sexta-feira, 13 de julho de 2012

Um Pensamento para Lisboa - Parte IV

Como se pode coadunar a política habitacional da CML com as forças da sociedade civil?

Toda e qualquer organização nasce através da aglomeração de indivíduos, que se juntam para se governarem e poderem dividir as tarefas necessárias à sua sobrevivência. Lisboa é formada por bairros, e cada bairro representa o seu próprio "ecossistema", a sua própria "mundividência", a sua própria tribo. Lisboa, vista desta perspectiva, é um aglomerado de pequenas tribos, juntas em bairros habitacionais, que se auto-governam no seu dia-a-dia atarefado, tendo "em cima" de si uma autoridade governativa, a Junta de Freguesia. Como já foi referido mais do que uma vez (aqui, aqui e aqui) Lisboa sofre de um processo degenerativo do seu centro, da sua população e, consequentemente, do seu parque habitacional.

Qualquer política da CML que vise a recuperação do parque habitacional, com o objectivo de criar mais e melhores condições para uma efectiva recuperação de residentes em Lisboa, deve compreender que qualquer manobra central não pode negar a força viva dos bairros e das suas idiossioncracias. Toda e qualquer política conduzente a uma evolução de Lisboa tem que compreender que a liberdade individual é inalienável e, mesmo que esta tenha sido abdicada, em parte, em favor de uma governação central, não se trata de uma "desculpa" para prosseguir políticas centralistas dentro da edilidade. Como ponto prévio, há que reafirmar, e deixar bem claro, que esta divisão bairrista de Lisboa é, tão só, o reconhecimento de que a cidade tem formas próprias de se organizar, formas essas que devem ser estimuladas e, consequentemente, dotadas de ferramentas para a resolução dos seus problemas.

A política de aproximação aos bairros é, ou melhor, deve ser, um dos eixos centrais da recuperação da magnificência de Lisboa. A politica de aproximação dos bairros não significa, nem deve ser sequer ser sugerido como possível consequência, uma dependência financeira que esmaga e asfixie a forte auonomia que cada bairro, ou dito de uma forma mais juridica, cada Junta de Freguesia deve ter. A recuperação da população de Lisboa deve passar por este binómio fundamental: bairros/Juntas de Freguesia, sendo estas as primeirasentidades que devem resolver o problema habitacional.

6 comentários:

  1. Andamos muito espirituosos por aqui...

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Caro RP, Quando se refere ao espirituoso penso que se queira referir ao acto intelectual de Pensar, ter ideiais, ter uma ideologia própria, e debater. Pois bem, é deste mesmo estado espirituoso que os Políticos Profissionais ( leia-se aquela pequena grande faixa de políticos operacionais, que de ideias sabem pouco, mas que de cacique sabem muito)têm medo, pois a inteligência ultrapassa a esperteza.

      Neste sentido dou os meus Parabéns ao Pedro pelo post exarado.

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    3. Já te disse pessoalmente, e agora digo aqui: Ivan, meu caro, estás inexcedível!

      Com qualidade destas, não há Político Profissional que resista. Temos pena...

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    4. Por falar em textos espirituosos conheço um muito bom, no qual a revolta dos animais da "Manor Farm" contra os humanos é liderada pelos porcos Snowball e Napoleon. Os animais tentam criar uma sociedade utópica, porém Napoleon é seduzido pelo poder, afasta Snowball e estabelece uma ditadura tão corrupta quanto a sociedade de humanos. Isto sim é espirituoso.

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  2. Caro RP,

    Não creio que seja uma vertente "espiritual" aqui do blog. É mais, como direi... ideologia hardcore que necessita de argumentos hardcore e que qualquer oratória softcore não consegue contrariar através da beleza das palavras

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