quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lisboa e o vício nacional dos impostos: o socialismo no seu pior

Consta que alguém se lembrou de pensar sobre os transportes públicos e arranjar uma forma de os financiar. É com muita tristeza que leio esta notícia e, não querendo repetir o que o meu colega Rui Costa Pinto escreveu uns posts abaixo, deixo apenas a minha visão pessoal.

Os impostos - e por extensão as taxas - mais não são do que uma intromissão do Estado na propriedade individual do cidadão, como indivíduo integrado numa comunidade que visa o bem comum; intromissão essa que apenas é tolerada pelo cidadão até chegar a um certo limite, ultrapassado esse limite estamos perante um confisco, um saque, uma violação de um dos corolários mais profundos e nucleares do que é ser um cidadão dentro de uma sociedade - a propriedade privada e a liberdade individual para usufruir dela mediante o nosso livre arbitrio. Assim sendo, a criação de novas taxas ou de novos impostos, ou a subida dos mesmos, devem ser vistos na perspectiva da existência de um contrato social entre o eleito e o eleitor - contrato esse que funda o Poder do primeiro, é a confiança que alimenta o Poder, que funda o Poder, que destrói e mina o Poder quando esse fio condutor desaparece ou é quebrado.

Não me consta que o rigor que o excelso e atroz Presidente da Câmara de Lisboa, de seu nome António Costa, incluiria, aquando das sua eleição, inventar mais uma trapalhada socialista para tentar solucionar um problema que apenas tem uma solução - a reestruturação com vista à privatização. Já chega de um controlo estatal sobre a vida do cidadão, do mero indíviduo. Naturalmente que para este país à beira-mar plantado se safar, precisa de um choque, de uma redefinição, de um reinventar baseado em três ideias fundamentais: liberdade, propriedade privada e segurança. E, defendendo isto, ver este tipo de notícias causa-me arrepios na espinha, arrepios gélidos de pele de galinha apenas provocados, ou pela ignorância, ou pela incompetência de quem dita estas barbaridades.

Para além de partilhar a reflexão de Rui Costa Pinto aqui neste genial e sempre refrescante espaço, apenas acrescento esta ideia: para resolver um problema de dívida, inventar novas taxas e novos impostos, sem uma legitimidade democrática anterior que fundamente tal tomada de decisão ("No tax without representation"), é atentar contra a liberdade individual e contra a propriedade privada do cidadão. Como tal, é ultrapassado o limite do bom-senso e da tolerância da intromissão do Estado, tornando-se legítima a resistência e a desobediência a tamanha flagrante incompetência. Resolver o problema de uma dívida gigantesca através de novas receitas é a típica solução socialista: empanturrar mais dinheiro, tapando os olhos, pensando que o dinheiro é infinito e esquecendo uma das regras mais básicas da economia, quanto mais dinheiro impresso, maior a inflação. Enfim, é o país que temos, o país afundado na ideologia keinesianista que nos empurrou para a tragédia "grega" que nos encontramos, em suma, uma questão de mentalidade que irá demorar tempo a passar. Infelizmente, demasiado tempo, em vez de se atacar o problema camarário (demasiados empregados) e o problema dos transportes públicos (demasiados privilégios de classe e redundâncias de serviço).

Sem comentários:

Enviar um comentário