sexta-feira, 11 de maio de 2012

A douta lógica dos okupas da Rua de São Lázaro

Consta que certos indivíduos ocuparam, sem dizer ai nem ui, por "solidariedade com o grupo de activistas do movimento Es.Col.A". Consta também que, segundo a vereadora Helena Roseta, os ocupas "não apresentaram nenhuma proposta". Consta também que a vereadora, por uma questão de igualdade de tratamento, irá proceder ao despejo coercivo se os ocupas não saírem, livremente, dentro do prazo estipulado pela Câmara.

Por mais que lhe custe, saúdo a coerência da vereadora em questão e o cumprimento da lei e das regras de bom-senso da vivência dentro de uma Comunidade. Por outro lado, assinalar, com manifesta ironia, a suprema arrogância narcisista de quem ocupa um edifício e, depois, não tem propostas a apresentar. Vá-se lá entender esta lógica da batata...


Adenda internacional: no país dos faraós, parece que, em termos televisivos, a democracia segue o seu caminho.

21 comentários:

  1. Devias ter ido lá, Pedro.Isso de falar sem saber das coisas dá sempre em asneira. Propostas? Limparam e pintaram o edifício. Têm feito exposições, concertos, workshops e dado aulas grátis. As centenas de edifícios devolutos que estão na posse da Câmara não são de Rosetas nem de Drs, são de todos os cidadãos.

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  2. Cara leitora Condessa X,

    Em primeiro lugar, saudar a tua visita (tratando-me tu de forma informal, presumo que a mesma deferência se aplique a mim) e agradecer o teu comentário, que me permite expôr a minha posição, agora de uma forma mais pessoal.

    Não sei se o que disse terá sido asneira; ou se o que disse consubstancia a realidade. Naturalmente que efectuar comentários de índole ideológica de uma forma sucinta, pode ser dada a erróneas interpretações, que facilmente se esclarecem. A incoerência por parte de quem ocupou, diga-se, ilegalmente o espaço tratando-se de propriedade pública, neste caso específico, municipal, é flagrante: a reunião é marcada para se ficar a saber os objectivos do grupo e integrarem os projectos de desenvolvimento da Mouraria. Resposta: nenhuma proposta (presumo, creio e acredito que não tenha sido puro silêncio). Desde logo, já a acção inicial não ser muito abonatória, ainda pior assim fica. Faço questão de frisar este ponto porque, de uma perspectiva política, e não só pessoal, a coerência é um valor que está demasiado perdido.

    Por outro, afirmas que os edifícios devolutos estão na posse da Câmara, mas que não são de Vereadores, mas sim de todos os cidadãos. Aqui, parece-me que o argumento não procede, à falta de melhor consideração preliminar. Para além de confundires conceitos jurídicos como seja a "Posse" e a "Propriedade", incorres noutra incoerência profunda. Quem tem a propriedade é a Câmara, logo, pertencem - juridicamente - não só à entidade municipal, como também a quem exerce os órgãos, neste caso, Presidente e Vereador competente. Como tal, quem decide o que fazer aos edifícios devolutos é quem o deve fazer - quem foi eleito para tal. E foi eleito através do voto - independentemente de se concordar ou não - tendo a confiança dos eleitores, mediante o seu programa político que é adaptado às circunstâncias. Deste modo, e para finalizar, é erróneo - salvo melhor e mais fundamentada interpretação - dizer que os edifícios são de todos os cidadãos. Se querem utilizar o edifício, óptimo, mas façam-no segundo o enquadramento legal e as normais regras de convivência da sociedade que, por mim, that's just fine.

    Pormenor final: não sigo Marx, ou Proudhon, ou Engels, ou Rousseau, ou Robespierre, ou Danton, ou Hobbes. Prefiro seguir Lord Acton, Burke, Tocqueville, Locke. Assim, concluo que a propriedade privada é sagrada e intocável.

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  3. Errata: onde se lê "propriedade pública", deve-se ler "propriedade privada". As minhas sinceras desculpas

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  4. inveja, jovem... não sei que blog é este nem o que te levou a comentar São Lázaro sem ires ver com os teus olhos... mas a tua personalidade que para mim é de merda e arrogante com uma tentativa de ''ser'' intelectual nao me fascina. este blog para mim morreu e é só mais um que enche o espaço do ciber espaço, pois não tem coerencia, nao se baseia em factos reais, nem procura um ponto de vista proprio.


    o mais engraçado é que o primeiro post da Condessa X fez o Pedro MSMR escrever um TL;DR ... e testamentos não leio, pois nao tou aqui para deixar a massa cincenta perecer.

    finalmente deve ser dificil aceitar criticas e duvido que este meu post fique disponivel ao publico. se assim for... ainda pior, pois se não houver liberdade de expressão, pelo que lutamos como bloggers?

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  5. Caro Anónimo,

    Um bem haja à sua participação e ao seu comentário, que nos enche de orgulho e me deixa lisonjeado por tão belas palavras que me dirigiu, as quais me deixam com uma lágrima ao canto do olho por saber que consigo suscitar reacções tão exarcebadas por parte dos leitores. O meu agradecimento através de uma vénia subtil.

    Quanto ao conteúdo do seu comentário, para além de anotar o anonimato do mesmo que, naturalmente, não deixa de corresponder a uma opção individual que se respeita. Em segundo lugar notar o seu desconhecimento quanto a este humilde espaço de opinião sobre Lisboa, o que não lhe refreia a necessidade de expôr o seu inefável pensamento que tanto nos enche de alegria. Noto com especial satisfação e ego massajado que, mesmo desconhecendo o blog, sentiu o seu espírito visivelmente perturbado para dirigir tão belos vernáculos. A nossa falta de coerência, a nossa base textual não se basear em factos reais; esta douta construção argumentativa baseada na oratória à lá Cícero com uns pozinhos de demagogia pós-modernista, sofre apenas de um mal - uma atroz e aberrante incoerência por declarar o seu desconhecimento quanto a este espaço, mas mesmo assim conseguir tecer fios de linhas cujo nível de intelectualidade, e pensamento ordinário, consegue estar ao nível, quiçá, de um Dâmaso Salcede.

    Com tristeza eu fico ao saber que não tem paciência para ler os meus testamentos, com ainda mais pena fico por ter sido um anónimo e a própria Condessa X a tecer qualquer tipo de louvas ao raciocínio implícito a tão ignominiosas palavras que eu escrevi. Tristeza a pena porque, penso eu, a sua massa cinzenta não iria perecer mas sim, creio eu, começar a trabalhar segundos as leis da lógica, da filologia, da fenomenologia, e da boa educação. Desconheço se sou arrogante ou se tenho uma pretensão de "ser" intelectual. Desde logo barramos com o que significa "ser", se de uma perspectiva de Jean Paul Sartre, ou de uma perspectiva de uma tasca lisboeta. Quanto á minha suposta arrogância, apenas noto esta frase: "a ignorância traz a arrogância", o que me leva a concluir que o seu inestimável comentário é um tratado à arrogância, à ignorância, à má-educação e à falta de respeito mais grintante, aberrante e execrável.

    Mas como vivemos num espaço livre, onde a liberdade individual é algo que provém, não só do Direito Natural, mas da dignidade da pessoa humana, não só o seu comentário é aceite, como é rebatido, como esperarei por mais um louvável comentário seu, no seu estilo tão bem formado de construção frásica e semântica.

    Deixo o meu cumprimento e os mais sinceros agradecimentos pelos elogios que me dirigiu.

    Atenciosamente,
    Pedro Miguel S.M. Rodrigues

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  6. http://naoqueromasvou.blogspot.pt/2012/05/workshop-da-dicas-de-engate-e-sexo-em.html

    http://naoqueromasvou.blogspot.pt/2012/05/ate-vou-responder-com-o-teclado-no-ecra.html

    Nem vou escrever grande coisa pois estou farto de wannabe clichés intelectuais, mas só assim como quem não quer a coisa, o edifício está para ruir e do nada surgiu uma arquitecta a dizer que o edifico está em condições mas precisa de obras, sem sequer pensar no bem estar, ou mesmo a vida dos ocupantes, que são crianças mal informadas, e digo isto pois conheço algumas das crianças que lá estão e a menina arquitecta não sabe um cu de física para dizer que o edifício pode ou não ruir, acho que não preciso dizer mais nada, um bem haja..

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  7. Como se não chegassem as crianças em São Lázaro, "A PSP identificou portugueses e estrangeiros que participaram nos confrontos do largo de Camões durante a última greve geral, bem como militantes que há semanas ocupam uma casa devoluta na rua de São Lázaro. A PSP acredita que o grupo estava preparado para um confronto violento com as autoridades, devido ao armamento apreendido (escudos policiais, bastões, soqueiras e facas)." fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/anarquistas-atiram-ovos-a-sedes-politicas

    Honestamente é só gente burra que não tem mais que fazer e ainda vai acabar a meter toda a gente num estado bem pior, algo parecido com lei marcial.. Não cresçam não..

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  8. Pedro, não me chames de caro pois sou um ser humano como tu. a inpoética eloquencia não me fascina e o ''Anonimáto'' é um direito que permitiste aqui no blog portanto não me podem julgar como pessoa apenas como eu penso... ao contrário de ti que aqui dás um nome, apresentas uma ideologia e apenas satisfazes o ego num blog que em nada está a contribuir para o país.

    pessoalmente não estive em São Lázaro porque não posso, vivo muito distante dessa zona, mas contribuí na fontinha e fiquei muito contente por saber que alguém faz algo por alguém que já fez tanto. por isto sim estou grato e homenageio quem está em São Lázaro.

    concordo contigo no sentido em que falta coêrencia,

    mas para isso uma frase basta

    para quê fingir que sabes muito só porque lêste este e o outro autor?
    ficasses tu sem casa não saberias sobreviver sem ceder à ética ou à imoralidade neste mundo... daí o inicio do meu post mostrar inveja de quem 'Notíciou' os okupas de são lázaro sem lá ter ido. se o edificio está a ruir pior ainda. ninguém foi confirmar isso a fundo? há quem não possa ir lá e gostava de saber o que se passa. precisamos de fotos, jornalismo sério... o que o Pedro aqui fez foi dar a sua opinião sem sequer ter lá ido. isso sim eu critico e torno-me arrogante se necessário.. pois meninos do morangos com açucar que nunca passaram fome na vida já eu vi muitos e o ''intelecto'' não passa de fogo de vista embelezado em plágio de citações e jogos de palavras.

    para mim isso não é jornalismo não é blogging e eu pouco percebo de computadores mas hei de continuar a procurar informação sobre são lázaro, mas certamente esta parte do blog não é fonte segura ou fidedigna.

    pesquisei por mais informações neste blogue e há quem faça bom trabalho. este não foi o caso. lamento se vim aqui crititar todo o blog,



    sou das pessoas que acredita que:

    ''mente sã e corpo são'' logo pensarlisboa.com não basta.. é preciso pensar-E-agir-Lisboa.com

    que o colectivo do blog entenda a minha pseudo arrogancia como uma critica construtiva, pois eu procurei informação sobre são lázaro e encontrei uma opinião e de opiniões estamos todos fartos.


    blah blah sobre vereadores que o povo vota para lá estar.. tu proprio sabes que é mentira. politica é uma jogada de marketing ganha quem tem mais amigos e mais dinheiro. a corrupção tirou lhes todos os direitos a partir do momento em que neste país há mais pessoas a cometer suícidios do que mortos em acidentes de automovel. e onde há 100 casas por dia a ser despejadas.



    é tempo de agir

    'Atenciosamente'' não... pois isso é o que cria estratificação social e nos distancia da nossa humanidade ''meu caro''. (tal como o disse no inicio deste comentário)

    envio te boas vibrações do modo que posso, medita encontra-te por tras de todas essas máscaras silábicas que te distanciam da realidade...
    eu estou no anonimáto, mas sei quem sou.. tu ainda tens muito a alcançar e é um insulto à informação livre falar do que não se sabe, não passa de palha e desperdicio de tempo.


    H.Ramos

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  9. não acredito que o pessoal de São Lázaro está metido na onda da violência contra a PSP. é destruirem o trabalho todo que estava a ser feito.
    ´
    se for verdade que ha anarco liberais em São Lázaro a ''atacarem a PSP'' é Hipocrisia e um insulto á escola da Fontinha, usaram uma acção boa do povo para perpetuarem o degrego...

    Pedro, faz nos a todos um favor e vai a Sao Lázaro pessoalmente.

    H.Ramos

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  10. Caríssimo H. Ramos,

    Fico feliz por este meu post suscitar uma discussão salutar, independentemente do estilo das palavas e das construções frásicas, com mais ou menos vernáculo. Significa que a sociedade portuguesa não está amorfa nem é um zombie, o que me apraz bastante porque um país necessita de uma sociedade civil vibrante, independentemente das ideologias para evoluir e assim contribuir para a bem-aventurança da Nação.

    O anonimato é uma escolha perfeitamente legítima que aqui permitimos porque consideramos que a liberdade de expressão é algo que é demasiado precioso para ser criticada ou até cerceada. O "meu caro" ou "caríssimo" é um cumprimento da mais elementar boa educação, entre pessoas que não se conhecem de parte alguma, mas que, por alguma razão, qualquer que ela seja, trocam ideias de forma salutar. Para além de uma questão de boa educação, também é uma educação de respeito e de dignidade da pessoa humana e que não diminui em nada o ser humano que cada um de nós é. O respeito e a educação também se medem pelo respeito que mostramos pelas palavras dos outros, a tolerância é um dos pilares de uma sociedade civilizada e faço imensa questão de as praticar meu caro H. Ramos. Realmente temos uma diferença assinalável, eu escolho dar o meu nome e a minha cara porque nada tenho a esconder; não pretendo ser politicamente correcto, porque o politicamente correcto é a nova forma de censura nacional: invisível, que impede a liberdade de expressão, espelho do livre arbítrio do cidadão. A satisfação do ego é uma forma irónica e sarcástica porque se há algo que faço bastante questão, e apenas a digo aqui por forma de resposta, é que não necessito do blog para massajar o meu ego. Fui convidado pela gerência do mesmo, por amizade e estima, e assim continuarei, com o meu método. Não pretendo que gostem de mim ou me odeiem, apenas pretendo estar bem com a minha consciência; nao pretendo ser popular, nem por perto, nem de longe.

    O blog "Pensar Lisboa" é um trabalho de equipa, de pessoas que se preocupam e que reflectem sobre o caminho que Lisboa deve ter. Todos nós temos conhecimento da realidade porque vivemos no objecto do nosso pensamento. Como poderás ver pelos seguintes exemplos - que só por acaso são da minha autoria - nós primamos pela pesquisa séria, com fotos e até video.

    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/reportagem-exclusiva-do-pensar-lisboa.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/reportagem-exclusiva-do-pensar-lisboa_18.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/reportagem-exclusiva-do-pensar-lisboa_3415.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/reportagem-exclusiva-do-pensar-lisboa_6546.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/reportagem-exclusiva-do-pensar-lisboa_6876.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/reportagem-exclusiva-do-pensar-lisboa_6437.html

    Por outro lado, nós não ficamos em gabinetes ou escritórios. A nossa política editorial também comporta darmos voz a quem necessita de voz: as freguesias. E, desta forma, as nossas opiniões também são formatadas, e têm um grande contributo, da informação que recolhemos junto das Juntas de Fregusia, como poderás ver pelos seguintes exemplos:

    http://www.pensarlisboa.com/2012/02/volta-das-juntas-sao-joao-de-brito.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/01/volta-das-juntas-campolide.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/01/volta-das-juntas-carnide.html
    http://www.pensarlisboa.com/2012/01/volta-das-juntas-lapa.html

    Sendo que essa política editorial, segue os presentes pilares:

    http://www.pensarlisboa.com/2012/04/apresentacao-da-carta-ideologica-do.html
    http://www.pensarlisboa.com/p/carta-ideologica.html

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  11. Os meus pensamentos e consequente ideologia apenas podem existir depois de, não um, não dois, mas dezenas de autores e artigos lidos. Só assim, através da formação, da educação, da leitura, é que é possível ter um conjunto de argumentos que se baseiam, não na oratória, mas sim na retórica. Eu não finjo saber muito, nem sei se sei muito, ou se sei pouco: apenas sei que a minha sabedoria é uma gota de água no meio do oceano da minha ignorância, e eu presumo sempre que as pessoas são humildes ao pronto de admitir isso, tal como eu o faço. Todas as minhas opiniões têm a validade da minha experiência de vida, o que vale o que vale. Apenas as defendo porque as confirmei através da forma como cresci, como aprendi, e como foi a minha educação. Escuso de estar a contar a história da minha vida, apenas posso dizer que sim já vivi sem casa, sim já passei fome e, por isso, defendo o que defendo porque me apercebi de como a imoralidade das demagogias e da política transformada em negócio corrupto pode destruir a liberdade invididual e a segurança necessária para poder usufruir, e prosperar a propriedade privada.

    Não vejo Morangos com Açúcar, recuso-me a pertencer e sequer participar na profunda lavagem cerebral que essa série representa. Mas, acima de tudo, existe a liberdade individual e eu não sou ninguém para influenciar, ou sequer, determinar o que as outras pessoas vêem ou deixam de ver. És livre de apoiar as iniciativas da Fontinha e de São Lázaro, mas aí esbarras, como qualquer outra pessoa, com algo incontornável - a Lei. Dura Lex, sed Lex; a lei, quer se concorde ou não, é para cumprir; e se não é cumprida, as sanções têm que ser aplicadas. Não existe aqui fogo de vista com palavras bonitas, jogos de palavras ou plágio de citações. Se existe uma citação, cito a fonte, como me ensinaram e como assim deve-se fazer por Direitos de Autor. Existe sim uma ideologia, um pensamento, que é alicerçado, não em utopias ou em demagogias, mas sim numa formação contínua ao longo de mais uma década, de discussões várias, e de uma experiência de vida que me coloca a consciência tranquila por a defender.

    Por isso, meu caro H. Ramos, as opiniões surgem por pesquisa de informação e porque a ideologia se baseia em opiniões. A minha argumentação é puramente ideológica e, como tal, não irei entrar em jogos de palavras. Goste-se, ou não, considero que acções como a da Fontinha e de São Lázaro vão contra a Lei (se não fosse, a acção de despejo seria um pouco twilight zone...); vão contra a ordem pública; e seguem uma ideologia que eu não concordo. Porque considero que a sociedade, conjunto de indivíduos, se reúne e, através da confiança, escolhe representantes para governar a Comunidade. E essa Comunidade rege-se por Leis e outro tipo de normas, que têm que ser respeitadas. A Política é a mais nobre arte de governar e servir a Comunidade; concordamos que, neste momento, não existe "Política" mas sim "política" e aí, estou contigo, em criticá-la de forma veemente. A minha base de teorização da Política encontra-se em Aristóteles, Catão, John Locke, Lord Acton, Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, entre outros.

    A estratificação social, caríssimo H. Ramos, quer queiramos, quer não, é uma inevitabilidade. Não sou eu que o digo; basta ir aos clássicos e, presumo eu, não irás negar a importância dos clássicos para formar a mentalidade que temos - a mentalidade democrática ocidental. Como tal, e de forma a concluir, se a PSP identificou anarquistas, pertencentes ao grupo de São Lázaro, então, estamos perante uma perfeita confusão. Como tu próprio dizes, é uma hipocrisia e um insulto; digo eu, não à Fontinha, mas sim ao Estado de Direito e a uma sociedade ocidental, fruto da Antiguidade Clássica.

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  12. sobre a politica economia e ''lex'' são duas coisas directamente ligadas que estão em decadencia, sendo que isso sim: demo-cracia. é Antiguidade Clássica..
    é aí que temos de re-evoluir, pois a re-evolução começa dentro de cada um de nós.
    sendo que a estratificação social perpetua os sistemas arcaicos na ligação humana.

    chegámos a um ponto na evolução em que as leis, o dinheiro, a moral e os dogmas são postos em questão e apenas os factos interessam.

    queres boa política? ''esqueçe'' o que se aprendeste na escola.. e filosofa sobre auto-sustentabilidade (interior e exterior) pois a tecnologia ultrapassou de longe políticas e economias à muitos anos. andam nos é a atirar areia para os olhos com excesso de informação. é aqui que o meu primeiro comentario entra. e acrescento:

    uma ultima mensagem. se houve reportagens sérias antes deveria haver uma séria agora pois não há uma noção real do que se passa em São Lázaro.
    espero que a proxima resposta aos meus comentários com uma reportagem séria, com factos e pontos de vista de dentro.. e nao apenas mais uma opinião.

    fica presente e registado o meu contributo.

    H. Ramos aqui,
    Over n Out

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  13. Caro H. Ramos,

    Não posso deixar de responder, porque tocaste num ponto que me é caro. Parto de uma concordância contigo, demo-cracia está na génese da Antiguidade Clássica, e aí se cria e se desenvolve. Naturalmente, se por um lado tens Aristóteles e Antígona, por outro poderás encontrar Platão e Xenofonte, para duas visões completamente distintas e que estão na base de duas visões distintas: democrática e autoritária. Como tal, o meu conceito de Política parte directamente daquela que encontras em Aristóteles, na sua defesa da Politeia.

    Como falaste na "lex", irei presumir que estaremos a falar do mesmo. A "lex", em contraposição ao "ius", define que papel queres do Direito, com reflexos directos na forma como vives e constróis aquilo que deve ser a Política. Pessoalmente, considero que Direito não é "lex", mas sim "ius" tal como os Romanos nos ensinaram. Aqui faço alusão à contraposição Catão/Cícero. Baseando-me na ideia que Direito é "ius", chego à conclusão que a sociedade precede o Direito, sendo que não deve ser o Direito a impôr soluções à sociedade, mas sim o Direito deve evoluir mediante os caminhos que a sociedade indica. Por isso é que facilmente chego à conclusão que a Respublica romana é mais democrática - não nos seus pressupostos teóricos, mas sim na sua prática quotidiana - do que a Respublica Portuguesa.

    Posto isto, a Política que ambos concordamos em criticar, e que é "política" e não verdadeira "Política", transformou-se numa esquizofrenia espartilhada em partidos que apenas olham para os seus umbigos. Onde predomina o império da "lex", a lei coerciva ditada de cima para baixo, sem consciência da aceitação ou não da sociedade da mesma. O tríptico que citas: política, economia e "lex" são parte do mesmo motor, porque estão naturalmente interligadas. Através da "lex" apriosionada pela demagogia da partidocracia, existe um Estado omnipresente, um Estado "gordo" que impede a segurança da propriedade privada, e que impede que a liberdade privada se exprima e possa desenvolver-se sem regulamentos excessivos e impostos completamente sufocantes. A noção que tens sobre Direito, está intimamente ligada a uma noção que queres da Democracia e da relação entre o Poder e a Comunidade.

    Partindo eu desta premissa, apenas te posso responder desta forma: sem uma verdadeira ética na condução da Política, sem a consciência que o que faz evoluir a sociedade e a economia é a livre iniciativa privada, e não um Estado que oprime e que tem a mania de se imiscuir onde não deve. Como tal, o sufoco da sociedade actual, materialista, onde a ética uma verdadeira cultura axiológica baseada nos valores que Catão nos ensinou nos seus discursos perante o Senado de Roma, que hoje em dia pode ser encontrada nos escritos de Locke, de Hayek, de Von Mises, entre outros, não se pode esperar muito mais do que a continuação desta política serôdia que nos governa. E aqui poderemos concordar; provavelmente na minha argumentação não, mas isso é bom, é salutar e ainda bem que assim é.

    Quanto à proposta de uma reportagem, dita, séria sobre São Lázaro, irá ser discutida e posteriormente decidida pela gerência deste espaço.

    Sem mais nada a acrescentar
    Com os melhores cumprimentos e, de novo, reforçando o bem-haja pelo teu contributo,

    Pedro Miguel S.M. Rodrigues

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  14. Será que de GAJAS também falas tanto como de "lex" e "ius"?! Fica o desafio... Aguardo pela resposta!

    Carlos Costa

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  15. Tou a ver que se muda para temas que realmente interessam e o teu vocabulário fica tremendamente reduzido!! Esperava uma dissertação como aquelas que nos tens habituado no blog!

    Carlos Costa

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  16. Para perguntas simples e directas, respostas simples e directas. Simples e sucinto, tal como o momento impera.

    Sobre mulheres, não há muito a dizer. Quanto mais se fala sobre elas, mais se corrompe a beleza das belezas, a perfeição das perfeições, o privilégio da vida de um homem.

    Para divagações mais profundas, é só ler o "Amor de Perdição", é suficiente.

    Um bem-haja pelos seus comentários, caro Carlos Costa!

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  17. H. Ramos aqui de novo,

    só palha..

    Over'n'Out

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  18. Haja conversa!

    Agora perguntas simples; quem me diz afinal o que se passa neste local e porque está ocupado. E já agora ainda se mantém a situação?

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  19. Bem. Que excelente debate por aqui.

    H. Ramos muito obrigado pela participação e pelo tempo que nos concedeu.

    Queria lançar-lhe um desafio. Para nos escrever um texto sobre este tema a publicar no nosso blogue. Aceita o nosso repto?

    Pode enviar para pensarlisboa@gmail.com

    Muito obrigado.

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  20. Diogo agradeço o convite, mas lamento não poder escrever um texto pois não tenho uma visão de dentro do assunto nem tenho possibilidade de lá ir. espero que os meus comentários tenham inspirado alguém que possa a ir lá (de preferencia o Pedro, pois ele iniciou este tema.) e que avaliem a situação com conhecimento de causa e com coêrencia simplesmente.

    au revoir, mes amis
    H. Ramos

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