quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

E eis como a liberdade se mostra um sério problema para a esquerda camarária

Seguindo a inestimável contribuição do Diogo no post imediatamente anterior ao meu, fui-me deparar com esta pérola do inenarrável Sá Fernandes. Muitas vezes eu passei pelos arraiais montados para alturas das festas populares, na verdade a sujidade faz parte do cenário, é inevitável que assim seja tendo em conta o número de frequentadores nas várias colinas de Lisboa, que, apenas, pretendem celebrar uma das melhores e mais interessantes tradições alfacinhas. Cenas de violência? Assim acontece por vezes, mas também é por isso que serve a Polícia, para tomar conta das ocorrências e fazer uma vigilância eficaz, de forma discreta e a não perturbar os cidadãos que apenas pretendem festejar uma bela data. Falta de descanso? Meus caros, todos nós temos a liberdade de escolher o sítio onde vivemos, e com essa liberdade vem a responsabilidade de arcarmos com as consequências, boas e más, das nossas opções.

Mas realmente, o que mais me admira, é a incapacidade da esquerda, quer municipal, quer nacional, de conviver bem com a liberdade. A liberdade dos cidadãos que, através do respeito pelas normas do bom senso e do respeito pelos outros, pretendem se reunir, espontaneamente, ou organizadamente, em espaços onde apenas visam celebrar uma data de boa memória para Lisboa. A liberdade de um grupo de cidadãos, a liberdade de associações, ou de restaurantes, ou de meros moradores dos bairros, de organizarem um arraial como forma de cumprir a tradição. Ademais, a liberdade de iniciativa económica privada de criar, uma pequena economia de bairro, onde durante algumas noites, se bebe, se festeja, de forma ruidosa naturalmente, com este ou aquele problema com certeza, mas que não passa de uma manifestação de liberdade da sociedade civil, independente de qualquer forma estatal ou municipal de controlo.

Não podíamos estar à espera de melhor desta personagem inusitada de Lisboa. Regulamentos, regras, afins e mais afins, num afã controlador onde a liberdade individual fica limitada pelo vício incontrolável de tudo querer regular e tudo querer controlar. E assim, uma cidade como Lisboa que podia crescer sob a força viva das associações de moradores, de bairros, das juntas, permitindo que houvesse uma "sociedade" lisboeta que pudesse nidificar uma consciência civica nestes momentos; é abafada, afogada, espartilhada em regulamentos que simplesmente não fazem sentido nenhum. Deixem a sociedade trabalhar, livremente, é só o apelo que deixo. E que não matem os arraiais lisboetas, Lisboa precisa de se agarrar às poucas, infelizmente, tradições que ainda mantém

1 comentário:

  1. A esquerda na câmara está representada na CDU, que foi a que sempre mais fez pelo movimento associativo popular enquanto esteve com o pelouro, basta ir à maioria das colectividades averiguar.
    O Sá Fernandes não passa de um tio rico com a mania que é fiscal da ASAE, mas só para o povo, porque se for para uma qualquer marca que queira encher as ruas de publicidade já não há qualquer problema ( desde que ele receba a sua comissão).

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