quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Revitalização urbana: a arte de esconder

Os graffitis e a falta de uma estratégia de revitalização urbana. Há graffitis que são obras de arte, como é o caso daquele que ocupa um quarteirão na Avenida Fontes Pereira de Melo. É de facto uma obra notável, mas que dificilmente convence, a não ser que assumamos aquele bloco composto por dois prédios como espaço devoluto para o resto dos dias. Aquele belíssimo graffiti constitui uma metáfora da ausência de uma política de revitalização urbana por parte da CML. O que aquele graffiti nos parece querer dizer é que podemos conviver com prédios devolutos e espaços abandonados dentro da cidade, desde que os enquadremos artisticamente na paisagem. A cidade tem imenso a ganhar com a arte urbana, mas não pode servir-se dela para esconder o património devoluto e o abandono a que foi votado o centro de Lisboa.

Deixo, para reflexão um artigo de opinião de John Chamberlain, arquitecto inglês radicado em Lisboa, para o The Guardian. 

4 comentários:

  1. Que belo tema Rui. De facto, andar pelas nossas ruas e assistir aos grafittis que inundam esta cidade leva-nos a pensar como não existe uma política cuidada para este tema.

    Peguemos num exemplo diabólica. A Madeira. Passar pelas ruas do Funchal é assistir a pinturas girissimas e que demonstram um pensamento cuidado para os artistas que são os pintores. São trabalhos de elevado nível, pintam-se casas e portas antigas que dão um colorido às ruas e atraem pessoas novas a espaços antigos.

    E lá, em plena Madeira de Jardim...

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  2. Diogo, é curioso que tragas um exemplo madeirense. O continente habituou-se a menosprezar a liberdade artística no arquipélago, é bom saber que há boas ideias e boas iniciativas.

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  3. Concordo, este tipo de arte não deve servir para esconder o que está mal, mas para embelezar ou dinamizar um local sem vida..
    Exemplo disso é o tunel acesso ao Estádio da Luz pelo Colombo.
    Antes com paredes forradas a azulejo branco, sem vida e monotono.
    Agora, um grupo de adeptos reuniu-se e decidiu dar vida a um espaço que passou de simples ponto de passagem para ponto de passagem obrigatório.
    http://img689.imageshack.us/img689/3798/tunelbenfica1.jpg
    http://img231.imageshack.us/img231/550/tunelbenfica.jpg

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  4. Concordando com as suas conclusões, penso no entanto que a CML através do seu Gabinete de Arte Urbana tem feito bastante para (re-)vitalizar a a área de arte urbana em Lisboa. Assim, além do projecto Cronos (a que pertencem as pinturas da Av. Fontes Pereira de Melo, Av. Alm. Reis e noutros sítios) há mais intervenções muito interessantes que contam com o apoio da urb.

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