sábado, 29 de outubro de 2011

O epitáfio de uma cidade e dos seus transportes públicos: a história triste de um povo que não consegue ser civilizado

Duas vezes fui a Berlim, e duas vezes tive a oportunidade de presenciar algo que me chamou a atenção. Em dois dias da semana, à Sexta-Feira e ao Sábado, os transportes públicos de Berlim (tendo em conta que a divisão administrativa alemã é diferente da nossa, furto-me a usar a expressão "transportes municipais") funcionam 24 horas, para permitir uma maior mobilidade e segurança dos seus habitantes, que queiram explorar o seu lado noctívago.

Consta-me que nós, o belo povo português, gosta, ama, exulta, por poder copiar os melhores exemplos europeus e/ou mundiais, para que nos enchemos de brio, com um ego bacoco, e gritar a plenos pulmões que pertencemos às nações mais civilizadas. Pois bem, ler este tipo de noticias (com a respectiva resposta de alguém muito interessado no tema), é naturalmente deprimente.
Naturalmente, podemos dizer que a culpa é dos socialistas que andaram a governar-nos durante seis anos e que conseguiram, com um mérito assinalável leia-se, provar que o keinesianismo é uma politica que conduz inevitavelmente à falência dos Estados e que coloca a nu a impossibilidade prática de manter o Estado Social, tal como ele foi construído e configurado nos idos de 60 do século passado. Mas também deixo esta reflexão: corta-se nas carreiras e nas horas de serviço para manter as mordomias dos trabalhadores destas empresas? Diminui-se a prestação do serviço público de transportes, desincentivando o uso dos mesmos e fazendo com que Lisboa se torne um regabofe à noite, so para que um número de pessoas, quais privilegiadas, mantenham as suas mordomias? Será que ainda vale a pena estas tretas de empresas serem públicas?

Chego a esta conclusão: Lisboa vai por maus caminhos, desta vez, por imposição do poder central que é um travestido de liberal, mas que de liberal nada tem. Resultado final: os inteligentes emigram. Tenho dito.

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