quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lisboa não nasceu virada para a Europa, mas sim para o Atlântico - Parte II

Turismo, Cultura, Negócios: devem ser estes os três pilares fundamentais de um planeamento estratégico a médio/longo prazo para o desenvolvimento de Lisboa. São estes os três pilares que devem constituir os meios e os seus próprios fins para a revigoração de Lisboa como uma capital europeia, mas sempre sem negar com as suas origens atlânticas e marítimas. São estes os três pilares fundamentais que irão presidir às reflexões que, nos próximos dois dias, aqui irei deixar neste blogue revitalizante e necessário.

Porquê estes três pilares e não outros, poderá o leitor mais atento e mais curioso perguntar num jeito de indagação. A resposta é simples: Lisboa não pode negar o seu passado, deve-se orgulhar da sua História e utilizá-la como plataforma para impulsionar as várias potencialidades que esta cidade das sete colinas oferece. Não só pela revitalização urgente de Lisboa como uma cidade virada para o turismo, para a História, para o ensinamento dos povos que nos visitam dos feitos dos nossos antepassados, quer nacionais, quer alfacinhas, para a passagem da memória e como ponto de orgulho lisboeta. Lisboa não pode negar o potencial cultural que lhe assiste, em consonância com o Turismo, dois pilares que devem trabalhar de forma interdependente para proporcionar aos visitantes uma experiência única. Ademais, uma cidade como Lisboa deve ser um pólo cultural inovador, moderno, não só protegendo o classicismo reinante nos bairros mais antigos de Lisboa, preservando a sua traça original, como também ser capaz de ser uma cidade aberta às novas tendências culturais, sem medo de arriscar, sem receio do arrojo ambicioso ou do rasgo genial que perdura por gerações.

Uma cidade não se faz apenas construindo acessibilidades, uma cidade não se constrói apenas reconfigurando espaços para estacionamentos, uma cidade não se projecta apenas se concentrando em prédios devolutos, uma cidade não cresce se apenas se debruçar sobre o seu próprio umbigo, dilacerado por lutas intestinais internas e partidárias, uma cidade não pode orgulhar-se de si própria se negar as suas próprias origens, uma cidade não se pode solidificar se não souber respeitar os seus habitantes, uma cidade não pode sobreviver se não souber captar capital humano e financeiro que a dinamizem de forma frequente. Lisboa não pode ser uma agremiação de vontades dispersas, de políticos "para-quedistas" que aterram nesta bela e única cidade sem a mínima consciência dos problemas que a afectam; Lisboa não pode ser uma cidade onde os problemas são resolvidos de forma desgarrada e sem um conjunto de princípios ideológicos coerentes, apenas mexendo nos remendos e não nas feridas mais profundas. Lisboa não pode ser o espelho de um país que já não é o que já foi, não pode ser a face negra de um país envolto numa espiral depressiva. Lisboa deve ser o pólo, deve ser o catalisador, deve ser o exemplo de como o país pode sobreviver e ultrapassar-se a si próprio.

Não percam os próximos episódios...

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