terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lisboa sem Plano de Emergência para Sismo


Dia 1 de Novembro é dia de Todos os Santos e é o dia em que Lisboa lembra o terramoto de 1755.

Num seminário organizado pela Ordem dos Arquitectos da Secção Regional Sul e o GECoRPA-Grémio do Património sobre Reabilitação Sísmica dos Edifícios, um engenheiro especialista em reabilitação sísmica, José Costa, defendeu que os edifícios de Lisboa devem ser alvo de uma intervenção que os torne mais seguros em caso de sismo.

Essa intervenção poderá passar pelo reforço com varões de aço nas paredes ou pela substituição de elevadores.

“Quase garantidamente” caso haja um sismo os edifícios dos Ministérios da Baixa podem desaparecer.

As construções depois dos anos 50 do século XX começaram a ter condições “razoáveis” e só “na década de 90 um comportamento aceitável” em caso de terramoto. José Costa revelou, ainda, que se se apostasse num gasto entre os 15 e 20 por cento em remodelações profundas nos edifícios poderiam torná-los resistentes.

Exemplificando as intervenções que podem ser feitas, o engenheiro referiu os edifícios das Avenidas Novas de Lisboa, considerados dos mais perigosos. Nos elevadores destes prédios pode estar a solução: em vez das caixas vazadas com uma rede devem estar caixas fechadas em betão armado.

Numa construção da Baixa, onde o pavimento é de madeira, a principal intervenção deve ser feita nas paredes, nomeadamente com a colocação de tirantes (varões de aço que ligam as paredes das fachadas).

O especialista defendeu a preparação dos edifícios e das pessoas, nomeadamente referindo a necessidade de ter um recipiente de água suficiente para uma semana.

"Cada edifício, cada zona devia ter um plano específico e as pessoas deviam ser treinadas" referindo que em edifícios recentes uma lição seria o fecho do gás devido a eventual queda de paredes.

Remetendo para o terramoto de 1755, encarado como dos mais graves na História, José Costa referiu que nos dias de hoje quem estiver na Baixa também deve procurar locais mais altos devido à formação de um tsunami.

As colinas da cidade são refúgios válidos, mas admitiu dificuldades extra devido a danos esperados nas redes de gás e electricidade e consequentes explosões e incêndios.

Perante este cenário delicado, seria de esperar que Lisboa tivesse um plano de emergência para responder a um eventual terramoto!

Qual não é o meu espanto ao ler no Correio da Manhã (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/272-municipios-sem-planos-para-sismos) que, segundo informação prestada pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), apenas 36 concelhos têm os respectivos planos para responder à ocorrência de um sismo, e entre os mesmos não se encontra Lisboa!

Eis a LISTA DOS PLANOS DE EMERGÊNCIA DE PROTECÇÃO CIVIL DE 2ª GERAÇÃO (onde lamentavelmente não consta Lisboa):
Ílhavo
Vale de Cambra
Barrancos
Castro Verde
Fafe
Coimbra
Lousã
Penela
Tábua
Alandroal
Albufeira
Portimão
Tavira
Vila do Bispo
Vila Real de Santo António
Aguiar da Beira
Celorico da Beira
Alvaiázere
Batalha
Pedrógão Grande
Pombal
Leiria
Alenquer
Mafra
Odivelas
Sintra
Torres Vedras
Arronches
Campo Maior
Elvas
Felgueiras
Santo Tirso
Seixal
Boticas
Castro Daire
Mangualde

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