quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lisboa não nasceu virada para a Europa, mas sim para o Atlântico - Parte III

Lisboa tem um destino fatal que a acompanha e acompanhará para sempre: ser uma cidade dedicada ao Turismo. Uma urbe como a nossa, que oferece aos seus visitantes paisagens deslumbrantes como a vista do castelo sobre a cidade, ou monumentos de imensa valia histórica como sejam o Mosteiro dos Jerónimos ou a Torre de Belém, deve ter como bandeira que mova todos os lisboetas a promoção de um Turismo eficaz e que seja atractivo para quem nos escolha visitar. Lisboa desfruta de condições ímpares para se tornar num pólo turístico: o clima ameno durante todo o ano, um conjunto de edificações antigas que possuem, nas suas paredes e nas suas fachadas, momentos importantes da História da Humanidade, um povo hospitaleiro e sempre pronto a ajudar e, acima de tudo, uma localização invejável que tanto deliciou artistas, pintores, escritores e viajantes ao longo dos tempos.

Mas uma viagem mais prolongada pelas ruas de Lisboa, pelos monumentos alfacinhas, pela estruturação da capital, ajuda-nos a concluir que muito deve ser feito nesta vertente fulcral para o desenvolvimento da cidade. Lisboa deve ser estruturada a pensar no Turismo, nas enormes potencialidades que aufere e oferece ao mais comum dos seus visitantes. Ser turista não implica saber a língua do país ou cidade que se vai visitar: uma boa cidade planeada para o Turismo oferece aos seus visitantes a possiblidade de se enveredarem por um labirinto citadino em que as instrucções, direcções e informações estão à mão de semear e onde o custo de oportunidade de procurar essa mesma informação seja praticamente nula. Lisboa não pode evoluir indiferente ao que outras capitais europeias oferecem aos seus visitantes. Não basta a existência de uns meros prospectos, ou de uns meros livros grossos de promoção turística ao estilo Lonely Planet. Ao turista deve ser dada a oportunidade de embarcar numa viagem de fácil compreensão e de fácil acesso, no fundo, "descomplicar" a cidade para o turista.

Sinalização traduzida para Inglês, guias efectivamente treinados e com sabedoria suficiente para que os turistas embarquem numa viagem desprovidos de livros, todos estes e outros pequenos pormenores que fazem toda a diferença. Mas não basta resolver as pequenas minudências, é preciso olhar para os grandes detalhes. Falo de uma cidade livre de obras, falo de uma cidade em que os museus possam oferecer actividades nocturnas, falo de monumentos abertos à noite onde o turista pode apreciar a outra face de Lisboa: a face da beleza nocturna de uma paisagem citadina, falo de transportes públicos abertos durante a noite (como sempre queremos parecer que somos civilizados, mas se queremos mesmo imitar os bons exemplos, olhemos para Berlim...) possibilitando aos turistas uma outra imagem de Lisboa.

Poucas linhas não chegam para discorrer por completo sobre o que deve ser o Turismo em Lisboa, mas este pilar apenas pode ser bem desenvolvido se ele for pensado de forma articulada. Lisboa tem tudo para mostrar, tem tudo a ganhar se se revelar e desenvolver como um guia para a História da Humanidade que neste pequeno burgo foi construída.
Não percam os próximos episódios...

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