quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Amarguras

A 20 Janeiro de 2003, Frank Gehry, um dos arquitectos mais apreciados em todo o mundo, visitava Lisboa a convite da Câmara Municipal e prometia transformar o Parque Mayer num espaço mágico. 8 anos depois, o Parque Mayer é, quando muito, um pesadelo.

Este caso é crucial para entender a vida política do país nos últimos oito anos. Em 2003 a discussão política em Portugal fazia-se em torno da tanga e, durante os dois anos seguintes, a situação financeira da CML foi amplamente escrutinada em praça pública. O projecto de Frank Gehry para o Parque Mayer foi então instrumentalizado politicamente como exemplo de um devaneio financeiro de Pedro Santana Lopes. Um capricho da capital.

8 anos depois, o tempo dá-nos outra perspectiva. Hoje reconhecemos que, à época, a situação financeira do país não era tão drástica como o PS fez crer. Hoje, reconhecemos que o país deveria ter investido em projectos que promovessem a competitividade ao invés de mais infra-estrutura... Hoje fala-se de reabilitação dos centros urbanos e de atracção de novos mercados emissores de turismo.

Hoje, porém, o país é outro tal como o projecto para o Parque Mayer. E o futuro daquele espaço e da cidade será outro também. Muitos dos que criticaram a opção de Gehry estão hoje orgulhosos do projecto de Manuel Aires Mateus para a revitalização do espaço.

Eu aprecio a obra de Aires Mateus, mas há verdades que importa lembrar. Um projecto de 100 milhões de euros assinado por Frank Gehry teria retorno financeiro por via das receitas do turismo e promoveria amplamente a imagem de Lisboa internacionalmente, traria óbvias vantagens competitivas ao turismo lisboeta. Um projecto de poucos milhões de euros de Aires Mateus vai simplesmente onerar as contas da CML no futuro e vai dificultar a própria sobrevivência do espaço.

2 comentários:

  1. Touché meu caro.

    Mas não, há por ai muito boa gente que o considera "ridiculo".

    Enfim, de facto, o buraco que lá está hoje, em plena zona nobre da cidade é que vale a pena manter. Visão de futuro? Pensar Lisboa com profundidade? Qual quê. Dá trabalho isso.

    Bem melhor andar a fingir que se faz, a dar a mão a Costa. Caladinhos sem capacidade de apontar o dedo ao que vai mesmo mal.

    É pena assistir a certas organizações...

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  2. De facto é triste que se tenha usado tais argumentos para atacar PSL com objectivos puramente eleitorais, esquecendo o que seria melhor para Lisboa. Essa é uma boa prova de que certas pessoas põem Lisboa em 2º plano, atrás dos próprios interesses.

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