sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Salvem os idosos!

A CM Lisboa diz que vai lançar uma campanha de alerta telefónico para socorro a idosos. O plano foi anunciado pelos vereadores Manuel Brito e Helena Roseta e vem na sequência de mais duas idosas, que viviam juntas, terem sido encontradas mortas na sua casa. Uma tragédia inadmissível no século XXI: uma, com cancro, faleceu e a outra, acamada, morreu de fome e sede. São já 10 os idosos encontrados mortos em casa em Lisboa desde o início do ano.

Eu pergunto: o que vai mudar com o plano da CM Lisboa? O plano pede a vizinhos, familiares, juntas de freguesia, farmácias, que estejam atentos ao idosos que vivem sozinhos, e que telefonem para uma linha grátis ao mínimo sinal suspeito. Em primeiro lugar, se esses idosos tivessem familiares, com toda a certeza não viviam abandonados. E depois, o que é "o mínimo sinal suspeito"? Desaparecer durante 24 h? Nessa altura já estão mortos, é escusado ligar.

Por mais preocupado que esteja, nenhum vizinho (que sai para trabalhar), nenhum farmacêutico (que atende centenas de pessoas num dia), nem nenhum funcionário da junta (que tem outras tarefas) vai poder fazer o papel de babysitter de idosos. E isto que a CM Lisboa pede nem sequer é solidariedade, é caridade! A CM Lisboa não é uma instituição de caridade ou de solidariedade. Para fazer esse trabalho, felizmente, há instituições bem mais competentes.

O trabalho da CM Lisboa passa, isso sim, por revitalizar a cidade. Principalmente em zonas históricas onde, nos dias que correm, apenas vivem idosos. Com a reabilitação, seriam atraídas pessoas (jovens e menos jovens), negócios, movimento, vida! E é isso que os idosos precisam. Porque se estiverem a dormir e não acordarem mais, não é um telefonema depois de mortos que os vai salvar. O que os salvou foi a alegria de viver naquele bairro os últimos anos da sua vida.

Com a atracção de pessoas para as zonas históricas do centro de Lisboa (que criarão famílias), criam-se as condições para aparecerem infra-estruturas, entidades e organizações que podem também apoiar os idosos. E aí, talvez sim, nascer uma qualquer instituição voluntária ou profissional (tipo centro de dia) que possa monitorizar os idosos 24h por dia. As prioridades e a visão da CM Lisboa estão, a meu ver invertidas.

É como dar o subsídio ou fomentar condições para criação de emprego. Eu apostava neste, e não naquele.

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