quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Volta das Juntas: São João de Brito


E lá voltámos ao que gostamos. Sair do PC e conhecer pessoas, ouvir e aprender. Sempre com o meu espírito. É da aprendizagem que podemos crescer. Ontem o Pensar Lisboa foi até São João de Brito. Uma Junta de Freguesia liderada pelo Presidente Joaquim Fernandes Marques.

Fomos recebidos com toda a simpatia e dirigimo-nos para a sala de reuniões. Uma sala com excelentes condições, diga-se de passagem um edifício da Junta que impressiona pelo cuidado e apresentação. Fomos logo alertados para o facto do edifício não ser todo da Junta e nos pisos superiores existirem empresas de propriedade privada.

A conversa centrou-se, como não poderia deixar de ser na Junta de São João de Brito. Um olhar pelo actual estado da Freguesia. Que projectos desenvolvem, que iniciativas estão a avançar e onde se pode fazer mais. O tema começou pela questão das competências das Juntas. O Presidente lembrou a constante queixa de fregueses sobre determinados temas, que a Junta não pode dar resposta, visto ser uma competência associada à Câmara Municipal.

São João de Brito é uma zona bem no centro da cidade e que sofre do mal que a cidade tem vindo a registar. Durante o dia tem mais pessoas, do que habitantes à noite. Ou seja, o gosto pela terra é difícil de incutir e de ser respeitado. Zona de habitação, mas tambem zona de educação. Com escolas como a Padre António Vieira, Gago Coutinho, entre outras, muitos são os jovens que passam o dia pela freguesia, mas o Presidente confidenciava-nos que poucos são de lá. A sujidade, nomeadamente o lixo junto às escolas é uma preocupação constante. Bem como dos animais de estimação e de pombos. Sim, leu bem. Pombos que são alimentados e depois sujam prédios, roupas estendidas e carros.

O Presidente Fernandes Marques, vimaranense a viver em Lisboa há muitos anos, fala com paixão de Guimarães e de São João de Brito. Fala da dificuldade em manter pessoas nos centros históricos e que hoje existe uma política mais “preocupada com pedras do que com pessoas”. Chamou ainda a atenção para o deserto que existe em Lisboa no horário nocturno. Restaurantes a fechar pelas 20 horas, pois apenas acabam por servir almoços e lanches, ou um café de fugida. Este tema levou-nos a um tema que assola Lisboa. A solidão. Nomeadamente nos mais velhos. Para combater essa solidão, a Junta de Freguesia de São João de Brito aposta em acções colectivas. Grupos, actividades nos tempos livres, passeios por Lisboa e por fora, tudo com o intuito de promover um verdadeiro espírito de comunidade e estreitar laços. Assume que é a forma de ir acompanhando as pessoas mais idosas.

Em São João de Brito, na sua sede é frequente existirem muitas pessoas ao longo do dia. Grupos de Arraiolos, Informática, Ginástica, Actividades Culturais, Exposições, são prática recorrente. Grupos corais de crianças a mais velhos, até teatro e uma orquestra lá ensaiam.

Actualmente esta freguesia conta com 12.500 habitantes, onde já viveram 20 mil. Não existem bairros sociais, mas não significa não existirem problemas sociais. Para esses problemas a freguesia conta com uma Assistente Social, que em parceria com a Santa Casa da Misericórdia, presta um auxílio de enorme valor a quem mais necessita. Trata-se de uma zona com uma população muito idosa. 4 ou 5 já com mais de 100 anos! Na maioria senhoras que já estão viúvas e vivem de rendimentos ou de pensões.

A conversa rumou depois à nova reorganização da cidade de Lisboa. São João de Brito, no novo mapa irá fundir com Campo Grande e Alvalade. O que pensa então o Presidente? Não concorda. Diz-nos que o trabalho de proximidade vai ser perdido e sobretudo a ideia de que se poupa mais está errada. As leis que surgem são por vezes empurradas por quem não está no terreno. Essa foi aliás uma das frases mais ditas, e repetidas. Falou em falta de coragem e de erro tremendo. Deu o exemplo da futura Freguesia de Oriente e a falta de coragem de fazer a Junta em todo o Parque das Nações, assumindo as diferenças entre Lisboa e Loures. Esta sua opinião é ainda reforçada pelo facto de já estar no último mandato que pode cumprir e por isso com total desapego.

Da relação com a Câmara Municipal de Lisboa disse ser uma instituição muito pesada e desorganizada. Prefere uma relação frontal e discreta do que o espalhafato da comunicação social. Quando quer falar com a Câmara envia uma carta onde diz tudo o que pensa e quer. Levámos ainda a reavivar a memória e comentar os anteriores Presidentes. Ficou a referência ao anterior Vereador Machado Rodrigues.

Numa Freguesia que está atolada de ciclovias, diz que são “excelentes passeios”. Sobretudo para as senhoras de salto alto. Pensa que Lisboa não é Amesterdão e como tal, o gasto é desnecessário. E não entende como num período como este que Portugal vive se vá ainda gastar mais 700 mil euros para a construção de mais...ciclovias...

Acredita que São João de Brito é uma Freguesia calma e serena que dá gosto de viver.

Foi uma conversa muito interessante e enriquecedora em que só temos de agradecer a disponibilidade do Presidente Fernandes Marques.

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