quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pensar Lisboa na Associação Moradores Avenidas Novas


E lá voltámos para onde gostamos: contacto humano. Como blogue reflectimos, pensamos, escrevemos. Mas só o contacto, o conhecimento de causa e a troca de conhecimentos nos permite uma reflexão mais cuidada e assertiva.

Ontem fomos visitar a Associação de Moradores das Avenidas Novas. Uma associação que conta com 3 meses de duração e já 300 sócios. A extensão que representa vai da Praça de Londres à Gulbenkian, da Maternidade Alfredo da Costa a Entrecampos. Como se vê, bem no coração de Lisboa. Uma zona assimétrica. Onde vive com casas antigas, recuperadas e novas. Onde vive com riqueza e pobreza envergonhada.

O Presidente José Soares recebeu-nos com uma enorme simpatia. A vontade de quem está a começar um trabalho e sobretudo a necessidade de dar voz a moradores que sentem enormes problemas. Onde? Trânsito e reabilitação. As trocas de sentido, na Filipa de Vilhena, na João Crisóstomo, a ideia peregrina de ruas que antes os automóveis circulavam e hoje entopem. A Duque D´Avila outrora zona de passagem, sofreu obras com o financiamento do Metro, acabou o dinheiro, ficaram os restos da construção em plena via, agora fechada. A Associação apresentou proposta alternativa para a situação da João Crisóstomo e Alves Redol.

Entre piropos aos Vereadores Nunes da Silva e Sá Fernandes, abordámos ainda a relação da Associação com as Juntas em que está inserido. Nossa Senhora de Fátima, São João de Deus, São Sebastião da Pedreira e São Jorge de Arroios. Relação tumultuosa com Nossa Senhora de Fátima.

Da relação com as Juntas, passámos para o problema da reabilitação urbana. O Presidente José Soares referiu-nos que tinha chamado a atenção ao Presidente António Costa para a situação do Prédio da Elias Garcia. E avisou-nos: existem mais prédios na mesma situação perigosa: na Defensor de Chaves, na Visconde Valmor, junto à Marquês de Tomar e na 5 de Outubro, bem perto do Hotel Vila Rica. Falámos da possibilidade de a Câmara expropriar, construir e ceder para habitação social. Falámos de falta de dinheiro e logo relembrou que para Fundação Mário Soares, ou Fundação Saramago, o dinheiro não faltou.

O estacionamento foi mais um dos temas debatidos. Os tempos de espera para avenças de estacionamento é enorme.

De frente para o Arco do Cego, falámos um pouco do parque. Do que diz ser um espaço único na cidade, fala em abandono. Problemas? Pouca iluminação, jardim pouco cuidado e os cafés da frente com imperial a 50 cêntimos, que acumula jovens a beber e os copos a ficarem em pleno jardim. Falámos ainda da Casa do Pasto, do barulho que para lá da licença de funcionamento, existe na zona.

Uma conversa que nos permitiu uma visão mais ampla desta zona da cidade. Um bom momento de conhecimento.  Agradecemos ao José Soares, à Associação de Moradores das Avenidas Novas, com votos de continuação de bom trabalho. São associações destas que permitem continuar a Pensar Lisboa.

3 comentários:

  1. Excelente final de tarde de conversa e debate!

    Vários foram os problemas abordados e para cada um foi-nos apresentada de forma clara a visão da Associação. Nota-se que são pessoas preocupadas e que sabem do que falam.

    Muitas das vezes estas associações não são suficientemente valorizadas pelo poder executivo das freguesias e câmaras municipais, situação que esperamos que não venha a acontecer com esta Associação.

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  2. Foi uma reunião extremamente produtiva. Ficamos a conhecer melhor e de perto os problemas da zona, as queixas e as pretensões dos moradores.

    Diga-se que o "combate" da AMAN não é descabido nem infundado. São organizados e têm opiniões sustentadas em factos, em estudos, com bom senso e inteligência.

    Lisboa ganharia se todas as zonas tivessem uma associação com esta dinâmica e forma de trabalhar.

    Organizações deste tipo devem ser consideradas por todas as estruturas do poder autárquico e regional. Elas estão mais perto e representam de facto os moradores, mais do que os eleitores.

    A repetir, com outras associações do estilo.

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  3. Não é por nada mas continuo a bater na mesma tecla... Qual a média de rendas pagas por estas pessoas?
    E qual é o rácio proprietários/arrendatários?

    Pena não me ter deslocado para perguntar ao vivo.

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