segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

E alternativas, sr. presidente?

Definitiva e infelizmente, cada vez é mais evidente que Deus já não está sozinho nessa coisa da omnipresença. A Emel também está em todo o lado. A sabedoria é que não é a mesma...
Imagine-se o seguinte cenário (que, inexplicavelmente, é verídico): a rua do senhor zangado (vou evitar usar nomes verídicos) passou a ter estacionamento pago em todo o lado. Aliás, não foi a rua, foi o bairro inteiro.
O senhor zangado, que na altura ainda não estava zangado, fez um ar resignado. Dirigiu-se à Emel. Afinal de contas, já mora naquela casa há uns bons anos, tem o contrato de arrendamento legal e todos os documentos em ordem. Se o estacionamento passou a ser pago no seu bairro, para quem não é morador, o melhor mesmo é tratar de arranjar o famoso "selo de residente" e pronto.
Na Emel, dizem-lhe que não pode ter o selo. O carro foi-lhe oferecido pela empresa e está, por isso, sob o nome da empresa em que trabalha. O senhor zangado, na altura já indignado, tenta por tudo fazer ver aos senhores da Emel que aquele é o seu único carro, que é ali que ele mora. Não consegue.
Passam-se semanas, um mês, dois meses, três meses. Não há dia que o senhor zangado não tente resolver o assunto. Pede uma carta assinada e carimbada à empresa onde trabalha, para tentar levar à Emel. Nada. Tenta comprometer-se a mostrar comprovativo de matrícula de seis em seis meses, se for preciso, para que a Emel fique lhe conceda o título de residente. Nada.
Farto de tudo, o senhor zangado (que antes deste processo era o senhor feliz) pergunta finalmente "Ok, então mas qual é a alternativa?". Resposta pronta: "não há".
E, de facto, não houve. O senhor zangado não pode estacionar no seu bairro, onde reside há pelo menos 7 anos, com todos os documentos legais em dia, porque é cúmplice de um escândalo vergonhoso: tem carro da empresa. Só tem aquele, mas pronto, é da empresa.
Ou seja, é residente mas não é reconhecido como tal, mora ali mas não pode estacionar ali.
Mais do que o transtorno, choca-o a falta de alternativas. A única coisa que lhe dizem é: "o seu bairro agora é pago, não pode estacionar sem pagar. Só se for residente. Que por acaso é. Ok, então só se for residente e não tiver carro da empresa".
Não se dá qualquer tipo de alternativa ao senhor zangado, que passa a ser obrigado a estacionar noutro bairro (por sinal bem longe) ou a fazer uma avença num daqueles parques subterrâneos. Ironia do destino, alguns desses parques são da Emel. Eh pa, querem ver que há marosca?
Bom, marosca o senhor zangado acredita que talvez não haja. Alternativas é que também não há. E bom senso e dois dedos de testa, então, acha mesmo que nunca houve.

PS - E sim senhor presidente, a Emel é incompetente. Quase tanto como quem lhe mantém o contrato, sem avaliar o resultado do trabalho desenvolvido nos últimos anos...

2 comentários:

  1. Grande texto! E excelente chamada de atenção.

    Para reflexão. Certas regras são cegas. Porém deviam ser à prova de bala! Para não criar mais senhores zangados...

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  2. E olha que este senhor antes era feliz...

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