar atenta.

    Catarina P.

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