quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O socialismo continua na sua cruzada contra a sociedade civil

Uma das principais manifestações de vitalidade e de saúde de uma democracia e de uma sociedade civil, surge quando o Estado compreende, e aceita, que a comunidade é capaz de se auto-reger, com normas próprias que não necessitam de ser impostas por uma lei coerciva, basta que o bom-senso impere. Para tal, é necessário que o Estado seja capaz de reconhecer que a liberdade individual e a propriedade privada são dois eixos nucleares da relação entre o Poder e a Comunidade, sendo que ambos funcionam numa estreita correlação e onde, basta um falhar, para que todo o edifício da confiança que sustenta o Poder começar a abanar vigorosamente, num terramoto de censura opressiva estatal.

Ler notícias como esta, torna-se um momento confrangedor. Todos sabemos que o socialismo tem uma especial apetência para tudo querer regular através da lei, tudo querer controlar, impôr uma moralidade e bons costumes através da lei geral e coercitiva, esquecendo-se que a sociedade tem forças e normas próprias que não podem ser derrogadas só porque o legislador municipal se lembra de criar à força, o que naturalmente não tem qualquer tipo de sustentáculo argumentativo ou comunitário.
Não discuto que o botellón possa ser um futuro problema a resolver, não nego que as lojas de conveniência precisam de um enquadramento para funcionar, mas também sou incapaz de admitir que um dos principais centros de atracção nocturna - o Bairro Alto - que normalmente é frequentado por turistas, ou estudantes Erasmus, sofra com esta razia narcisista de controlo absoluto sobre tudo o que se mexe. Na verdade, o socialismo sempre conviveu mal com a liberdade e a propriedade privada, sempre quis impôs as suas soluções estatizantes (ou neste caso, municipais) para que houvesse um simulacro de bem-estar social. Mas o bem-estar social apenas pode ser conseguido se a liberdade e a propriedade privada não tiverem limites bacocos, de um arrogância desprezível, e de um autoritarismo escondido através de razões de saúde pública.

Portanto, medidas como esta, não podem ser encaradas de forma leve ou sem um qualquer tipo de crítica ou contestação. Deixem a sociedade civil respirar, dêem-lhe liberdade para que, em conjunto, lojistas e moradores arranjem uma solução sem que a opressão autoritária do Estado central tenha que lhes dizer, qual papá, o que devem fazer. Chega, chega, chega de despachos ou posturas centralizadoras que querem limitar a nossa liberdade. Estou farto de imposições à sociedade civil, impedindo-a de resolver os problemas por ela própria. É demasiado triste esta realidade, é demasiado triste que uma cidade como Lisboa esteja entregue a estas mãos. Urge mudar.

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