quinta-feira, 15 de março de 2012

António Costa: o excurso por um político que gosta de ser político


Este post, ou melhor, esta reflexão, surge por causa disto, disto e disto. Como bom povo português que somos, adoramos importar modas estrangeiras, ou tradições estranhas à nossa, simplesmente porque achamos que são interessantes e que nos trazem benefícios; sem pensar se estão ou não adaptadas à nossa realidade. Como tal, considero um fenómeno particularmente peculiar o lançamento de livros políticos, como rampa de lançamento para vôos mais altos. Se assim é nos EUA, onde é quase obrigatório lançar um, ou mais, livros para se ser candidato à Presidência dos EUA (pelo menos, de um ponto de vista de credibilidade das ideias e de identificação com o eleitorado-base de cada partido); então, em Portugal, parece que vamos pelo mesmo caminho. Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva (se bem que com outros fins, assim parece e noutro contexto) e, agora, António Costa.

Prrimeiro, o único elogio: admitir que se gosta de ser político e que se quer continuar a ver como político, é um momento de genuína sinceridade. Mas este elogio é apenas a porta escancarada para a crítica. Um político profissional é exactamente um dos cancros principais do modelo político português. Admitir que gosta de ser político e que quer continuar nesse trilho, é admitir que gosta dos meandros do poder, das jogadas de bastidores, das intrigas, das guerrinhas de capela. Ou não terá sido este lançamento um ataque feroz à liderança de António José Seguro, com um olho directo na liderança frágil que, mais tarde ou mais cedo, se irá tornar vaga? Ora, veja, veja quem lá esteve e o que disseram. No fundo, um político que não tenha experiência nos assuntos privados da economia e da sociedade não poderá, nunca, ter um mínimo de noção da realidade e não poderá trabalhar para o bem-comum, sendo permeável às avestruzes que orbitam à volta do poder para obter vantagens pessoais. Ou não será assim o código genético dos socialistas?

Diz-nos que, em condições normais, será recandidato a Lisboa em 2013. A pergunta que eu imediatamente faço é a seguinte: será que está a gozar connosco? Diz-me a minha mentalidade político-ideológica que um político, um homem que sai do privado para desempenhar cargos públicos de forma desinteressada (já aqui não corresponde ao tipo, temos pena), apenas se deve recandidatar se o seu conjunto de acções políticas se mostrou bom para a comunidade que governa. É uma questão de consciência pessoal, de, acima de tudo, bom senso político. Mas este político, simplesmente, não governa, governa muito mal e o seu trabalho tem sido, no mínimo, absolutamente inexistente na resolução dos graves problemas de Lisboa. A sua acção titubeante, a sua equipa de duvidosa e questionável qualidade, as tropelias às liberdades individuais pelo justiçeiro Sá Fernandes, os momentos twilight zone de Helena Roseta, as politiquices do costume.

Em suma, António Costa tem prestado um péssimo serviço à cidade de Lisboa. Requalificação, ordenamento da cidade, reorientação estratégica e ideológica de Lisboa, reconfiguração económica da cidade; nada disto aparece feito ou, sequer, pensado. Lisboa precisa de um choque profundo, precisa de uma reforma ainda mais profunda, precisa de uma reorientação e de uma reconstrução, nos seus pilares essencias, quer em termos ideológicos, quer em termos económicos. Mas, com este socialista encartado à frente dos destinos desta edilidade, bem podemos esperar sentados. Um Presidente da Câmara que está mais preocupado no seu futuro político pessoal, do que no futuro imediato e de médio prazo de Lisboa: é esta a imagem que estamos perante.

António Costa é mau, a sua equipa é péssima e a cidade agoniza às mãos dos socialistas. António Costa dizer que, em condições normais, se pretende recandidatar é uma afronta e uma falta tremenda de bom-senso perante os lisboetas conscientes. Esperava que um político com o seu percurso tivesse mais bom-senso e respeito pelos cidadãos. Mas não, enganei-me, esperei o impossível: afinal, ele é socialista.


Adenda: afinal a minha reflexão não é descabida, afinal o saco ainda tem os gatos mais activos que pensava

6 comentários:

  1. E agora que o Santana Lopes pensa lançar um livro antes de se candidatar a Belém (http://expresso.sapo.pt/santana-diz-nao-a-lisboa-e-admite-candidatar-se-a-belem=f712255), também vão fazer um post a criticar?
    E quando aparecem coisas destas (http://anossaterrinha.blogspot.com/2012/03/magnifica-obra-do-tunel-do-marques.html) escritas por técnicos que sabem o que dizem (como se não bastasse passar por ali todos os dias...), vocês vão continuar a deitar a baixo a atual camara e a louvar a anterior?
    Sinceramente gosto de seguir o vosso blogue. Mas ele seria muito mais interessante se mais imparcial! É que por vezes o vosso enviezamento roça o patetico. O que é uma pena, já que parecem ter vontade e capacidade para mais que isso...
    Luis Miguel

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  2. Caro Luis Miguel, com muito gosto li o seu comentário e com ainda mais gosto lhe respondo de forma franca e honesta.

    Não me parece que sofra de enviezamento, ou se sofro de falta de parcialidade. Talvez sofra de um síndrome muito estranho neste país plantado à beira-mar, de seu nome "ser-se politicamente incorrecto". Aprendi, ou melhor, julgo ter aprendido com as minhas leituras dos escritos da Antiguidade Clássica, e mais uns quantos de épocas históricas mais próximas da nossa, que a Política é a arte mais nobre de servir a Comunidade, e que, para tal, é preciso de ter um conjunto mínimo de requisitos. Infelizmente, para mim, é demasiado raro encontrar essas características nos políticos do nosso burgo. Vejo muitos seguidores de Cícero, e praticamente nenhuns de Catão.

    António Costa pôs-se a jeito, quer na gestão da Câmara, como no momento inusitado do lançamento do seu livro, como na entourage socialista que lá estava, como nas leituras políticas que se pode fazer. Simplesmente, pôs-se a jeito para a minha crítica, e, como gosto de ser honesto, frontal e politicamente incorrecto, escrevi o que penso. Goste-se, ou não se goste, um bom debate político é aquele que contrapõe ideias, ideologias; não a crítica pela crítica. Se Santana Lopes um dia lançar um livro em momento inusitado, cá estarei para criticar; se vir razões para criticar a obra do Túnel do Marquês, cá estarei para o fazer.

    Tenho para mim que sou um espírito aberto que não responde perante ninguém; apenas perante mim, os meus pensamentos e as minhas ideologicas. Novamente, goste-se ou não se goste, se é para rebater ou criticar, que se faça com argumentos pondersos, fundamentados e ideologicamente sustentados. E não me parece que seja patético, mas talvez o seja: talvez o seja porque, se calhar, nasci no país errado onde existe uma nova forma de censura apelidade de "politicamente correcto".

    Novamente, reforço o agradecimento pelo comentário e o desafio de continuar a visitar o nosso humilde espaço de pensamento e debate!

    Com os melhores cumprimentos, caro Luis Miguel

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  3. Nao concordando com o texto do Luis Miguel nao o critico.Fico contente pois pessoas como o senhor nao devem ir além de pensador. Gostaria de ver o seu codigo genético. Até pareçe que voce nao deriva do mesmo ancestral - ou voce nao consegue ver que o problema do oportunismo governativo nao é das pessoas em si mas na situaçao governativa, que é propicia ao ato?

    Aposto tudo como voce seria oportuno.
    Aposto também que voce vai rejeitar totalmente o que acabo de mencionar.

    Ja agora, qual é o vosso objectivo longo prazo com este blog? Um "oportunismo" para cair em graça de algum politico PSD e tomar uma camara municipal?
    Quem nao é oportuno na vida é ultrapassado pelos outros ou jogado fora.

    Melhores Cumprimentos,
    Um leitor ao acaso num patamar mais bem acima do que os pensadores Lisboa

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  4. essas colocações piramidais, a vaidade e a análise custo/beneficio de um blog demonstram bem quem sofre aqui do quê!... diria até que é um típico comentário de quem não passa de um mero leitor ao acaso... Aqui pensa-se Lisboa e com a liberdade de se poder escrever o que se quiser! Fico à espera do seu oportunismo para escrever algo sobre Lisboa, com um espírito livre!

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  5. o que digo é que aqui pensa-se lisboa de um prisma teorico não prático, que distorce de tal maneira a realidade. Quantos so senhores ja exerceram cargos na politica: como governantes na assembleia, camara, ou autarquias?
    Falar de fora, vendo apenas os resultados dos problemas da governaçao politica é fácil. O dificil é relaciona-los com as causas...neste aspecto voces vao aquém do mediocre.

    Voce pode esperar o meu oportunismo para fazer algo por Lisboa... nem toda a actividade para ajudar lisboa parte do governo. Por isso sugeria, para tornar o blog mais interessante e atractivo a um maior nr de leitores, para além dos seus pensadores, que focassem mais os seus pensamentos em: soluçoes, casos de sucesso de outras cidades, menos criticas, e menos reproduçao de conteudoes de outras fontes.... mesmo que o vosso objectivo é de um dia vir a ter panorama politico

    um mero leitor ao acaso que por aqui passou e nao ficou

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  6. Caro Luis Miguel,

    Muito obrigado pela presença novamente no Pensar Lisboa. Para leitor ao acaso que passou e não ficou, muito nos honra repetir a presença 11 dias depois.

    Respeitamos a sua opinião, porém permita-me discordar de que a mediocridade atinge todos os lisboetas que não governaram a cidade...

    Este é um projecto de jovens que vem provocar opiniões. A sua opinião é para nós um importante retorno.

    Se estiver com atenção ao que se vai escrevendo por aqui, tem críticas, soluções, opiniões, outras fontes ou desabafos nossos. Tem de tudo um pouco. Pois para nós pensar parte de uma base geral: a liberdade!

    Espero que faça muito por Lisboa.

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