sexta-feira, 6 de abril de 2012

Reflexão eleitoralista - Parte IV


Neste espaço de reflexão, já se discutiram nomes, perfis  e considerações várias. Este vosso humilde escriba já lançou duas hipóteses fortíssimas para ser edil camarário, e ainda divulgou qual, na minha visão, o aspecto fundamental para se ser candidato. Conferir a base, o popular e o utópico. Desse modo, esta quarta reflexão serve, não para propôr um nome ou perfil, mas simplesmente para divagar sobre o assunto.

Convenhamos, a actual direcção camarária não pugna pela competência ou pela eficiência na gestão da coisa pública. Talvez defeito meu que parto do pressuposto que a Política é a mais nobre arte de servir a Comunidade, tal como os nossos antepassados helénicos e romanos nos ensinaram. No fundo, servir a coisa pública numa perspectiva temporamente delimitada, onde o poder é apenas um fardo que rapidamente se deve libertar com o objectivo de proporcionar bem-estar à Comunidade, visando a sua boa-aventurança. Se eu parto deste pressuposto, puramente ideológico e politicamente incorrecto, o que posso eu dizer desta gestão camarária. Erro atrás de erro, violações gritantes das liberdades individuais, palatinos da omnipresença estatal que tudo controla, tudo regulamenta, ignorando a essencialidade da actividade económica - quer seja local, nacional, europeia ou mundial - que é a iniciativa privada. No fundo, se há alguma palavra que define estes últimos anos de gestão socialista da CML é tão só esta: desastrosa. Desastrosa nas políticas seguidas, desastrosa nas soluções encontradas, desastrosa na forma como os interesses privados são sempre colocados à frente, desastrosa na forma como tenta servir a Comunidade, desastrosa como delapida, por completo, a base fulcral e nuclear da acção política: a confiança entre a Comunidade e quem dirige os seus destinos.

Este degredo político, este labirinto de incompetências várias, esta sucessão de más políticas, gestões desastrosas, erros de casting, não é de agora e já se prolonga há demasiados anos. Não é exclusivo de Lisboa, é um todo nacional que sofre do mesmo mal. Por isto, as eleições de 2013 ganham uma importância diferente, não só por todo o afã reformista que a assistência financeira impõe, quer a nível nacional, quer a nível local, mas também porque é a altura indicada para, de uma vez por todas, iniciar uma nova vida e uma nova visão para Lisboa. Uma visão diferente, uma visão ideológica que sustente as bases para um futuro daqui a 10/15 anos; uma perspectiva que coloque Lisboa e a Comunidade, a iniciativa privada, a liberdade individual, como eixos fundamentais da acção política. No fundo, uma forma diferente de servir a Comunidade, não esta política, mas sim a Política. Falo de uma visão estratégica e coerente, que exponencie as virtualidades económicas e geográficas de Lisboa, que combata de forma séria, considerando o bem comum como a prioridade principal e os interesses privados como algo aberrante e abjecto, os problemas de Lisboa.

Uma nova visão ética de fazer Política e de encarar a Política. Será algo utópico neste rectângulo plantado à beira-mar? Quiçá com este sistema onde o politicamente correcto é a nova forma de censura, onde o actual edil camarário mais preocupado está com as suas possibilidades de ascender à liderança do seu partido ou, quiçá, ao lugar mais alto da organização política nacional. Mas a esperança é a última a morrer; com a sua história, Lisboa merece muito melhor que a escória que tem hoje em dia, independentemente de partidos ou de pessoas.

4 comentários:

  1. Caro Pedro Miguel S.M. Rodrigues, parabéns pelo texto. Gostei

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  2. Caro José Neves, seja bem vindo ao nosso espaço de reflexão e esperemos que o continue a frequentar o mesmo entusiasmo, porque é para leitores como vossa excelência que partilhamos os nossos pensamentos: lisboetas conscientes e cívicos, que não ficam acantonados perante tamanha má gestão camarária.

    De um ponto de vista pessoal, agradeço-lhe profundamente a gentileza do elogio, ficando o convite para nos continuar a seguir porque pensar Lisboa é uma actividade que nunca pode terminar. Para o seu bem, o nosso bem e o bem de todos os lisboetas.

    Bem haja pela sua presença!

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  3. O Pedro é um senhor e se me permite resgato as suas palavras. Gosto de ver como somos hospitaleiros a todas as opiniões!

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  4. Oh Jorge, o que seria! Resgata as palavras todas que achares por necessário. Reforço os votos de hospitalidade e bem haja a José Neves, pela participação, pelos elogios e pela dedicação a Lisboa!

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